É sabido, é repetido até à exaustão: nós, que escrevemos em blogues, falamos do que não sabemos; move-nos sanha justiceira, inveja, incompreensão, ignorância sobretudo; o ricaço muda a sede para a Holanda, como tantos outros fizeram já, por nossa culpa, que os perseguimos para que paguem impostos, que os acusamos de serem responsáveis pela situação nacional, que ousamos falar deles como sendo "ricos", quando, na verdade, são apenas trabalhadores a viverem do seu salário, quantas vezes bem modesto.
A mim, que me guio mais por sentimentos do que por razões, ensinado pelos anos de que cada qual tem a sua, pergunto: Onde é que enriqueceram? À custa de quem? Nessa Holanda, como emigrantes, ou cá, a importar bens para arruinar a nossa produção? Apenas com o suor do seu rosto, ou à custa de milhares de desgraçados e desgraçadas, que ouço muitas vezes dizerem que há horas deveriam ter saído e fechado a caixa do hipermercado? E os filhos à espera à porta da escola, a crescerem sem pais presentes, para que os patrões, fazendo contas, deslocalizem fortunas para onde os impostos sejam mais baixos ou as condições de financiamento melhores.
É assim que me fazem dar razão ao camarada Jerónimo: pátria, povo, servem como financiadores, mercados, consumidores. Que os grandes capitalistas nos lixem, já não é pouco; agora que tantos se dêem ao trabalho de defender o indefensável, a saber, que é compreensível que o capital por cá acumulado deserte, irra, é de mais. Cá para o pagante -- chega. Basta. E que ninguém se esqueça: foram os génios das finanças, os economistas, os financeiros que nos conduziram ao ponto em que estamos.
