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segunda-feira, 25 de agosto de 2008
sábado, 23 de agosto de 2008
Saramago, a escrita e os passeios no campo
"Queridas amigas, queridos amigos,
Escrevê-lo não foi um passeio ao campo:(...)"
Interrogo-me: desde quando é que escrever, mesmo para um mestre como Saramago, pode ser comparado a um passeio no campo? Não terá ele vivido em cada romance anterior as falsas partidas, penetrado em becos sem saída, sentido a dúvida angustiante (serei capaz outra vez?), não terá precisado de vencer quotidianamente a certeza derrotista e paralisante (já não sou capaz, isto não vai prestar, não se compara ao que já escrevi...), não se terá atormentado, palavra a palavra, frase a frase, parágrafo a parágrafo com a dificuldade de "résumer le pourquoi du monde dans un comment écrire"?
Não, trata-se, certamente, apenas de uma frase infeliz, em que Pilar procurou fazer estilo.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Reflexões sobre o estilo (1)

Encontro, por vezes, textos que dão conta de alguma preocupação com as ferramentas do escritor – se prefere o computador, a caneta, a velha máquina de escrever… Considero esta questão perfeitamente desinteressante: Homero não utilizou nenhuma delas, como as não utilizaram Fernão Lopes, Camões, Camilo ou Eça. Só há uma ferramenta que conta: a mente do criador, e só há um resultado que conta: a obra final produzida. Tudo o resto, dos meios de produção ao que o autor sentiu ou pensou, se escreveu na cama ou no comboio, são pormenores irrelevantes e distractivos.
Já a reflexão sobre o estilo me parece muito mais produtiva, talvez por ser uma das minhas obsessões. Importa esclarecer: não sou (nem aspiro vir a ser) crítico literário; o estilo interessa-me como elemento fulcral da obra, uma vez que condiciona a voz do narrador e todo o discurso (o modo como a história é contada). Ora em alguma da literatura portuguesa contemporânea predomina um estilo oralizante, avesso a convenções ortográficas e a convenções da narrativa (e.g., suprimir os elementos que permitem identificar o discurso directo) que, pesem embora eventuais vantagens – polifonia, envolvimento do leitor na construção da narrativa, ritmo rápido pela inexistência de "travões" como seriam as maiúsculas, etc., resulta obscuro, chato, não raro ilegível (terá algo a ver com a história do rei que ia nu?) e eu, leitor que procura o prazer do texto, rapidamente me enfado e ponho o livro de lado, sem me deixar impressionar pelo nome ou pelo currículo do autor.
Pode objectar-se que os tempos mudaram, já ninguém escreve com a limpidez de Camilo, o rigor de Eça. Mas, mesmo sem puxar pela cabeça, saltam logo contra-exemplos: Yourcenar, Vergílio Ferreira, García Marquez, Mário de Carvalho…
Fico-me na fé do Padre Vieira. Desagradava-lhe o estilo predominante na sua época: "[u]m estilo tão empeçado, um estilo tão dificultoso, um estilo tão afectado, um estilo tão encontrado a toda a arte e a toda a natureza" e defendia que "[o] estilo há-de ser muito fácil e muito natural (…) Aprendamos do céu o estilo da disposição, e também o das palavras. As estrelas são muito distintas e muito claras. Assim há-de ser o estilo da pregação; muito distinto e muito claro. E nem por isso temais que pareça o estilo baixo; as estrelas são muito distintas e muito claras, e altíssimas. O estilo pode ser muito claro e muito alto; tão claro que o entendam os que não sabem e tão alto que tenham muito que entender os que sabem." (in Sermão da Sexagésima)
sábado, 16 de agosto de 2008
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Contos Vagabundos, Mário de Carvalho
domingo, 10 de agosto de 2008
Guerra entre a Geórgia e a Rússia (2)
Na guerra entre a Geórgia e a Rússia, impressionou-me o bom senso dos entrevistados nas zonas de conflito: apesar da devastação generalizada e do sofrimento pessoal, não sucumbiram ainda ao ódio, sublinhando que, como têm de viver juntos, há que fazer rapidamente a paz. Sobre as razões de ambas as partes, que animam os discursos dos políticos (os quais são certamente os principais responsáveis pelas hostilidades), vem a propósito e reproduzo de memória uma história de sabedoria oriental contada pelo mestre Henry Plée:
Um mestre foi instado para presidir a um julgamento. Ouviu atentamente a vítima e concluiu: — Tens toda a razão.
Veio o réu e a cena repetiu-se: — Tens toda a razão.
Um dos membros do júri indignou-se: — Mestre, não podes dar a razão a ambos, ao réu e à vítima!
— Tens toda a razão, disse, e abandonou o tribunal.
sábado, 9 de agosto de 2008
Guerra entre a Geórgia e a Rússia
Se eu fosse comentador, daqueles que têm sempre opinião sábia sobre tudo o que se passa, indignar-me-ia com a indiferença noticiosa face à guerra entre a Geórgia e a Rússia; é de guerra que se trata, sem eufemismos, que já há milhares de feridos e de mortos. O equilíbrio mundial está em causa, o sangue corre, cadáveres amontoam-se nas ruínas, mas as televisões, todas, dão destaque à chegada de mais um espanhol para o Benfica ou anestesiam-nos com intermináveis tretas da "história" dos Jogos Olímpicos, prognósticos e profecias. E os jornais mal se deram ainda conta do conflito. (Será por estas e por outras que os leitores escasseiam? Será que começamos a ficar fartos de ser tratados como Maria-vai-com-as-outras?)
Dentro de meia hora, Bush em pessoa dirige-se aos americanos, pronunciando-se sobre o conflito. Talvez, então, os media acordem.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Escrita: ponto da situação
Terminei até agora dois romances: Do lacrau e da sua picada (2005) e Entre Cós e Alpedriz (2007). Após várias recusas de editoras, publiquei o primeiro na Edit on Web como ebook e, já descrente das capacidades desta "editora", optei por uma edição de autor para o segundo.
Relativamente a Do lacrau e da sua picada, a Edit on Web vendeu, pasme-se!, dois exemplares! Nunca esperei enriquecer com o romance, o que até daria jeito para poder dedicar mais tempo à escrita, mas vender dois exemplares num ano inteirinho é obra!
Pelo contrário, Entre Cós e Alpedriz excedeu largamente as minhas expectativas iniciais, demasiado baixas por não ter conseguido interessar nenhuma das editoras que contactei (Caminho e Oficina do Livro), nem obter uma única crítica (mesmo que fosse a título pessoal, mesmo desfavorável) dos numerosos críticos, literários e sociais, a quem ofereci a obra. Com raríssimas excepções, nem sequer consegui que confirmassem tê-la recebido! Já os leitores e as leitoras continuam a fazer-me chegar comentários muito elogiosos, que se podem resumir num "gostei muito". (O meio editorial refere frequentemente a falta de leitores, mas não reflecte sobre o que lhes oferece para ler.)
A segunda tiragem está praticamente esgotada; restam alguns, poucos, exemplares à venda – meia dúzia na Junta de Freguesia dos Montes, outros tantos na Feira do Livro da Nazaré, e uma dúzia numa loja do Bairro Alto. É possível que me decida por uma terceira tiragem, mas só depois de Do lacrau e da sua picada sair em papel, o que acontecerá logo que tenha a capa pronta.
Entretanto, o terceiro romance (Um amor inventado, título provável, embora provisório) vai avançando, penosamente, laboriosamente. Espero terminá-lo até ao Natal, quando fará dois anos de escrita, mas, mesmo que o consiga, não será publicado nos meses seguintes. E por detrás, impaciente, perfila-se o seguinte, que procura em vão captar a minha atenção…
domingo, 3 de agosto de 2008
domingo, 27 de julho de 2008
sábado, 26 de julho de 2008
segunda-feira, 21 de julho de 2008
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Expressões deícticas no Exame Nacional de Português
"Em "não te deixarei morrer, David Crockett!" (linha 12 e 13), "te" e "David Crockett" são referências deícticas pessoais." Resposta em www.gave.pt: Verdadeiro!
Verdadeiro, como? Alguém me explica como é que um nome próprio é uma referência deíctica?
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Testemunho do autor
segunda-feira, 7 de julho de 2008
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Entrevista
segunda-feira, 30 de junho de 2008
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Diálogo monótono
sexta-feira, 20 de junho de 2008
sábado, 14 de junho de 2008
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Apresentação de Entre Cós e Alpedriz no local da história
Aos Montenses Fernando Malhó, assessor do Presidente da Câmara, e Óscar Fortes dos Santos, Presidente da Junta de Freguesia, os meus agradecimentos pelo empenho posto na realização da apresentação.
Entre Cós e Alpedriz no youtube
Reinaldo Amarante, inspirado no meu romance Entre Cós e Alpedriz, colocou no Youtube um vídeo de sua autoria.
Muito obrigado!
domingo, 8 de junho de 2008
Os combustíveis estão caros
Logo que o jogo Portugal-Turquia terminou, as ruas encheram-se de carros buzinando felizes. É assim o desporto nacional: sentado e ruidoso.


