Número total de visualizações de páginas

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Myra, Maria Velho da Costa


A odisseia de uma jovem russa em Portugal, também ela de mil ardis, contada com uma técnica narrativa primorosa, a combinação harmoniosa do real com o fantástico, a sintaxe elegantemente agramatical, a função poética da linguagem, as personagens – o cão de luta, o motorista, a pintora e os seus empregados domésticos, o frade, para quem a castidade é pecaminosa, e a freira escandalizada com tal heresia, o cego e a sua cadela, o rapaz pardo por quem Myra se apaixona, a gata, os delinquentes que encarnam o mal, a proxeneta e as crianças prostituídas...
O melhor romance que li nos últimos tempos. Um assombro.

domingo, 28 de junho de 2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Rapaz atarefado


Ainda o Miguel não aprendeu bem a andar e já não pára.
Até dá corridinhas. As mãos sempre ocupadas.
Posted by Picasa

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Da eloquência


"(...)
-- Você sabe falar -- comentou.
-- Nasceu comigo.
-- Daria um péssimo escritor -- prosseguiu. -- Nunca conheci um escritor que fosse um bom orador.
--- É esse o meu problema -- repliquei. "

Ray Bradbury, "Rumo a Quilimanjaro", in As Vozes de Marte, colecção Argonauta, Ed. Livros do Brasil, Lisboa

terça-feira, 16 de junho de 2009

Amsterdam, Jacques Brel

As férias grandes eram então grandes, intermináveis na solidão aldeã, os rapazes da minha geração aprendendo ofícios por aqui e por ali, os estudantes fechados em casa a marrar para os exames de segunda época ou a banhos na Nazaré. Na aldeia, que a imigração esvaziara, o convívio quase se resumia a um longo bocejo ao serão, em frente à televisão do café, por entre velhos que jogavam dominó e menos velhos de corpo, igualmente envelhecidos de espírito, que discutiam a bola. Vivia só com a minha avó, os meus pais mourejando na Holanda, em Amesterdão, com os meus irmãos. Apenas eu, o mais velho, ficara. Por companhia, os livros que mensalmente requisitava na biblioteca itinerante Calouste Gulbenkian, uma telefonia que apanhava a Emissora Nacional -- e os sonhos.
E numa manhã, enquanto a minha avó me contava as novidades do dia – quem namorava quem, quem ralhara, quem fizera as pazes, o que esta dissera daquela – ouvi pela primeira vez Brel. De imediato me impressionou aquela voz poderosa, máscula, dura, nos antípodas das cantorias lamechas e efeminadas que preenchiam as emissões da rádio. No meu Francês ainda incipiente, compreendi que falava daquele porto que eu conhecera no ano anterior, dos marinheiros que lá nasciam e morriam, que bebiam à saúde das putas – sim, “des putains d’Amsterdam, d’Hambourg ou d’ailleurs” numa época em que palavrões andavam arredados dos media... E eu escutei maravilhado aquela canção, aquela voz, diferentes de tudo o que até então ouvira, e aquela raiva gritada, falando de cerveja e de batatas fritas, dos marujos que tiram macacos (do nariz) nas estrelas e “mijam como eu choro sobre as mulheres infiéis”...
Para ouvir Amsterdam, mal traduzida para Inglês (por exemplo: Batave, traduzido por boat, whore, é apenas um nome antigo para Holanda).
Foto: minha, tirada em Amesterdão, aí por 1976.

Tropa fandanga


Tropa macaca, dizíamos de nós próprios, por oposição às tropas especiais. 1975, pleno PREC (Processo Revolucionário em Curso, para os mais novos). A imagem fala por si própria.
Na primeira fila, o último do lado direito: eu mesmo.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O blogue do pintor


O João Alfaro estreou-se na blogosfera com este belíssimo blogue. Pinturas lindas, fotos das ferramentas do ofício, textos que dão conta das suas motivações e gostos (Diz ele: "O acto da escrita é, para mim, muito sofredor." Bem-vindo ao clube.)
É um repouso de alma um blogue assim, especialmente para quem, como eu, já não suporta a politiquice nacional, se impacienta com uma certa actualidade noticiosa, feita de desgraças quotidianas -- sempre bem esticadas, bem espremidas, cadáver a cadáver --, se agonia com a crítica social estribada numa qualquer presunção de superioridade.
Engenho, arte e uma enorme capacidade de trabalho: temos blogger (ou bloguista?)

terça-feira, 9 de junho de 2009

O Miguel já anda

E agora já anda!

Passinhos do Miguel

Há umas semanas atrás, o Miguel ensaiava já os primeiros passos:

Alimentando o gato Felpudo

Não gosto muito de gatos. Mas este e a irmã foram trazidos pela mãe, famintos, pouco após a morte da minha rotweiller. Alimentei-os e foram ficando pelo quintal, sempre ariscos, sem deixar que ninguém lhes toque. Excepção: o Afonso. A amizade com o macho, o Felpudo, começou cedo, quando o Afonso berrava desalmadamente, sem que nada o calasse; então, levava-o até à porta, mostrava-lhe o gato e, miraculosamente, a gritaria infernal cessava. Depois, começou a andar e a perseguir o Felpudo, que se lhe vinha encostar e pedir afagos. Agora retribui, prendendo o cão e alimentando-o.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

sexta-feira, 5 de junho de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

É queimar!


Outra noite de calor insuportável. De madrugada, bem antes do nascer do Sol, levanto-me e abro as janelas para refrescar a casa. Depressa a temperatura começa a descer dos 28 graus. Volto a deitar-me, saboreando o fresquinho que entra pelas janelas – para de me levantar de um salto e correr a fechá-las: outro vizinho resolveu queimar o lixo do quintal e a fumarada enche-me já a casa. É assim todo o ano, pouco importando que seja Inverno ou Verão, que haja roupa estendida ou não. Creio que é, simplesmente, espírito incendiário, embora moderado: queimam sempre os resíduos em verde, para não levantarem altas chamas…Com a escolaridade básica, ou professores, ou engenheiros – não importa. É queimar.
Dioxinas? -- Isso é nas cimenteiras.
Mau cheiro? -- Não te chega nada a casa!
Podas, relva, caules de couve, detritos diversos, tudo serve para a fumarada matinal ou vespertina, o que importa é que quando se podem abrir janelas para refrescar as casas lá vem a fumaça. (No Inverno, preferem a hora de maior calor, quando queremos enxugar a humidade da estação. Como podem atender a reclamações, se sempre discordamos da hora das queimadas?)
Como aquele capitão do Apocalypse Now que adorava o cheiro a napalm pela madrugada, assim são eles. Não há melhor perfume matinal, assim até lhes dá gosto levantar cedo, a puta da vida ganha-lhes sentido. É queimar.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O TeX

Sempre bem disposto.
Posted by Picasa

O Miguel e a avó Zé

Posted by Picasa

Um homenzinho

Ou "médio", como se define. Foto para o Cartão do Cidadão.
Posted by Picasa

terça-feira, 19 de maio de 2009

Vergonha!

Normalmente não me meto em histórias como a da professora de Espinho, cuja (suposta) gravação está no site do Público. Mas desta vez não resisto.
1. Seria bom que a presunção de inocência, que os políticos sempre invocam para se protegerem mutuamente, fosse, também neste caso, respeitada. Como a professora já foi suspensa (por que não fizeram o mesmo ao tal do Eurojust? Suspendê-lo antes do processo disciplinar?), quer-me parecer que para professores só há presunção de culpabilidade.
2. Trata-se de uma gravação ilegal cuja autenticidade carece de prova.
3. E aqui é que a porca torce o rabo. Se a gravação é autêntica, i.e., se a professora fala mesmo assim, valha-nos Deus e venham depressa as contestadas provas de ingresso na profissão. Ouvir dizer que são "amiguíssimos", "no que te "metestes", ou algo como "tens que te ver comigo" choca-me tanto como o atirar à cara de uma miúda com as habilitações literárias ou ofender-lhe a mãe...
Se não se comprovar que se trata de um embuste, de uma montagem, se assim vai o nosso ensino - que vergonha para todos nós, que nos orgulhamos de ser professores!
Adenda: veja-se o excelente post do meu amigo Ramiro Marques no seu blogue sobre este assunto. Mesmo assim, não mudo nada no meu texto.

domingo, 17 de maio de 2009

domingo, 10 de maio de 2009

Abe, Sensei

Há uns 25 anos, no Entroncamento. É o sexto, de pé, a contar da esquerda. Eu estou sentado na segunda fila, o último do lado direito. Curiosamente, hoje, 9-5-09, voltei a treinar sob a sua direcção, num estágio em Leiria.
Dá vontade de repetir as palavras de Simon & Garfunker em "The boxer":
"I am older than I once was, and younger than Ill be, thats not unusual
No it isnt strange, after changes upon changes, we are more or less the same
After changes we are more or less the same"
Posted by Picasa

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Demitido


Conforme há muito previa, fui demitido das funções de coordenador de departamento para que tinha sido eleito pelos meus pares pelo (ainda não empossado) director executivo da minha escola. Não: não é uma questão de currículo, mas sim de projecto, explicou-me simpaticamente - não precisava de o fazer - o meu amigo e futuro director, a quem desejo sinceramente, bem como à sua equipa, todo o sucesso nas suas novas funções.
Respiro de alívio com a substituição, que me liberta de um cargo que as mudanças políticas dos últimos anos tornaram fardo pesado e desagradável, enquanto recordo, para satisfação do meu ego sempre pretensioso, que nunca perdi uma eleição para cargos a que me tivesse candidatado - e foram muitas, muitas mesmo, ao longo de trinta e três anos de carreira docente, feitos exactamente no dia em que, pela primeira vez na vida, fui demitido...

(foto: início dos anos 80, menino e moço...)

The boxer


"(...)In the clearing stands a boxer, and a fighter by his trade
And he carries the reminders of every glove that laid him down or cut him
til he cried out in his anger and his shame I am leaving, I am leaving, but the fighter still remains
Yes he still remains"

Simon & Garfunkel
Vídeo aqui

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Twitter

O Twitter, por muito que o gabem, faz-me lembrar "Au suivant", de Jaques Brel:

"Tous les suivants du monde devraient s'donner la main
Voilà ce que la nuit je crie dans mon délire
Au suivant, au suivant
Et quand je n'délire pas, j'en arrive à me dire
Qu'il est plus humiliant d'être suivi que suivant
Au suivant, au suivant
Un jour je m'f'rai cul-de-jatte ou bonne sœur ou pendu
Enfin un d'ces machins où je n's'rai jamais plus
Le suivant, le suivant"

Para ver e ouvir uma das interpretações do grande Brel: Aqui

segunda-feira, 4 de maio de 2009

domingo, 3 de maio de 2009

terça-feira, 28 de abril de 2009

O Kaspar e o TeX

Posted by Picasa

Gripe suína

Esperemos que, desta vez, o progresso científico evite a repetição da hecatombe.

"A pneumónica dizimou a aldeia. Primeiro, chegou de mansinho em Junho de 1918, para desaparecer em Agosto sem ter provocado grandes estragos. O povo não chegou a alarmar-se: sempre houve gripe, sempre morreu gente, dela ou de outra coisa qualquer. Mas depois, no Outono, quando se julgava que a peste tinha já sumido, discretamente, tal como chegara, atacou com toda a força. Quase não houve família que não chorasse os seus mortos e tantos foram os funerais que, para o fim, já nem tocavam o sino a finados.
Dizia-se que a doença tinha sido causada pela mortandade nos campos ensanguentados da Flandres, de onde os sobreviventes do Corpo Expedicionário Português a terão trazido, juntamente com os pulmões destruídos pelos gases — e com as memórias do inferno que foi enfrentar o terrível exército germânico.
Muitos ficaram lá para sempre, em terra alheia e numa guerra que não era a sua, talvez apodrecendo sem sepultura e espalhando os vapores pestilentos da decomposição dos seus corpos, que envenenam terra e ar e criam doenças como a gripe espanhola. Para os recordar, colocarão no frontispício da igreja, que será construída muito mais tarde, sobre a capela de São Vicente, onde agora se despedem dos entes queridos que a peste levou, uma lápide de ardósia, com catorze nomes gravados, começando no major José Rodrigues Brusco e acabando no soldado António Ezequiel, porque até na morte há hierarquias.
De nada valeram preces e fé, que a pneumónica levou até dois dos pastorinhos de Fátima; de nada adiantaram os remédios, caseiros ou da botica: quem tinha de morrer morreu, mas, fazendo jus ao dito entre mortos e feridos alguém há-de escapar, a Joaquina Guiomar sobreviveu, atribuindo o milagre ao azeite que bebia como se fosse remédio, às colheradas, tantas quantas conseguisse engolir sem vomitar. Duvidamos hoje da eficácia do medicamento, mas, fosse dele, da crença na sua eficácia ou, simplesmente, dos genes e da sorte, o que é certo é que a sua família foi uma das raras que a doença poupou — mas nenhum deles conseguiria jamais provar comida temperada com azeite, nem, muito mais tarde, com óleo, quando nos anos sessenta o seu consumo se generalizou. (...)"


Entre Cós e Alpedriz, Cap. I

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Palminhas do Miguel

E a conversa do Afonso.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Cansado, mas satisfeito

Terminei um conto em finais de Março (cerca de 30 pp) e ontem, 14 de Abril, uma novela (120 pp). Mas não é altura de repouso: retomei As Plêiades, que já contam com umas 60 pp aproveitáveis.
O trabalho vicia. Quem o diria, ouvindo-me falar da tortura que é a escrita?

sábado, 11 de abril de 2009

Convívio no canil

Posted by Picasa

Ainda as favas

Posted by Picasa

Apreciando as favas

Posted by Picasa

Favas

A primeira favada da época. Este ano, as minhas favas adiantaram-se.
Posted by Picasa