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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Coincidências

Da História de Portugal, Quinto Volume, dir. José Mattoso, p 117:
"A crise financeira atingia, em 1847, uma grave situação e, em 1848, o Governo contava apenas com os meios necessários para ocorrer, num único semestre, ao pagamento de metade dos vencimentos dos funcionários públicos e dos soldos e fornecimentos do Exército e da Marinha. O Governo era devedor a nível interno e externo. (...) Crescia aceleradamente a agiotagem. A crise veio acabar numa bancarrota e o período de liquidez só teve lugar a partir de 1852. (...) O aumento do banditismo, provocado pelo desemprego, evasão, deserção e suspensão de lugares e de cargos e o crescendo das guerrilhas provocavam a perturbação da ordem pública. "
Segundo a mesma fonte, a crise agrícola, que se agudizava desde 1837, acentua-se com o Inverno rigoroso de 1844-1845 e piora em 1847 devido à praga da batata, a intensa seca, a más colheitas, que levam ao consequente aumento dos preços dos cereais e produtos de primeira necessidade, causando uma crise geral de subsistência, acompanhada de baixa de salários, fome, desemprego, instabilidade política...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A cegueira e o inevitável

Estrebucham os comentadores quais enguias na frigideira -- imagem que me é cara --, culpando a Grécia dos males da actualidade, incapazes de ver, porque o pior cego é aquele que não quer ver, que o problema não reside na Grécia nem nos gregos, mas num modelo social absurdo, que colapsará inevitavelmente, independentemente dos nossos desejos. Já aqui o escrevi: a riqueza é, na sua maior parte, virtual, o que explica que os bancos tenham perdido de um dia para o outro boa parte dos seus "activos". A riqueza actual é, sobretudo, especulação e foi "produzida" vendendo sucessivamente o mesmo bem quase sempre com ganhos, pelo que o seu valor se multiplicou astronomicamente -- e tudo o que sobe tem de descer, diz-se, como se diz também que quanto mais alto se sobe maior é é o trambolhão.
Se tivéssemos políticos capazes de olhar para o futuro em vez de fitarem tristemente a biqueira dos sapatos, estaríamos a implementar activamente um aumento da produção de bens agrícolas e industriais, sobretudo de primeira necessidade, a reinvestir nas pescas e nos recursos marítimos, nomeadamente na aquacultura. Colocaríamos sérios entraves à concorrência desleal, contrariando a entrada de bens concorrentes a custo inferior, invocando razões sanitárias, ecológicas, o que quer que fosse, contanto que desse tempo para apodrecerem antes de serem cá comercializados, arruinando ainda mais quem insiste em produzir.
Se, como receio, a bancarrota -- a grega, a nossa, a europeia -- for inevitável, teríamos ao menos com que matar a fome e assegurar as necessidades básicas da população. Se não for -- e bem gostaria que não fosse -- poderíamos fazer a eventuais excessos na produção alimentar o mesmo que o ministério da saúde está a fazer às vacinas da gripe.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Da entropia

A segunda lei da termodinâmica é uma formulação científica do pessimismo: num meio fechado, a entropia aumenta sempre. Toda a organização se consegue à custa do caos criado – e este cresce sempre. Prosperaram sociedades organizadas na Europa e na América do Norte, tão ricas que até dispensavam migalhas para ajudar as vítimas do caos necessariamente criado em África e na Ásia; tão ricas que depois das matérias primas passaram a importar também os operários -- até concluírem que era preferível deslocalizar a produção e os seus custos humanos e ambientais. E a entropia diminuiu no antes chamado Terceiro Mundo, aumentando consequentemente no Ocidente. O caos da Grécia, da Espanha, não é fenómeno passageiro e localizado: é um sinal dos tempos. Num meio fechado como é o planeta Terra, a entropia aumenta sempre.

ADENDA, só necessária porque (1) Portugal é o país da esperança, seja no regresso de D. Sebastião, seja na protecção da Senhora de Fátima e (2) Portugal é o país da retórica (enfim, de uma certa retórica, onde todos se convencem de que é tudo uma questão de palavras e de conversa fiada -- talvez por isso os políticos saíssem maioritariamente de Direito, isto antes de saírem das jotas):

Contrariamente às leis religiosas ou jurídicas, uma lei científica não conhece excepções, seja aqui seja em Andrómeda: ou está correcta ou não está. E todos os dados disponíveis, toneladas, terabites deles, evidenciam a correcta formulação das duas leis da termodinâmica.