Confrange-me ver como a escola, que sempre adorei, se está a transformar numa prisão para os jovens, obrigados a nela permanecer de manhã à noite, impedidos de sair por cartões electrónicos, vigiados por câmaras... Não é ficção científica negra, não. Antes fosse. É a realidade que espera os nossos jovens já no próximo ano lectivo: enclausurados todo o dia, emparedados em salas de aula em blocos de noventa minutos, com três direitos fundamentais: sentar, ouvir, estar calados. Para conviver, para namorar, ou o fazem na sala de aula, ou terão de rentabilizar os intervalos, escassos e exíguos, dividindo-os entre as necessidades fisiológicas, a alimentação e as relações humanas.
Não cometeram qualquer crime. Se o tivessem feito, teriam direito a liberdade condicional, regime aberto, pulseira electrónica. Mas estão condenados a prisão das 8H15 da manhã às 18H05 da tarde, obrigados a ver professores até ao vómito -- tudo isto em nome da segurança deles próprios!
Quem se admirará se a indisciplina se tornar explosiva?





