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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Quarenta e dois anos depois

3 de Fevereiro é o dia de aniversário da minha mulher. E o da noite em que começámos a namorar.
Foi em 1973, no Big Ben, um café de estudantes. 
Indiferentes à densa fumaça do tabaco, beijávamo-nos, esquecidos dos outros, que talvez nos olhassem espantados, sem cuidar dos riscos do presente, das incertezas do futuro: eu era militante anti-colonial, e nessa noite tinha de fazer dez pinturas comemorando o 4 de Fevereiro, com o risco de ser preso, abatido, que a polícia não brincava em serviço nem fora dele. Ou ter de passar à clandestinidade por denúncia, como pouco depois aconteceu.
Fui servente de pedreiro, operário de plásticos. Na Marinha Grande, dormíamos no chão, sem mobília. Fui chamado para a tropa aos 20 anos. Saneado após o 25 de Novembro. Pouco depois, professor. Conhecemos o desemprego simultâneo, numa época em que não havia subsídio de desemprego. Até esparguete comi -- e desde a tropa que o não podia ver à frente. Outra vez professor. O meu ordenado, então o único, não chegava para a renda da casa e a comida. Valeu-nos a família, com pequenos empréstimos que todos os meses pagávamos... e voltávamos a pedir. E as batatas que nos davam, os ovos, o possível. Mário Soares cortou-me parte do subsídio de Natal, e fiquei sem dinheiro para comprar sapatos que substituíssem os únicos que tinha, com as solas rotas, um horror em tempo de chuva. Apiedado, ao vê-los de biqueira aberta, um colega mais velho arranjou-me explicandos. Por agasalho invernal, um casaco de malha, tricotado pela minha mulher.
Bien sûr, nous eûmes des orages
Passaram os anos, criámos as filhas. As dificuldades enrijaram-nos. Aproximaram-nos quando nos afastaram.
Vingt ans d´amour, c´est l´amour fol
E outros vinte. E mais dois.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sete noites, sete histórias (7)

Termino com Pirulito, Rimas e a Associação de Moradores a série comemorativa do meu aniversário.
Amanhã apago os ficheiros no meu site. A história de hoje pretendia ser infantil. Mas o meu neto Afonso, então com seis anos, fez-lhe crítica demolidora: "isto não é uma história para crianças. As histórias para crianças têm poucas letras e imagens grandes." Pode ser lida  aqui.

domingo, 6 de abril de 2014

Sete noites, sete histórias (6)

A história desta noite, inicialmente publicada neste blogue, tem apenas uma página. Pode ser lida aqui.

sábado, 5 de abril de 2014

Sete noites, sete histórias (5)

O conto desta noite é o velhinho El Chupacabras, com 2 pp. e pode ser lido aqui.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Sete noites, sete histórias (4)

Porque já hoje falei de animais, a história desta noite, Ferido d'asa, é uma fábula de moral duvidosa com nítida influência de Mestre Aquilino Ribeiro. Pode ser lida aqui.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Sete noites, sete histórias (3)

A história de hoje tem apenas duas páginas. Pode ser lida aqui.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Sete noites, sete histórias (1 e 2)

No próximo dia dia 7 farei 60 anos. Preferia fazer 50. Ou mesmo 59. Enfim. Não vou repetir lugares-comuns sobre o tempo, a quarta dimensão do nosso Universo. Nada mais sei sobre ele, apesar de ter procurado informação científica susceptível de me esclarecer. A melhor definição que encontrei considera-o uma consequência da segunda lei da termodinâmica, a tal que postula que num meio fechado a entropia aumenta sempre. Mas não vejo como a consequência de uma lei física pode ser uma das quatro dimensões do Universo. Adiante.
O que interessa é que para comemorar este número redondo,  em ano com outros números redondos muito importantes para mim, eu que sou em tudo impar e primo, vou, até dia 7, oferecer a quem possa interessar uma história em cada noite, que, caso a descarregue lerá se e quando lhe aprouver. No dia 8 apago tudo no meu site.
Ontem ofereci Os cornos do Diabo, conto distinguido com o Prémio Literário Irene Lisboa 2010 e pode ser lido aqui.
O de hoje, Figuras sem estilo, foi distinguido com o 3º Prémio no 13º Concurso Literário Dr. João Isabel (2012) e pode ser lido aqui: