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sábado, 30 de setembro de 2006
quarta-feira, 13 de setembro de 2006
Estranho...
Segundo a Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (TLEBS),
1. O João mora em Lisboa. (Em Lisboa, complemento preposicional.)
2. O João mora aqui. (Aqui, complemento adverbial.)
Então, como resolver (3)?
3. O João mora aqui, em Lisboa.
Como o verbo morar selecciona apenas um complemento 'locativo', parece existir um 'redobro' do complemento, de forma análoga ao que sucede, por exemplo, com os pronomes pessoais: "Deu-me, a mim, o livro". A ser assim, também "aqui" e "em Lisboa" só podem ter uma mesma função sintáctica.
Escapa-me algo, ou esta matéria carece de revisão?
(Numa versão anterior da TLEBS, ambos os complementos eram, se bem me lembro, oblíquos, pelo que esta contradição não existia.)
José Cipriano Catarino
1. O João mora em Lisboa. (Em Lisboa, complemento preposicional.)
2. O João mora aqui. (Aqui, complemento adverbial.)
Então, como resolver (3)?
3. O João mora aqui, em Lisboa.
Como o verbo morar selecciona apenas um complemento 'locativo', parece existir um 'redobro' do complemento, de forma análoga ao que sucede, por exemplo, com os pronomes pessoais: "Deu-me, a mim, o livro". A ser assim, também "aqui" e "em Lisboa" só podem ter uma mesma função sintáctica.
Escapa-me algo, ou esta matéria carece de revisão?
(Numa versão anterior da TLEBS, ambos os complementos eram, se bem me lembro, oblíquos, pelo que esta contradição não existia.)
José Cipriano Catarino
terça-feira, 20 de junho de 2006
Temas para fórum
Esta breve reflexão incide sobre o interesse de algumas actividades propostas ou desenvolvidas nas escolas, pretendendo evidenciar (i) que nem todas têm idêntico valor e (ii), que para uma escola o interesse educativo deve sobrepor-se à popularidade de certas iniciativas.
José Cipriano Catarino
1. A escola, local de aprendizagem
Não me parece adequado pretender motivar os alunos para o trabalho ou atraí-los para grupos de discussão mediante actividades como "qual o teu clube de futebol preferido". Dessas, têm eles em abundância fora da escola, seja em blogs seja em newsgroups. Talvez nem valha a pena motivá-los para esse tipo de participação: motivados de mais estarão eles e o resultado dificilmente poderá ser educativo. Por outras palavras, a escola não deve (nem pode) concorrer com o pior que se passa fora dela; deve, pelo contrário, defendendo a qualidade, o bom-gosto, o saber e o trabalho, bater-se por valores e pela cultura. Que ganharemos em ter centenas de alunos escrevendo disparates sobre futebol e quejandos? Que vamos valorizar: um único bom contributo ou centenas de lugares-comuns? Qualidade e quantidade não costumam andar de braço dado.2. A escola, local de formação do cidadão
Se queremos formar cidadãos, temos que elevar o nível dos nossos alunos e não descer até ao deles; se o fizermos, falaremos todos a mesma linguagem, mas eles não poderão (a não ser que provenham de meios sociais já favorecidos) superar o fosso que os separa dos privilegiados. Para que a escola seja democrática, há que insistir na qualidade e não na vulgaridade; há que estimular os gostos dos alunos e não descer até ao gosto deles -- afinal, estão na escola para aprender; se fosse para ensinar, seriam pagos como professores.3. A escola, local de cultura
Não me pronuncio sobre a inutilidade da cultura; limito-me a constatar que os países mais ricos são aqueles em que é dada maior importância à cultura e a um certo tipo de conhecimento que, como diz um amigo meu, "não dá pão a ninguém". Inversamente, os países mais pobres e mais atrasados são aqueles que não apenas menos investem na cultura mas também aqueles que mais a perseguem. A cultura de rua só pode servir para a rua -- e creio que não é à rua que queremos condenar os nossos jovens. O grito dos Pink Floyd " Teacher, leave those kids alone" é óptimo para os filhos dos ricos. Como costumo responder, quando me perguntam por que é que um futuro mecânico deve estudar Os Lusíadas: para não precisar de ser mecânico toda a vida, se o não desejar.4. Que actividades implementar?
Recusando o fácil e o imediato, a vulgaridade e a berraria, tops e maiorias, defendo que são seguramente mais úteis, mesmo que interessem a muito menos alunos, discussões sobre livros e leituras, filmes, música de qualidade, divulgação científica. Os jovens precisam de tomar contacto com possíveis obras de referência para construirem bitolas válidas para avaliação dos produtos com que são bombardeados pelos media, para criarem os seus próprios padrões de qualidade e de exigência. Tal e qual como são ensinados a gostar ou, pelo menos, a aceitar a alimentação saudável.José Cipriano Catarino
segunda-feira, 19 de junho de 2006
segunda-feira, 12 de junho de 2006
Arranca das batatas
quinta-feira, 18 de maio de 2006
quarta-feira, 19 de abril de 2006
sexta-feira, 24 de março de 2006
terça-feira, 21 de março de 2006
Oração ou frase?
Rascunho, 1ª parte. Agradeço comentários.
Procurando na Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário ( TLEBS) pelo termo oração não o encontramos, excepto em referências indirectas, como, por exemplo, Valor restritivo das orações relativas. Aparentemente esta omissão não é relevante, visto que dois termos, frase e predicação dão conta respectivamente das propriedades sintácticas e semânticas de oração e já no séc. XIX Barbosa defendia que "Oração ou Proposição ou Frase (pois tudo quer dizer o mesmo) é qualquer juízo do entendimento, expressado com palavras". (Barbosa (1881:255), apud Marrafa (1993:44)).
Importa, no entanto, mais do que defender um termo enraizado no ensino da gramática, verificar se não haverá motivação linguística suficiente para legitimar o emprego de oração, entendida não apenas como "qualquer juízo do entendimento", mas sobretudo como um objecto semântico-sintáctico que "pela sua estrutura, representa o objecto mais propício à análise gramatical, por melhor revelar as relações que os seus componentes mantém entre si sem apelar para o entorno (situação e outros elementos extra-linguísticos) em que se acha inserido." (Bechara (1999:406)).
A definição de frase da TLEBS, "domínio em que existe um único verbo pertencente à classe dos verbos principais ou à classe dos verbos copulativos e em que se encontram realizados o sujeito e os complementos exigidos / seleccionados pelo verbo principal ou pelo predicativo do sujeito" é estritamente sintáctica e não parece suficiente para excluir enunciados ilógicos, como "A manteiga comeu o pão", uma vez que no domínio considerado estão satisfeitas as exigências sintácticas do verbo comer. Por outro lado, não fornece, por si só, forma de distinguir as diferentes funções sintácticas do argumento não sujeito em enunciados como (1):
1. a) O João está em baixo.
b) O João está em casa.
Com efeito, embora ambas as frases estejam bem formadas, os constituintes a negrito têm diferentes funções sintácticas, que não são identificáveis sem recurso ao conceito semântico de predicação: em (1.a)) atribui-se à entidade O João a propriedade de estar deprimido; em (1.b)) estabelece-se uma relação entre as entidades O João e casa. A desambiguação sintáctica carece de informação semântica, pelo que o termo tradicional oração parece mais adequado que frase que, tal como está definida na TLEBS, apenas dá conta de restrições sintácticas impostas pelo núcleo verbal.
A alternância activa / passiva parece fornecer outro argumento em favor de oração, entendida como um objecto semântico-sintáctico. Como refere Duarte in (Mateus et al. 2003:529), "verbos de dois lugares como medir, pesar, quando se constroem com um sujeito com o papel de Tema, não podem ocorrer em passivas sintácticas..."
2. a) O Pedro pesa 85 quilos.
b) *80 quilos são pesados pelo Pedro.
Se argumentos como os acima apresentados forem pertinentes, pode justificar-se a inclusão de oração na TLEBS. Comentários?
Procurando na Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário ( TLEBS) pelo termo oração não o encontramos, excepto em referências indirectas, como, por exemplo, Valor restritivo das orações relativas. Aparentemente esta omissão não é relevante, visto que dois termos, frase e predicação dão conta respectivamente das propriedades sintácticas e semânticas de oração e já no séc. XIX Barbosa defendia que "Oração ou Proposição ou Frase (pois tudo quer dizer o mesmo) é qualquer juízo do entendimento, expressado com palavras". (Barbosa (1881:255), apud Marrafa (1993:44)).
Importa, no entanto, mais do que defender um termo enraizado no ensino da gramática, verificar se não haverá motivação linguística suficiente para legitimar o emprego de oração, entendida não apenas como "qualquer juízo do entendimento", mas sobretudo como um objecto semântico-sintáctico que "pela sua estrutura, representa o objecto mais propício à análise gramatical, por melhor revelar as relações que os seus componentes mantém entre si sem apelar para o entorno (situação e outros elementos extra-linguísticos) em que se acha inserido." (Bechara (1999:406)).
A definição de frase da TLEBS, "domínio em que existe um único verbo pertencente à classe dos verbos principais ou à classe dos verbos copulativos e em que se encontram realizados o sujeito e os complementos exigidos / seleccionados pelo verbo principal ou pelo predicativo do sujeito" é estritamente sintáctica e não parece suficiente para excluir enunciados ilógicos, como "A manteiga comeu o pão", uma vez que no domínio considerado estão satisfeitas as exigências sintácticas do verbo comer. Por outro lado, não fornece, por si só, forma de distinguir as diferentes funções sintácticas do argumento não sujeito em enunciados como (1):
1. a) O João está em baixo.
b) O João está em casa.
Com efeito, embora ambas as frases estejam bem formadas, os constituintes a negrito têm diferentes funções sintácticas, que não são identificáveis sem recurso ao conceito semântico de predicação: em (1.a)) atribui-se à entidade O João a propriedade de estar deprimido; em (1.b)) estabelece-se uma relação entre as entidades O João e casa. A desambiguação sintáctica carece de informação semântica, pelo que o termo tradicional oração parece mais adequado que frase que, tal como está definida na TLEBS, apenas dá conta de restrições sintácticas impostas pelo núcleo verbal.
A alternância activa / passiva parece fornecer outro argumento em favor de oração, entendida como um objecto semântico-sintáctico. Como refere Duarte in (Mateus et al. 2003:529), "verbos de dois lugares como medir, pesar, quando se constroem com um sujeito com o papel de Tema, não podem ocorrer em passivas sintácticas..."
2. a) O Pedro pesa 85 quilos.
b) *80 quilos são pesados pelo Pedro.
Se argumentos como os acima apresentados forem pertinentes, pode justificar-se a inclusão de oração na TLEBS. Comentários?
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