Isto, que encontrei no Delito de Opinião, um dos meus blogues favoritos. Genial. Se der para trocar a ministra original pela imitação, é para já. O miúdo, para além de manifestar talento para a representação, imita excepcionalmente bem a figura ridícula --- na conversa, nos trejeitos, nos tiques, nos sorrisos para as câmaras --- que a ministra faz de cada vez que aparece. Pior, não ficamos. Venha de lá a genialidade, sem atender à idade. Aposto que se ele continuar a série Uma Aventura, o nível vai subir. E bem precisa.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
domingo, 19 de setembro de 2010
Ausências
De vez em quando este blogue pára por uns dias. Não é que a preguiça me ataque com maior intensidade; é que outros afazeres me solicitam, por vezes em simultâneo, e chego à noite tão exausto que nem o mail leio. E então não respondo aos comentários. Não é má educação. É cansaço. Foi o que sucedeu neste fim-de-semana, com a vindima.
É o que sucederá no próximo, com correrias para receber o prémio Irene Lisboa, ir aos Montes fazer o vinho, regressar ao Entroncamento para jantar com colegas recém-aposentadas, voltar aos Montes para fazer a água-pé, limpar a adega, lavar e arrumar prensa, tinas, selhas, almudes, canecos, escudelas, funis... E, caso não chova significativamente, regar as couves.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Orgulho
Exm.º Senhor
Na sequência da sua participação no III Prémio Literário Irene Lisboa, temos o prazer de anunciar que lhe foi atribuído o Prémio Literário Irene Lisboa - conto "Crime na Capital".
A cerimónia de entrega dos prémios terá lugar no próximo dia 23 de Setembro de 2010, pelas 21 horas, no Auditório Municipal de Arruda dos Vinhos.
Para proceder ao levantamento do seu prémio terá de se fazer acompanhar pelo NIF e Bilhete de Identidade/Cartão de Cidadão.
Sem outro assunto, enviamos os nossos melhores cumprimentos.
Na sequência da sua participação no III Prémio Literário Irene Lisboa, temos o prazer de anunciar que lhe foi atribuído o Prémio Literário Irene Lisboa - conto "Crime na Capital".
A cerimónia de entrega dos prémios terá lugar no próximo dia 23 de Setembro de 2010, pelas 21 horas, no Auditório Municipal de Arruda dos Vinhos.
Para proceder ao levantamento do seu prémio terá de se fazer acompanhar pelo NIF e Bilhete de Identidade/Cartão de Cidadão.
Sem outro assunto, enviamos os nossos melhores cumprimentos.
... e a ministra da educação
"E turmas mais pequenas?
O nosso país é, nos da OCDE, dos que têm menos alunos por turma e um professor para cada sete alunos.
Reduzir o número de alunos por turma não é uma prioridade?
Não é e não vamos fazê-lo, porque o que temos neste momento é bastante equilibrado."
(Entrevista aqui)
Senhora ministra, olhe que não, olhe que não! O meu 10º C tem 27 alunos, tantos quantos o meu 12º B. E hão-de chegar mais. Presumo -- é só presunção minha -- que terá chegado a esse número dividindo os alunos pelos professores. Mas não se esqueça dos "professores" que tem no ministério, nas direcções regionais, nos sindicatos, dos destacados, dos directores de centro de formação, dos bibliotecários, de tantos outros que são professores sem alunos...
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Prémio Literário Irene Lisboa
Amigos, alegrem-se comigo: ganhei, na modalidade conto, conforme informação telefónica recebida há momentos.
sábado, 11 de setembro de 2010
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Desfaçatez
É o que me ocorre ao ler isto:
Sócrates diz que escola pública é factor decisivo para a igualdade de oportunidades (Sol/Lusa)
O primeiro-ministro fez hoje uma defesa veemente do investimento na escola pública como factor decisivo para a igualdade de oportunidades, num discurso em que referiu os valores constitucionais e o ideal republicano de educação para todos.
Então o governante que mais contribuiu para que os pais tirassem os filhos da escola pública julga que a defende injectando uns milhões nossos em bens e obras que, nalguns casos, são puro desperdício? Mas, afinal, dele já nada me surpreende, depois que o ouvi defender o sistema nacional de saúde, esquecendo as maternidades, urgências e hospitais encerrados. Ou as escolas encerradas. Ou as promessas de criação de milhares de empregos. Ou o fim da crise (já não me recordo se foi ele se um seu ministro -- afinal, é tudo farinha do mesmo saco). Ou... têm sido tantas as promessas que as vou esquecendo. Mas de uma coisa não me esqueço: palavras leva-os o vento e quanto a obra, se exceptuarmos umas inaugurações e uns Magalhães, que fica?
Big Brother nas escolas*
Quando, a 7 de Julho deste ano, publiquei o post "A Escola Prisão" chegaram-me aos ouvidos interpretações e deturpações de "amigos" que o aproveitaram para, mais uma vez, intrigar, vendo nele uma crítica à direcção da minha escola e não, conforme lá está escarrapachado, ao sistema de ensino em que direcção e eu temos de viver. Nunca perceberão, porque tal exige largueza de espírito, que criticava e critico situações, políticas, acontecimentos, jamais pessoas -- e que fui e sou amigo de responsáveis por factos de que discordei publicamente. Trata-se, tão só, de não confundir o cu com as calças.
Apraz-me agora verificar que algumas das preocupações então manifestadas são partilhadas aqui por uma autoridade em educação, como é Ramiro Marques.
(* Título do post do Ramiro)
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Portugal, fora da União Europeia!
"Os ministros das Finanças da UE puseram-se hoje de acordo sobre a possibilidade de vetarem os orçamentos nacionais, decidindo que os seus projectos de orçamento sejam examinados ao nível europeu na Primavera, antes de serem submetidos aos parlamentos nacionais." (Público)
Por um lado, perdem razão de ser as tricas em torno da aprovação do orçamento -- afinal, quem o aprova é a UE ou lá o que é. Por outro, como patriota (e não me venham repetir que o patriotismo é o último refúgio dos canalhas) só me ocorre dizer: Portugal, fora da UE! Afinal que estamos lá a fazer? A mendigar empréstimos? Até quando?
Sim, tenho alternativa: pagar o que devemos, viver com o que temos e não de calotes. Afinal, mal ou pior, sobrevivemos desde 1143, pelo menos. Eu sei: os governantes jamais aceitarão esta minha proposta. Como jamais a aceitarão todos aqueles que se conformam com a subsidiodependência. Mas não se iludam: à velocidade a que o Mundo está a mudar, não me surpreenderei se a UE nos escorraçar. Sem dignidade.
domingo, 5 de setembro de 2010
A grande cabrada
Semanas atrás foi notícia a introdução nas nossas matas de 150 mil cabras (não se fazia referência a bodes, mas acredito que os visionários do projecto saibam distinguir elas de eles). As cabras limparão as florestas e -- garanto que o ouvi repetir -- cada uma será um bombeiro, o que me levou a pensar que não deviam ter esquecido os bodes, mais eficientes no uso da agulheta.
Sempre do contra, ocorreram-me numerosas objecções, a primeira das quais foi julgar que os mentores do projecto não percebem lá muito de cabras. Uma cabra é sempre uma cabra, filha de uma cabra, cheira como uma cabra e porta-se como uma cabra. Cada uma faz o que lhe apetece e não haverá maneira de a convencerem a comer os rebentos das silvas havendo plantas mais saborosas e tenrinhas em quintais, jardins, pomares, searas, milharais, vinhas. E tem 24 horas por dia para o fazer porque, ao contrário dos cabreiros (onde os irão desencantar?), a cabra não tem horário de trabalho.
Mas, reconhecendo a minha incompetência na matéria, socorro-me de Mestre Trindade Coelho, sem esperança embora de que as suas palavras sirvam de alerta aos autores desta ideia caprina:
"Era no rebanho a que dava mais que fazer ao pastor, requerendo vigilâncias particulares no seu atrevimento, pois que se a deixassem livre não havia árvore a que não trepasse, oliveira especialmente, nem rebento novo que não triturasse esfomeada no seu dente acerado de roedora.E depois, ali onde a viam, estava cara só pelas coimas, que muitas vezes iludira ela a atenção do pastor, e se ficara por hortas e quintalórios, causando estragos que os louvados depois avaliavam caro."Trindade Coelho, "Mãe, Os Meus Amores (trazido da Grande Oferta de Livros)
E era só uma, a Ruça. Acrescentem-se 149.999, e teremos uma pálida ideia do que aí virá.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
A liberdade do pintor
Este parte, aquele parte,
E todos, todos se vão
(Rosalía de Castro)
O último a partir para reforma antecipada, descontente com a infernização da vida do professor iniciada por Maria de Lurdes Rodrigues e Valter Lemos e continuada pela actual equipa ministerial é o pintor João Alfaro, autor dos desenhos da capa dos meus romances já publicados. Sai mais um representante de uma geração que entrou para o ensino no pós-25 de Abril, desiludido, amargurado, incapaz de contemporizar com as concepções vigentes de escola. E é a escola que fica a perder com a saída de veteranos como ele, professores experientes que poderiam assegurar uma transição sem sobressaltos, fazer a ponte entre o passado recente e o futuro. É a escola que fica mais pobre, mais monótona, mais chata -- o que nada aflige os nossos governantes, para quem desalinhados como o João são pedras no sapato do eduquês que urge deitar fora.
Vai dedicar-se por inteiro à pintura. Talentoso, com extraordinária capacidade de trabalho, o João pode agora realizar-se plenamente como artista e alcandorar o seu trabalho em níveis de sucesso ainda mais elevados.
Boa sorte, um abraço, e vai-nos visitando, na escola e fora dela.
(FOTO: o João no restaurante João do Grão, após a Grande Oferta de Livros, evento em que estivemos presentes)
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Los valientes
Soterrados há 19 dias, a 700 metros de profundidade, 33 mineiros chilenos lutam pela vida. Imagino-os apertados, na escuridão, famintos, a respirar ar viciado, obrigados a defecar no próprio local, senão nas próprias calças, à espera de um qualquer sinal de que não foram dados como mortos e sepultados vivos nessas profundezas. Imagino-os agora, a esperança reavivada, a suportarem meses de sofrimento e de desilusões até que, finalmente, os mais resistentes venham a ver novamente a luz do dia, a abraçar as famílias, que sofrem talvez mais ainda do que eles. Estes mineiros são a prova de que os homens ainda se não acabaram no planeta -- embora sejam cada vez mais raros. Como eles, como os familiares, como o seu país, desejo ardentemente que saiam vivos da sepultura em que jazem; como tantos outros tentarei reter as lágrimas quando os vir aparecer à superfície.
Venha a bruxa
Nem previsões sabe fazer. É que se me oferece dizer deste governo que não acerta uma e ainda se vangloria disso:
«Nestes seis meses, o crescimento da economia que se verificou em Portugal foi o dobro do previsto pelo Governo no início do ano», afirmou o primeiro-ministro em Vale de Cambra. "
(NOTA: estar farto de Sócrates não implica qualquer ilusão a respeito de outros candidatos à governação, com ou sem coelhos na cartola. É que já o não posso ouvir, menos ainda ao SS, ao Valter Lemos,.. )
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
De volta ao karaté
Após paragem forçada de mais de um mês -- férias, canícula e lesões de final de época a tal obrigaram -- eis-me de regresso aos treinos. Com uma semana de atraso, culpa da infecção de garganta que me atirou para a cama.
Tanto para rever, tanto para corrigir! A Via é ilimitada, dizem os antigos mestres. Enquanto o corpo responder, melhor ou pior, há que persistir. E os resultados neste regresso não são satisfatórios, na força que falta, na técnica sempre imperfeita, como bem mostra esta primeira parte de Jion, a minha Tokui-Gata ('forma' favorita).
Tanto para rever, tanto para corrigir! A Via é ilimitada, dizem os antigos mestres. Enquanto o corpo responder, melhor ou pior, há que persistir. E os resultados neste regresso não são satisfatórios, na força que falta, na técnica sempre imperfeita, como bem mostra esta primeira parte de Jion, a minha Tokui-Gata ('forma' favorita).
Ninguém
"Ó Ciclope, perguntaste como é o meu nome famoso. Vou dizer-to,e tu dá-me o presente de hospitalidade que me prometeste.Ninguém é como me chamo. Ninguém chamam-mea minha mãe, o meu pai, e todos os meus companheiros."
Homero, Odisseia (trad. Frederico Lourenço)
(Negrito meu. Note-se que "ninguém" é muito mais sugestivo do que "alguém".)
sábado, 21 de agosto de 2010
Grande oferta de livros
Feita por José Mário Silva. Fotos aqui.
Num recanto lindo de Lisboa, bem participada, ambiente extremamente simpático, civismo irrepreensível. Mais que os livros trazidos, as recordações de um momento especialmente agradável.
Muito obrigado pela ideia e pela sua concretização.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Repatriar e deportar
O governo francês repatriou umas centenas de estrangeiros que considera indesejáveis, a viver em condições precárias, e até deu 300 euros a cada um, deixando claro que nada impedirá que esses romenos agora reenviados para a sua pátria voltem quando entenderem. Logo, logo, surgem acusações de práticas nazis, transformam-se as expulsões em deportações massivas e receia-se já o reacender das fornalhas dos campos de extermínio. Esta argumentação, intelectualmente desonesta por substituir factos por interpretações, não se pronuncia sequer sobre o direito que um país tem de acolher quem bem entender e reduz a Europa à situação da velha puta, sempre de porta aberta.
Sampaio, instalado como comissário para os refugiados, vem aparentemente defender o seu emprego. Aparentemente porque continuo sem perceber nada daquilo que o homem diz em Português:
O antigo Presidente da República de Portugal realçou ainda “a necessidade de as sociedades serem sociedades plurais, que já o são”, e de ser promovida a tolerância entre as pessoas.
Já era assim quando presidia à República. Falava, falava, e eu não percebia nada. Talvez Sarcozy ou os romenos o compreendam.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Viver não custa
O ex-primeiro ministro britânico Gordon Brown cobra 100.000 euros por discurso. Ó sr. primeiro ministro de Portugal, veja o que anda a perder. Deveria saber que nós não valorizamos aquilo que é grátis. Deixe essa chatice do governo, cesse de arengar para auditórios enjoados e vá discursar para quem o aprecia e lhe pagará ainda por cima. Essas coisas do salto tecnológico, das reformas na educação, na justiça, da criação de centenas de milhares de empregos serão verdadeiras minas de oiro. E se precisar de quem escreva os discrusos, lembre-se de mim, que lhe dei a ideia.
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