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sábado, 1 de julho de 2017

Incêndios e roubo de armas: Verão Quente

Um governo substitui outro para fazer melhor e não para se desculpar com as asneiras do anterior.

Pergunto novamente, como perguntei logo após o morticínio de Pedrógão Grande: não há responsabilidades políticas no roubo de armas e munições em Tancos?

Ou atribuímos  as culpas no primeiro caso a um qualquer e anónimo cabo da GNR, no segundo à falha na videovigilância? 

O que me suscita outra questão: com tanto militar a coçar o cu pelas paredes, não há quem faça serviços -- sentinelas, rondas?

terça-feira, 20 de junho de 2017

O povo

Há o povo que deita foguetes em alvorada de festa, indiferente ao risco de incêndio e sem respeito pelas vítimas dessa noite.
Há o povo que com fingido pesar  faz antes de cada noite de festas da cidade hipócrita minuto de silêncio. 
Mas há também o povo que luta em desespero, com fraca ou nenhuma ajuda oficial, pelo menos nos momentos críticos, mas com uma coragem que me comove. 

Como a moça que no sábado por volta da meia noite saiu de Lisboa, onde vive, rumo à aldeia natal, para acudir  a pais e avós cercados pelos fogos. Conseguiu chegar, passando por estradas em chamas, com cadáveres ainda a arder nas bermas, num percurso inverso ao daqueles que morreram na fuga.
Lá continua, e disponibilizou o número  de telefone para ajudar a encontrar desaparecidos, conforme post da Sofia Cipriano:
"A minha amiga Teresa é de Pedrogão Grande e esta lá a ajudar no que pode. Ela pediu para avisar: Se souberem de alguém à procura de pessoas desaparecidas, digam para ligarem de imediato para o seguinte contacto: 236488060. Obrigada"

O povo é o mesmo, as pessoas é que não.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

"Antes quero asno que me leve que cavalo que me derrube"

Gosto de burros, sejam eles de raça, como os mirandeses, ou rafeiros como a burrinha que tive na minha mocidade. E não gosto dos espertalhões que, com ideias de jerico, me querem fazer de burro. Como aquele que não sai da televisão, a explicar como é que os burros mirandeses podem prevenir os incêndios. 
(Talvez por a estratégia preventiva estar entregue a asnos a floresta arda inevitavelmente em cada Verão. Adiante.)
Uns anos atrás, outro propunha rebanhos de cabras. Cada qual puxa a brasa à sua sardinha, que é como quem diz aos financiamentos que espera vir a alcançar com as suas ideias asininas. 
Para estes doutores tudo é fácil e só por burrice não é implementado: cabras, ou burros, ou para o ano porcos, vão por esses montes fora, comem não a erva tenra, mas os silvados que tudo invadiram, o tojo e a urze dos pinhais, e o fogo, chegando a vales limpos, pára, menino bem comportado. 
(Ora eu, que já vi as chamas a passarem de monte para monte, deixando quase incólumes os vales... Que vi, na televisão, devo confessá-lo, oliveiras inflamarem-se sem chamas à  vista...)
Eu, que nada sei, sorrio: sempre me lembro de incêndios. Só que antigamente não eram notícia, salvo quando matavam umas dezenas de militares, e nesse tempo incendiário apanhava a pena máxima, salvo erro 28 anos de prisão, que não raro se convertiam em prisão perpétua. Nesse tempo, matas e pinhais eram limpos por mulheres à lenha, que não tinham outro combustível, os matos eram rapados para a cama do gado e para chamuscar os porcos nas matanças.
Nesse tempo, poucos bombeiros havia. Tocava o sino a rebate e todo o povo acorria, homens com enxadas, mulheres com canecos e baldes, garotos com a coragem da inconsciência. 
Depois veio a emigração, para a França e para as cidades, os campos foram abandonados, o mato cresceu livremente. Veio o 25 de Abril, os incendiários foram desculpabilizados, as penas muito aligeiradas, o povo tornou-se espectador e comentador televisivo, o combate aos fogos foi delegado nos profissionais: -- Deixa arder, que o meu pai é bombeiro! Deixa arder, que isto vai para os comunistas...  
Veio a indústria da celulose, os grandes negócios com os incêndios e com o combate aos incêndios...
Fizeram-se leis que não são cumpridas. Não raro, nem se sabe quem é o dono da floresta. O Estado é o pior proprietário, o mais desleixado, o menos cumpridor
Agora os burros são a solução. Bom, se os ensinarem a seguir os incendiários e a mijar nas fogueiras que ateiam, por que não? 

sábado, 7 de setembro de 2013

Fogo

Perto de mim. Começou pela meia-noite. Não é, portanto, nem acidental nem resultado de desleixo. Entretanto, outras sirenes das redondezas fazem-se ouvir. Suponho que os bandidos estão a atear outros incêndios.