terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Primícias
As primeiras batateiras nasceram. Coitadinhas, o frio dos próximos dias queimá-las-á irremediavelmente. Já as favas, também de fora da terra, resistirão. São rijas.
No meu outeiro
"No fim de Janeiro sobe ao teu outeiro; se vires verdejar, põe-te a chorar, se vires terrear, põe-te a cantar."
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Idade da reforma
O governo espanhol, segundo o Jornal de Negócios Online, prepara-se para aumentar novamente a idade da reforma:
Não entendo. A Espanha tem uma taxa de desemprego absurda, especialmente entre os mais jovens. Se a Espanha aumentar a idade da reforma, aumentará o desemprego, gastará o dinheiro da sua segurança social em subsídios a quem pouco ou nada descontou, e não terá com que que pagar as reformas a quem para elas descontou durante toda a vida.
Mudem de rumo... Lá e cá.
Tenho computador
Aparentemente, já consegui resolver os problemas que tive com o Windows. Que não deveriam ter acontecido se a Microsoft se preocupasse com os seus clientes e não tivesse, e isto desde as suas origens, uma queda para tautologias: "Um problema está a impedir a resolução do problema" é a melhor ajuda que o Windows pode dar, quase tão boa como a necessidade de, para enviar um mail a pedir ajuda, exigir a introdução da chave de activação e não a aceitar porque "está expirada".
Como resolvi? À bruta. Em desespero de causa, formatei as partições e, nem sei como, o 7 aceitou a chave do produto que, até então, ora afirmava ser pirata, ora estar expirada.
Toda esta trabalheira comprova que os cumpridores, que têm e querem continuar a ter tudo legal, passam por problemas facilmente solúveis numa qualquer loja de informática, que teria instalado uma versão pirata, "crackada", e, como diriam então os seus técnicos, "e prontos, já está".
E com tudo isto, já lá vão duas semanas de chatices. Agora, há que copiar para o disco centenas de gigabites de ficheiros, fotos, vídeos familiares, músicas... E recomeçar a trabalhar com o computador.
E com tudo isto, já lá vão duas semanas de chatices. Agora, há que copiar para o disco centenas de gigabites de ficheiros, fotos, vídeos familiares, músicas... E recomeçar a trabalhar com o computador.
domingo, 29 de janeiro de 2012
... da Microsoft
Persistem os problemas com o meu computador: agora é a Microsoft a dizer umas vezes que o meu Windows não é legal, outras que a sua validade expirou. Não tenho, não uso qualquer software ilegal. É, para mim, matéria sagrada. O pior é que não encontro do outro lado a quem enviar um simples mail de protesto e de explicação:
Tenho um Windows Vista OEM pré-instalado no disco rígido que avariou e um Windows 7 Upgrade que comprei numa das campanhas da Microsoft para professores. Em lado nenhum (ver foto aqui ao lado) se diz que tem prazo de validade, nem eu o teria adquirido nessas circunstâncias.
No novo disco, instalei o Windows Vista a partir de um disco de recuperação e sobre ele o 7. E agora as chatices, como se tivesse paciência e tempo para aturar a Microsoft. Como se, depois de ter pago os produtos, lhe devesse o que quer que seja
Tenho um Windows Vista OEM pré-instalado no disco rígido que avariou e um Windows 7 Upgrade que comprei numa das campanhas da Microsoft para professores. Em lado nenhum (ver foto aqui ao lado) se diz que tem prazo de validade, nem eu o teria adquirido nessas circunstâncias.
No novo disco, instalei o Windows Vista a partir de um disco de recuperação e sobre ele o 7. E agora as chatices, como se tivesse paciência e tempo para aturar a Microsoft. Como se, depois de ter pago os produtos, lhe devesse o que quer que seja
sábado, 28 de janeiro de 2012
A receita alemã
Parece que -- modalizo e enfatizo, porque, já aqui o escrevi vezes sem conta, entendo tanto de economia como os especialistas, ou seja, nada -- parece que o capitalismo alemão é mais conservador, menos centrado em grupos financeiros, do que o inglês e americano. As empresas que enriquecem a Alemanha são frequentemente empresas familiares, muitas delas centenárias, não cotadas na bolsa (logo não dependentes da especulação bolsista), as quais não visam o lucro imediato ou no muito curto prazo, e consideram os seus trabalhadores como uma das suas maiores riquezas; recrutam-nos nas escolas e universidades da região e procuram mantê-los durante toda a vida -- por cá, dizem-nos que tais empregos acabaram.
Especializaram-se na produção de bens e não de serviços; têm elevada tecnologia, logo elevada produtividade; exportam a quase totalidade da produção e para países como a China; orgulham-se da sua função social e encaram o futuro com a confiança que lhes dá tanto o passado como a certeza de que são as melhores nos respectivos nichos de mercado...
Vale a pena estar atento. As receitas dos nossos governantes anteriores, que se traduziram no abandono da agricultura, da pesca, na destruição da indústria, conduziram-nos a um estado de coisas insustentável. Ou produzimos, ou falimos.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Treino de instrutores e de avançados
Amanhã, em Leiria, dirigido pelo sensei Vilaça Pinto.
FOTO: alguns dos participantes no treino de 29-9-2011.
ADENDA: não participei; a dor de cabeça dominical chegou um dia mais cedo.
FOTO: alguns dos participantes no treino de 29-9-2011.
ADENDA: não participei; a dor de cabeça dominical chegou um dia mais cedo.
Infelicidade e arte
Não concordo com o lugar-comum romântico segundo o qual os artistas e, nomeadamente, os melhores artistas, são criaturas amarguradas, ressabiadas, infelizes, e a tal devem a criatividade e o mérito. Por muito que tal possa consolar almas atormentadas, não faltam contra-exemplos: D. Dinis, um dos nossos melhores poetas, Fernão Lopes e Vieira, prosadores excelsos, Garrett, tão bom na prosa como na poesia, coisa raríssima, Herculano, Eça, Cesário, o próprio Pessoa, Saramago, Sophia... E se alargasse a lista à literatura estrangeira, às artes em geral, seria um nunca mais acabar de nomes de artistas notáveis que não consta terem sido especialmente infelizes. Quanto àqueles que se lamuriam, nem sempre a vida os tratou tão mal como dizem.
Importa, portanto, não confundir o cu com as calças: ser infeliz não é condição suficiente, nem sequer necessária, para a criação artística. Porque, Pessoa o disse, o poeta é um fingidor. / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente.
Aliás, sobre felicidade e infelicidade, nada como a (re)leitura de L'Étranger: do repetido "Je n'étais pas malheureux"... até ao final "où j'avais été heureux" (citações de memória).
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
O projecto de lei da cópia privada
Os anos ensinaram-me a desconfiar de voluntarismo e de boas intenções. Muitas vezes, a necessidade de agir, de intervir para mudar o rumo de uma realidade inconveniente tem o resultado oposto: perpetuar essa realidade e de forma mais penosa. Por exemplo, o combate à fome em África. Que tem matado a fome a muita gente, sobretudo fora desse continente, porque nele a fome parece ter-se perpetuado para proveito de muitos que abnegadamente ajudam a combatê-la; por exemplo, com as invasões do Afeganistão, do Iraque, da Líbia. Métodos de intervenção mais ponderados, menos mediáticos, menos agressivos teriam seguramente conseguido melhores resultados e menores danos.
Pois é o que me parece estar subjacente ao projecto de lei de cópia privada, que visa penalizar os consumidores para proveito dos "artistas". Não sei se os deputados terão a lucidez e a coragem necessárias para rejeitar projecto tão abstruso, proposto -- que surpresa! -- pela ex-ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas. Porque a cultura é uma vaca sagrada e dizer não ao projecto trará acusações piores do que a recusa de ajudar África: afinal, quem se atreve a tirar o pão da boca dos nossos artistas?
Só que -- e não me alongo sobre o carácter disparatado da lei -- os beneficiados podem ser outros:
"Porque a SPA, que pertence e preside à AGECOP (que é quem colecta e gere a taxa aplicada pela pl118 [a lei da cópia privada], tem um passivo de 5,8 milhões de euros e gastou 6,7 milhões em 2010 só com pessoal. Percebe-se então quem este projecto de lei pretende "ajudar". Não são os autores ou criadores, mas a própria SPA."
André Rosa, "A 5ª Coluna", in PC Guia nº 193, Fev. 2012
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pl118; lei da cópia privada
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
O besante
Extraordinário, extraordinariamente bem escrito, o conto A Terra fora do sítio, de Maria Gabriela Llansol, que ontem reli pela segunda vez. Pode ser descarregado gratuitamente aqui, na Biblioteca Digital Camões. Para aguçar o apetite:
Visto pela vigia, o mar, em plena ondulação, transformou-se em nosso guarda e, além dele, não havia horizonte. Foi o bastante para que Juan confessasse que sempre o intrigara a nossa herança errante e marítima e que, de um momento para o outro, pressentia que o próprio ermo marítimo nos ia reter para sempre. Parecia que fôramos atraídos a uma vaga imóvel, e Juan pediu-me que eu lhe transmitisse O besante, convencido de que se o trocássemos com o mar, seríamos soltos em terra firme.
Não encontrei palavras minhas para o dissuadir, e um pensamento arcaico respondeu por mim:
O mar e a terra não são humanos,
tratam todos os seres como se fossem funâmbulos.
O espaço entre a terra e o mar,
não se assemelha ao fole da forja?
Por dentro, está vazio,
mas nunca se esvazia.
Quanto mais o accionam, mais ele sopra.
Quanto mais se fala,
mais cerrado é o nosso labirinto.
Mais vale que o homem
repouse no interior do fole.
E concluí, para que me compreendesse:
-Não foi o mar, Juan,
mas o seu movimento,
que nos foi dado em herança.
Do ruído silencioso
Segundo a Exame Informática, um estudo realizado pelo Instituto Superior Técnico e pelo Instituto de Telecomunicações "concluiu que cada adolescente português envia, em média, 100 SMS por dia."
Suponho que tais mensagens sejam pobres de conteúdo e nelas, mais do que comunicar, partilhar informação ou discutir ideias, predominará a função fática da linguagem: manter o contacto. Suponho que serão motivadas pela necessidade de preencher o tédio, sobretudo nas aulas, que não poderão apreciar porque delas desinteressados, ocupados a "polegarizar" irrelevâncias e banalidades. Suponho que, mais do que afirmar teclo, logo existo, a quantidade absurda de mensagens SMS enviada pelos adolescentes será o ruído da estática civilizacional do séc. XXI.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Castelo Rodrigo
É gratificante ver que há memória e há quem a registe na pedra. Comoveu-me esta homenagem ao Professor Lindley Cintra, meu professor de Literatura Portuguesa III e de Linguística Românica.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Knockdown
Desde que o disco rígido do meu portátil avariou, já passa de uma semana, que estou no tapete, consciente, mas inoperacional. Primeiro, levei dias a descobrir qual o componente avariado, apesar de suspeitar desde o início do disco; depois a instalar software -- uma guerra, incompreensível, porque é todo ele legal --; por fim, mas não finalmente, a configurar programas, recuperar cópias, relembrar senhas, muitas bem antigas e há muito esquecidas. E sobre tudo isto, actualizações constantes do Windows e C.a, que quase me não permitem utilizar o computador.
Que me desculpem a ausência de respostas tanto os leitores deste blogue como os 'amigos' do facebook. Logo que possa, e paciência tenha, começo a pôr a correspondência em dia.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Viagens na minha terra
Sernancelhe. Fim-de-semana passado. Avaria no disco rígido do computador pôs-me fora de circulação de então para cá.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Geração à rasca
É, seguramente, a minha. Explico-me sumariamente: sofremos a ditadura de Salazar e de Marcelo, a guerra colonial, vivemos o Verão Quente, aturámos o Companheiro Vasco, o PREC, sobrevivemos à primeira vinda do FMI, aguentámos o cavaquismo, o guterrismo, o socratismo...
Alegremente os políticos ganharam eleições malbaratando o dinheiro dos nossos descontos -- e hoje a nossa reforma é encarada como uma traição, uma desonestidade que os mais jovens terão de pagar... E que fazem, entrementes, os jovens oficialmente enrascados?
Uma árvore não faz a floresta. É desonesto generalizar casos pontuais. Mas casos pontuais é o que mais vejo à minha volta! Por exemplo. Uma colega aposentou-se em meados de Dezembro. Foi colocada substituta. Após o período de interrupção lectiva, vulgo férias, de Natal, renunciou ao lugar. Os alunos eram -- são -- difíceis. Mas quem lhe terá dito que professor é profissão de vida fácil? Entretanto, outros professores desempregados foram contactados para preenchimento desse horário. Todos recusaram.
Sou eu, e outros privilegiados como eu, quem assegura as substituições. E isto para além do nosso próprio horário, sem quaisquer compensações. Eles, novos, recusam porque é difícil; nós, velhotes, temos de o fazer na ingrata posição de não-professores dessas turmas, sem tarefas, sem autoridade, e para além do nosso próprio serviço lectivo e não lectivo.
Quem está à rasca, quem é?
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