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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Função Fática no Facebook

Lembram-se das velhinhas funções da linguagem, de Roman Jacobson? Nunca lhes achei grande piada, nem utilidade para o estudo do texto. Mas em determinada altura tornaram-se quase obrigatórias em tudo o que era formação, pelo que ainda se devem recordar.
Uma das mais interessantes é a função fática, em que o emissor procura a todo o custo manter o contacto com o seu receptor, e o exemplo dado era, invariavelmente, uma dessas conversas telefónicas em que se fala sem dizer nada. Fosse hoje, e o exemplo seria o Facebook. De tal forma, que frequentemente desisto da sua leitura logo às primeiras mensagens, pelo que muito provavelmente perco outras mais interessantes, mas que não surgem imediatamente.

Permitam-me o conselho, perdoem-me a arrogância de o dar: não basta atirar o barro à parede; é preciso alisá-lo, poli-lo, pintá-lo para que o resultado final mereça rápida olhadela nestes tempos de excesso de materiais audiovisuais. Mais: fujam do trivial, dêem-me algo de novo, uma foto interessante, pelo enquadramento ou pelo assunto, uma frase original, uma rima, uma ideia arrevesada. Porque o mais é déjà vu, banalidades, fofuras e gostosuras. 
Ah, os meus "gosto" são sinceros, pouco se me dá se alguém ficar ofendido por não retribuir a fineza. Nunca pertenci à Sociedade do Elogio Mútuo.  

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Desamiganço


Ser desamigado por alguém que apenas conhecemos do Facebook não corresponde ao clássico corte de relações, em que a pessoa continua presente no nosso universo, apenas sem interagir connosco. Não, o desamigamento faz sumir do nosso universo entidade virtual, com maior ou menor correspondência real, como personagem de jogo de computador que desaparece ao fechar o programa.
Não há volta a dar, sobretudo se nada nos pesa na consciência. Já não é só a mesma água que não passa duas vezes sob a mesma ponte; é a impossibilidade de entidades virtuais, mais vagas que os fantasmas de antanho, que num momento decidiram desligar-se, voltarem a relacionar-se connosco.

domingo, 28 de abril de 2013

Purga no Facebook

O meu feed de notícias no Facebook está permanentemente atafulhado de lixo, mais parecendo latrina pública que espaço informativo, de troca de ideias, de partilha de interesses. Predomina a sabedoria empacotada, sentenciosa, em versão lite, digest, frequentemente em letras garrafais. Escasseiam pensamentos, mesmo pobrezinhos, mesmo enviesados, mesmo disparatados. Rareiam sentimentos pessoais, originais, inevitavelmente esdrúxulos. As piadas, estafadas, agoniam.
(Eu sei: sou um chato, sensaborão, sem sentido de humor.)
Vou fazer uma purga. Se no genocídio apanhar por tabela pessoa que crê ter algo original para dizer, alguma coisa relevante para partilhar, as minhas desculpas antecipadas. No estado em que o feed está, ou vai ou racha. Assim é que não continua.