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domingo, 5 de julho de 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Cata-vento
"Serpenteando por entre as colinas verdejantes, brilham as paredes brancas das casas das encostas, destoan
do uma ou outra no amarelo que foi moda tempos atrás, vermelhos os telhados, como a luz do poente --- e acima de todas elas, sobressai a torre da igreja, encimada por pára-raios agressivamente virado para o céu, servindo de eixo a cata-vento de ferro, em forma de galo orgulhoso, bico sempre apontado para barlavento, cauda larga para sotavento.
Do galo se diz que é inconstante como a aragem que o faz rodar, mas se o observarmos sem ideias pré-concebidas, dia após dia, ano após ano, melhor ainda, se o pudéssemos acompanhar vida após vida, concluiríamos, como eu próprio já concluí, que também ele tem as suas querenças, visto que, podendo apontar em qualquer direcção, o vejo de manhãzinha olhando para Nascente, como se também ele, na sua mudez férrea, quisesse saudar o nascer do Sol, ou o cacarejar que vem dessa direcção lhe animasse uma qualquer molécula orgânica, depositada pelos pardais oportunistas que o usam como poleiro, sujando-o indecorosamente...
Vendo-o assim imóvel, pensar-se-ia até que a ferrugem lhe limitou os movimentos na sua velhice, imobilizando-o nessa direcção; mas não, que quando a aldeia gela fustigada pelos ventos secos de Leste, de onde nunca veio nada que preste, o pobre coitado, não tendo como se resguardar, mais não pode que apontar-lhes o bico, virando a cauda para os lados do mar.
(...)
Foto: Cata-vento e igreja de Casais da Igreja.
Do galo se diz que é inconstante como a aragem que o faz rodar, mas se o observarmos sem ideias pré-concebidas, dia após dia, ano após ano, melhor ainda, se o pudéssemos acompanhar vida após vida, concluiríamos, como eu próprio já concluí, que também ele tem as suas querenças, visto que, podendo apontar em qualquer direcção, o vejo de manhãzinha olhando para Nascente, como se também ele, na sua mudez férrea, quisesse saudar o nascer do Sol, ou o cacarejar que vem dessa direcção lhe animasse uma qualquer molécula orgânica, depositada pelos pardais oportunistas que o usam como poleiro, sujando-o indecorosamente...
Vendo-o assim imóvel, pensar-se-ia até que a ferrugem lhe limitou os movimentos na sua velhice, imobilizando-o nessa direcção; mas não, que quando a aldeia gela fustigada pelos ventos secos de Leste, de onde nunca veio nada que preste, o pobre coitado, não tendo como se resguardar, mais não pode que apontar-lhes o bico, virando a cauda para os lados do mar.
(...)
A mim, que raramente termino aquilo que começo, volúvel como o vento, de tal forma que já troco barlavento com sotavento, consola-me este amigo de outros tempos, testemunha muda de homens e de ventosidades, que tanto sabe e tudo cala, apenas preocupado como eu em afastar a cauda do desconforto, o olhar impassível fitando o infinito. Que ele me valha nesta narração, orientando-me para os protagonistas certos, inspirando-me a seguir a direito, sem desvios nem divagações, e, sobretudo, sem verborreia que se pegue ao texto como excremento de galinha às botas do criador. "
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Foto: Cata-vento e igreja de Casais da Igreja.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Gestos
Na autoestrada, um automobilista provocava outro fazendo como Manuel Pinho. Surpreendentemente, o outro, sempre sorridente, mostrava-lhe a gravata. Já na portagem, o primeiro não resistiu:
"Ó amigo, sei que o tenho vindo a ofender, porque é que me responde apontando para a gravata?
"Ah, é que cada um mostra a prenda que a mulher lhe deu pelo Natal."
"Ó amigo, sei que o tenho vindo a ofender, porque é que me responde apontando para a gravata?
"Ah, é que cada um mostra a prenda que a mulher lhe deu pelo Natal."
terça-feira, 30 de junho de 2009
As osgas
Imperam de noite, livrando-nos de mosquitos, melgas e demais pragas nocturnas, que não contentes em picar, em provocar coceira, não raro transmitem doenças (a leishmaniose, por exemplo). Patrulham incansavelmente paredes, muros, sebes, sempre silenciosas, discretas, "inimigas como eu da claridade", incompreendidas e não raro perseguidas: "osgas peçonhentas, achatadas", escreveu Cesário, juntando-as aos demais ladrões do agricultor.
Na foto, um dos meus exemplares.
Na foto, um dos meus exemplares.

Chamam-lhe um figo!


Desde os tempos bíblicos e homéricos que os figos têm vindo a perder status social. Na minha infância, dizia-se que "roubar figos não é crime", talvez por injustamente serem considerados fruta do pobre, e às figueiras, com má fama, acusadas de chuponas, era frequentemente destinada a pior terra. (Ainda o eucalipto não era praga nacional.)
Os figos, sazonais, extremamente perecíveis, dificilmente transportáveis e comercializáveis, perderam negócio primeiro para os pêssegos (Ah, o antigo Temporão de Alcobaça! E o Jota Galo!). Depois vieram as maçãs e as pêras, disponíveis todo o ano, e a fruta exótica -- coitados dos figos!
Sempre do contra, plantei há anos uma figueira no meu quintal, bem advertido dos perigos dessa árvore maldita: "Vizinho, olhe que lhe dá cabo de tudo! Até das paredes!"
Cresceu e entre anos bons, de boa produção, e anos maus, em que lhe juro arrancá-la se não produzir bem no ano seguinte, lá continua, não tão nociva, acho eu, como os agoiros prediziam. E os figos são incríveis.
Ora, como sucede nos anos bons -- e este é um deles, ainda bem que a crise não se propagou às árvores --, reparto a produção com os amigos. Surpresa é que, ultimamente, a simples palavra "figos" provoca olhares augados, conversa lastimosa: "As saudades que eu tenho da figueira do meu avô e das barrigadas de figos que lá comia" e eu, incapaz de resistir a tão forte desejo por uma das melhores frutas da Terra, volto a trepar à árvore, tentando encontrar mais uns figuitos para acudir à nova cliente. Sempre dados com indescritível prazer -- como a figueira mos dá.
Abençoada árvore.
Os figos, sazonais, extremamente perecíveis, dificilmente transportáveis e comercializáveis, perderam negócio primeiro para os pêssegos (Ah, o antigo Temporão de Alcobaça! E o Jota Galo!). Depois vieram as maçãs e as pêras, disponíveis todo o ano, e a fruta exótica -- coitados dos figos!
Sempre do contra, plantei há anos uma figueira no meu quintal, bem advertido dos perigos dessa árvore maldita: "Vizinho, olhe que lhe dá cabo de tudo! Até das paredes!"
Cresceu e entre anos bons, de boa produção, e anos maus, em que lhe juro arrancá-la se não produzir bem no ano seguinte, lá continua, não tão nociva, acho eu, como os agoiros prediziam. E os figos são incríveis.
Ora, como sucede nos anos bons -- e este é um deles, ainda bem que a crise não se propagou às árvores --, reparto a produção com os amigos. Surpresa é que, ultimamente, a simples palavra "figos" provoca olhares augados, conversa lastimosa: "As saudades que eu tenho da figueira do meu avô e das barrigadas de figos que lá comia" e eu, incapaz de resistir a tão forte desejo por uma das melhores frutas da Terra, volto a trepar à árvore, tentando encontrar mais uns figuitos para acudir à nova cliente. Sempre dados com indescritível prazer -- como a figueira mos dá.
Abençoada árvore.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Myra, Maria Velho da Costa

A odisseia de uma jovem russa em Portugal, também ela de mil ardis, contada com uma técnica narrativa primorosa, a combinação harmoniosa do real com o fantástico, a sintaxe elegantemente agramatical, a função poética da linguagem, as personagens – o cão de luta, o motorista, a pintora e os seus empregados domésticos, o frade, para quem a castidade é pecaminosa, e a freira escandalizada com tal heresia, o cego e a sua cadela, o rapaz pardo por quem Myra se apaixona, a gata, os delinquentes que encarnam o mal, a proxeneta e as crianças prostituídas...
O melhor romance que li nos últimos tempos. Um assombro.
O melhor romance que li nos últimos tempos. Um assombro.
domingo, 28 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Da eloquência
terça-feira, 16 de junho de 2009
Amsterdam, Jacques Brel

As férias grandes eram então grandes, intermináveis na solidão aldeã, os rapazes da minha geração aprendendo ofícios por aqui e por ali, os estudantes fechados em casa a marrar para os exames de segunda época ou a banhos na Nazaré. Na aldeia, que a imigração esvaziara, o convívio quase se resumia a um longo bocejo ao serão, em frente à televisão do café, por entre velhos que jogavam dominó e menos velhos de corpo, igualmente envelhecidos de espírito, que discutiam a bola. Vivia só com a minha avó, os meus pais mourejando na Holanda, em Amesterdão, com os meus irmãos. Apenas eu, o mais velho, ficara. Por companhia, os livros que mensalmente requisitava na biblioteca itinerante Calouste Gulbenkian, uma telefonia que apanhava a Emissora Nacional -- e os sonhos.
E numa manhã, enquanto a minha avó me contava as novidades do dia – quem namorava quem, quem ralhara, quem fizera as pazes, o que esta dissera daquela – ouvi pela primeira vez Brel. De imediato me impressionou aquela voz poderosa, máscula, dura, nos antípodas das cantorias lamechas e efeminadas que preenchiam as emissões da rádio. No meu Francês ainda incipiente, compreendi que falava daquele porto que eu conhecera no ano anterior, dos marinheiros que lá nasciam e morriam, que bebiam à saúde das putas – sim, “des putains d’Amsterdam, d’Hambourg ou d’ailleurs” numa época em que palavrões andavam arredados dos media... E eu escutei maravilhado aquela canção, aquela voz, diferentes de tudo o que até então ouvira, e aquela raiva gritada, falando de cerveja e de batatas fritas, dos marujos que tiram macacos (do nariz) nas estrelas e “mijam como eu choro sobre as mulheres infiéis”...Para ouvir Amsterdam, mal traduzida para Inglês (por exemplo: Batave, traduzido por boat, whore, é apenas um nome antigo para Holanda).
Foto: minha, tirada em Amesterdão, aí por 1976.
Tropa fandanga
sexta-feira, 12 de junho de 2009
O blogue do pintor
O João Alfaro estreou-se na blogosfera com este belíssimo blogue. Pinturas lindas, fotos das ferramentas do ofício, textos que dão conta das suas motivações e gostos (Diz ele: "O acto da escrita é, para mim, muito sofredor." Bem-vindo ao clube.)
É um repouso de alma um blogue assim, especialmente para quem, como eu, já não suporta a politiquice nacional, se impacienta com uma certa actualidade noticiosa, feita de desgraças quotidianas -- sempre bem esticadas, bem espremidas, cadáver a cadáver --, se agonia com a crítica social estribada numa qualquer presunção de superioridade.
Engenho, arte e uma enorme capacidade de trabalho: temos blogger (ou bloguista?)
É um repouso de alma um blogue assim, especialmente para quem, como eu, já não suporta a politiquice nacional, se impacienta com uma certa actualidade noticiosa, feita de desgraças quotidianas -- sempre bem esticadas, bem espremidas, cadáver a cadáver --, se agonia com a crítica social estribada numa qualquer presunção de superioridade.
Engenho, arte e uma enorme capacidade de trabalho: temos blogger (ou bloguista?)
terça-feira, 9 de junho de 2009
Alimentando o gato Felpudo
Não gosto muito de gatos. Mas este e a irmã foram trazidos pela mãe, famintos, pouco após a morte da minha rotweiller. Alimentei-os e foram ficando pelo quintal, sempre ariscos, sem deixar que ninguém lhes toque. Excepção: o Afonso. A amizade com o macho, o Felpudo, começou cedo, quando o Afonso berrava desalmadamente, sem que nada o calasse; então, levava-o até à porta, mostrava-lhe o gato e, miraculosamente, a gritaria infernal cessava. Depois, começou a andar e a perseguir o Felpudo, que se lhe vinha encostar e pedir afagos. Agora retribui, prendendo o cão e alimentando-o.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
sábado, 6 de junho de 2009
sexta-feira, 5 de junho de 2009
segunda-feira, 1 de junho de 2009
É queimar!
Outra noite de calor insuportável. De madrugada, bem antes do nascer do Sol, levanto-me e abro as janelas para refrescar a casa. Depressa a temperatura começa a descer dos 28 graus. Volto a deitar-me, saboreando o fresquinho que entra pelas janelas – para de me levantar de um salto e correr a fechá-las: outro vizinho resolveu queimar o lixo do quintal e a fumarada enche-me já a casa. É assim todo o ano, pouco importando que seja Inverno ou Verão, que haja roupa estendida ou não. Creio que é, simplesmente, espírito incendiário, embora moderado: queimam sempre os resíduos em verde, para não levantarem altas chamas…Com a escolaridade básica, ou professores, ou engenheiros – não importa. É queimar.
Dioxinas? -- Isso é nas cimenteiras.
Mau cheiro? -- Não te chega nada a casa!
Podas, relva, caules de couve, detritos diversos, tudo serve para a fumarada matinal ou vespertina, o que importa é que quando se podem abrir janelas para refrescar as casas lá vem a fumaça. (No Inverno, preferem a hora de maior calor, quando queremos enxugar a humidade da estação. Como podem atender a reclamações, se sempre discordamos da hora das queimadas?)
Como aquele capitão do Apocalypse Now que adorava o cheiro a napalm pela madrugada, assim são eles. Não há melhor perfume matinal, assim até lhes dá gosto levantar cedo, a puta da vida ganha-lhes sentido. É queimar.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
terça-feira, 19 de maio de 2009
Vergonha!
Normalmente não me meto em histórias como a da professora de Espinho, cuja (suposta) gravação está no site do Público. Mas desta vez não resisto.
1. Seria bom que a presunção de inocência, que os políticos sempre invocam para se protegerem mutuamente, fosse, também neste caso, respeitada. Como a professora já foi suspensa (por que não fizeram o mesmo ao tal do Eurojust? Suspendê-lo antes do processo disciplinar?), quer-me parecer que para professores só há presunção de culpabilidade.
2. Trata-se de uma gravação ilegal cuja autenticidade carece de prova.
3. E aqui é que a porca torce o rabo. Se a gravação é autêntica, i.e., se a professora fala mesmo assim, valha-nos Deus e venham depressa as contestadas provas de ingresso na profissão. Ouvir dizer que são "amiguíssimos", "no que te "metestes", ou algo como "tens que te ver comigo" choca-me tanto como o atirar à cara de uma miúda com as habilitações literárias ou ofender-lhe a mãe...
Se não se comprovar que se trata de um embuste, de uma montagem, se assim vai o nosso ensino - que vergonha para todos nós, que nos orgulhamos de ser professores!
Adenda: veja-se o excelente post do meu amigo Ramiro Marques no seu blogue sobre este assunto. Mesmo assim, não mudo nada no meu texto.
1. Seria bom que a presunção de inocência, que os políticos sempre invocam para se protegerem mutuamente, fosse, também neste caso, respeitada. Como a professora já foi suspensa (por que não fizeram o mesmo ao tal do Eurojust? Suspendê-lo antes do processo disciplinar?), quer-me parecer que para professores só há presunção de culpabilidade.
2. Trata-se de uma gravação ilegal cuja autenticidade carece de prova.
3. E aqui é que a porca torce o rabo. Se a gravação é autêntica, i.e., se a professora fala mesmo assim, valha-nos Deus e venham depressa as contestadas provas de ingresso na profissão. Ouvir dizer que são "amiguíssimos", "no que te "metestes", ou algo como "tens que te ver comigo" choca-me tanto como o atirar à cara de uma miúda com as habilitações literárias ou ofender-lhe a mãe...
Se não se comprovar que se trata de um embuste, de uma montagem, se assim vai o nosso ensino - que vergonha para todos nós, que nos orgulhamos de ser professores!
Adenda: veja-se o excelente post do meu amigo Ramiro Marques no seu blogue sobre este assunto. Mesmo assim, não mudo nada no meu texto.
domingo, 17 de maio de 2009
domingo, 10 de maio de 2009
Abe, Sensei
Há uns 25 anos, no Entroncamento. É o sexto, de pé, a contar da esquerda. Eu estou sentado na segunda fila, o último do lado direito. Curiosamente, hoje, 9-5-09, voltei a treinar sob a sua direcção, num estágio em Leiria.Dá vontade de repetir as palavras de Simon & Garfunker em "The boxer":
"I am older than I once was, and younger than Ill be, thats not unusual
No it isnt strange, after changes upon changes, we are more or less the same
After changes we are more or less the same"
No it isnt strange, after changes upon changes, we are more or less the same
After changes we are more or less the same"
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Demitido

Conforme há muito previa, fui demitido das funções de coordenador de departamento para que tinha sido eleito pelos meus pares pelo (ainda não empossado) director executivo da minha escola. Não: não é uma questão de currículo, mas sim de projecto, explicou-me simpaticamente - não precisava de o fazer - o meu amigo e futuro director, a quem desejo sinceramente, bem como à sua equipa, todo o sucesso nas suas novas funções.
Respiro de alívio com a substituição, que me liberta de um cargo que as mudanças políticas dos últimos anos tornaram fardo pesado e desagradável, enquanto recordo, para satisfação do meu ego sempre pretensioso, que nunca perdi uma eleição para cargos a que me tivesse candidatado - e foram muitas, muitas mesmo, ao longo de trinta e três anos de carreira docente, feitos exactamente no dia em que, pela primeira vez na vida, fui demitido...
(foto: início dos anos 80, menino e moço...)
Respiro de alívio com a substituição, que me liberta de um cargo que as mudanças políticas dos últimos anos tornaram fardo pesado e desagradável, enquanto recordo, para satisfação do meu ego sempre pretensioso, que nunca perdi uma eleição para cargos a que me tivesse candidatado - e foram muitas, muitas mesmo, ao longo de trinta e três anos de carreira docente, feitos exactamente no dia em que, pela primeira vez na vida, fui demitido...
(foto: início dos anos 80, menino e moço...)
quarta-feira, 6 de maio de 2009
O Twitter, por muito que o gabem, faz-me lembrar "Au suivant", de Jaques Brel:
"Tous les suivants du monde devraient s'donner la main
Voilà ce que la nuit je crie dans mon délire
Au suivant, au suivant
Et quand je n'délire pas, j'en arrive à me dire
Qu'il est plus humiliant d'être suivi que suivant
Au suivant, au suivant
Un jour je m'f'rai cul-de-jatte ou bonne sœur ou pendu
Enfin un d'ces machins où je n's'rai jamais plus
Le suivant, le suivant"
Voilà ce que la nuit je crie dans mon délire
Au suivant, au suivant
Et quand je n'délire pas, j'en arrive à me dire
Qu'il est plus humiliant d'être suivi que suivant
Au suivant, au suivant
Un jour je m'f'rai cul-de-jatte ou bonne sœur ou pendu
Enfin un d'ces machins où je n's'rai jamais plus
Le suivant, le suivant"
Para ver e ouvir uma das interpretações do grande Brel: Aqui
segunda-feira, 4 de maio de 2009
domingo, 3 de maio de 2009
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