Como uma criança que com qualquer ninharia fica feliz, assim reajo eu de cada vez que um dos meus escritos merece distinção. Não se trata de alegria semelhante à que nos proporciona rifa premiada em quermesse da aldeia, que dá o direito de levar para casa uma qualquer penicada. Não, é algo de substancialmente diferente, que resulta da satisfação de saber que alguém me leu, apreciou e achou por bem destacar esse produto do meu trabalho.
Por isso, ontem corri a partilhar a notícia que acabara de receber: o júri do Prémio (literário) Glória Marreiros tinha distinguido uma narrativa minha com Menção Especial.
Não o esperava: o concurso era de novelas e, não tendo nenhuma aprontada, enviei sem grande convicção um conto que hibernava na gaveta, apenas porque os concursos e prémios quase desapareceram por força da crise, e eu estava a ver que este ano não desjejuava...
As numerosas mensagens no Facebook a parabenizar-me sensibilizaram-me deveras. Para além das da família e dos amigos de longa data, quero sublinhar a emoção que me deram as de antigos alunos e alunas, que assim mostraram não terem esquecido o professor de outros tempos -- que, não raro, os contrariou, os aborreceu, pautando-se pelo seu sentido do dever e não pela moda pedagógica que postula como motor da aprendizagem o prazer e a diversão. E a propósito desta Menção Especial volto a fazer minhas, como então fazia, as palavras do poeta em Mar Português : "Quem quiser passar além do Bojador tem que passar além da dor."
Um abraço para todos.