Uma ida aos Correios é suplício. Às tantas, dou pela entrada de uma moça já pouco moça que foi minha aluna. Do 7º ano ao 12º. De pequenina, cabelos pela cintura, uma bonequinha que não falava, até uma mulherzinha que também não falava. As coisas correram bem entre nós, apesar do seu mutismo: sempre a passei, com boas notas, inteiramente merecidas -- ou não lhas teria dado. Pois a moça já pouco moça -- como os jovens envelhecem depressa! -- entra e sai, sai e entra, resvés comigo, e coisa estranha, não me conhece. Enfim, maneiras de ser, ou anda um professor a educar uma jovem seis anos para isto, ou, como diz o meu amigo João, a partir dos cinquenta somos invisíveis para as mulheres, sei lá. Eu não existo e é tudo.
Pelo canto do olho apercebo-me da entrada de outra ex-aluna, esta apenas do 10º ao 12º. Notas pouco brilhantes. Prevejo que também me não vai conhecer. E, de facto, durante longos minutos, parece que me não vê naqueles correios quase desertos, em que os funcionários arrastam o serviço. De repente, põe-se a meu lado e conversamos. Pergunto-lhe pela vida, falamos de outras alunas. Nem tudo está perdido. O civismo ainda existe.