Parece que -- modalizo e enfatizo, porque, já aqui o escrevi vezes sem conta, entendo tanto de economia como os especialistas, ou seja, nada -- parece que o capitalismo alemão é mais conservador, menos centrado em grupos financeiros, do que o inglês e americano. As empresas que enriquecem a Alemanha são frequentemente empresas familiares, muitas delas centenárias, não cotadas na bolsa (logo não dependentes da especulação bolsista), as quais não visam o lucro imediato ou no muito curto prazo, e consideram os seus trabalhadores como uma das suas maiores riquezas; recrutam-nos nas escolas e universidades da região e procuram mantê-los durante toda a vida -- por cá, dizem-nos que tais empregos acabaram.
Especializaram-se na produção de bens e não de serviços; têm elevada tecnologia, logo elevada produtividade; exportam a quase totalidade da produção e para países como a China; orgulham-se da sua função social e encaram o futuro com a confiança que lhes dá tanto o passado como a certeza de que são as melhores nos respectivos nichos de mercado...
Vale a pena estar atento. As receitas dos nossos governantes anteriores, que se traduziram no abandono da agricultura, da pesca, na destruição da indústria, conduziram-nos a um estado de coisas insustentável. Ou produzimos, ou falimos.