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terça-feira, 10 de março de 2009

O TeX ganhou.

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A luta continua!

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Quem tem mais força?

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À conversa

Na próxima quinta-feira, 12 de Março de 2009, a partir das 21H.

António Santana Maia, Manuel Fernando Vicente e eu próprio. Falaremos sobre escrita, com alunos e professores da Universidade Sénior.

ENCOPROF, R. Vasco da Gama, 20, Entroncamento

domingo, 8 de março de 2009

Estágio de Karaté, 6-7/03/09

Tão importante como o treino é o almoço de convívio.
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Estágio no Entroncamento

Este fim-de-semana, dirigido pelo mestre Vilaça Pinto (2º, em pé, a partir da esquerda).
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domingo, 1 de março de 2009

Ferramentas para (a minha) escrita


Parece-me indiscutível que boas ferramentas facilitam a execução do trabalho e contribuem para a sua melhor qualidade. No caso da escrita, as minhas preferidas são:
Dicionário PRO de Língua Portuguesa, Porto Editora (programa informático). Mais flexível que a correspondente versão em papel. Há muitos dicionários, mas quando confronto entradas menos comuns tenho a sensação de que os respectivos verbetes seguem demasiado de perto - e menos bem - o dicionário da Porto Editora.
Dicionário Houaiss, Sinónimos e Antónimos, Círculo de Leitores. Ferramenta fantástica, oferecida pela Cláudia, uma das responsáveis pela versão portuguesa.
FLIP, o corrector da Priberam. Muito bom na correcção ortográfica, menos útil para mim na correcção sintáctica, que, no entanto, sempre faço antes da versão final. E ainda bem que o faço! Infelizmente o FLIP vive em simbiose com o Word (O FLIPED não me satisfaz) e preparar documentos longos no Word é exasperante.
E por falar em processadores de texto, não há como o velho TeX. Faz tudo o que se lhe manda fazer, como se lhe manda fazer, deixando as impressões com aspecto profissional que Word, Openoffice, etc. não conseguem sequer imitar. Uso Lyx, uma interface que torna a escrita sobre TeX muito mais simples que no Word. (No passado, usei também o Winedt, fantástico, mas menos bonito que o Lyx). Problema: uma tradução horrível dos menus (e.g., esqueçer) e a falta de um bom corrector ortográfico, o que me obriga a exportar o documento para o corrigir com o FLIP e depois a voltar ao Lyx. Complicado, trabalhoso, mas funciona.
Como curiosidade, e considerando apenas documentos longos, utilizei:
Tese de mestrado: redigida no Lyx /LaTeX;
Do lacrau e da sua picada: preparado no Winedt e no Word.
Entre Cós e Alpedriz: Winedt /LaTeX;
Escritos em curso: Lyx /LaTex.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Patranhas 100 Poesia, de Joaquim de Lisboa


De uma só assentada, Joaquim de Lisboa publicou dois livros, um de poesia (Patranhas 100 Poesia) e outro de contos (Trinta Tretas). A modéstia revelada pelos títulos é enganadora. São obras honestas, bem arredadas das "patranhas" e "tretas" a que, modestamente, os títulos fazem referência.
Em Patranhas 100 Poesia, o autor, que rejeita "alcandorar-[se] ao pedestal de poeta", pretendendo humildemente transmitir uma visão "Do [seu] mundo e das [suas] vivências", revela, para além dessa vivência sem a qual a arte resulta estéril, sentido de humor, transversal à obra, apurado sentido rítmico e formal, capaz de conjugar som e sentido tanto em géneros tão difíceis como o soneto como em formas mais livres, mas sempre bem marcadas pelo ritmo, como a primeira quadra do soneto "Dúvidas" bem evidencia:
"Quando eu era menino eu tinha certezas
Limpas e puras como a água das fontes
Eu via montanhas no mais raso dos montes
Profundezas de mar em quaisquer correntezas..."
Não sou crítico, nem um post de um blogue é o meio adequado para realçar o mérito desta obra despretensiosa, que justifica leitura atenta, lenta, saboreando-a poema a poema, como eu próprio acabei de fazer. Parabéns, Joaquim.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

"Volta à terra, que batatas dá"

Antigamente, quando a crítica era crítica, o politicamente correcto ainda não tinha sido inventado e as origens rurais um estigma que se queria esquecer, o dito volta à terra, que batatas dá, ou o "go back to the shop, Mr. John" era rude golpe nas ambições literárias do aprendiz de escritor ou de poeta.
A mim, não só me não ofende, como o sigo à risca logo que chegam os primeiros dias bonitos de Primavera, trazendo no chilreio animado das andorinhas ânsias de sementeiras à minha alma camponesa (...)
As batatas, semeadas (ou plantadas, conforme se entenda que os tubérculos são semente ou a própria planta) multiplicar-se-ão, se o tempo correr de feição e os amanhos lhes não faltarem, proporcionando enorme prazer, e logo na apanha, assadas a murro.
Pelo contrário, a escrita, bem mais cansativa do que as sementeiras, torturante correcção após correcção – corrijo centenas de vezes, na procura da palavra exacta, da frase certa, da toada adequada – não merecerá sequer um insulto da crítica...
(Post de 2007, foto da plantação de batatas de 2009)
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Plantando batatas

O Vergílio em acção
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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Não resisto!

A remeter para o post de João Paulo Sousa, em Da Literatura. Palavras para quê?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O Miguel e o avô Zé

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O fotógrado

Nas mãos do Afonso, uma calculadora velha torna-se máquina fotográfica digital.
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O fotógrafo

É apenas uma calculadora velha -- mas o Afonso usa-a como máquina fotográfica.
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Crítica suspeita


(...) Aproveitando o facto de estar num quarto de hotel onde só há canais espanhóis, trouxe há duas semanas o Lacrau para o ler, já que em Lisboa na vida normal é impossível ler um livro. Ora qual não é o meu espanto ao descobrir que não é um livro menor, não é um "livrinho", não é uma desilusão e muito menos um embaraço. Sempre disseste tanto mal dele que estava à espera de ler algo mesmo pobrezinho!
Não tendo a proximidade de Entre Cós e Alpedriz dos Montes, dos sítios e de algumas histórias e personagens já familiares, é um bom livro, bem escrito e que deixa saudades ao acabar.
O Lacrau pode não ser o filho preferido, mas não tem porque ser mais barato! Tem tanto valor como o outro!

Encara isto como uma refilice da tua leitora (e fã) atenta e exigente, como sempre.

Beijinhos

Sofia

domingo, 8 de fevereiro de 2009

sábado, 7 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Invernia (Do lacrau e da sua picada)

Fora do alcance da borrasca, formigas humanas buliam no fluorescente das vitrinas, andares e andares de prédios de escritórios cheios de homens e mulheres trabalhando, esquecidos do domingo, afinal não são católicos, esquecidos do santo repouso, afinal são nipónicos, nasceram para trabalhar, o espanto é só nosso, que nascemos para o descanso, abençoado seja o nosso respeito por domingos e dias santos, que a todos obriga menos aos donos dos hipermercados; esses, estão perdoados, quem se sacrifica pelos outros dá provas de amor ao próximo e seu será certamente o paraíso — na terra e, talvez, no Céu.
O limpa pára-brisas do táxi, incessante, tentava clarear a visão no cinzento do dia ou seria já noite, néones rasgavam a apatia e explodiam em hieróglifos certamente apelando a algum prazer ocidental engarrafado, talvez a Coca-Cola, talvez a Pepsi, se há nesta história publicidade gratuita que seja democraticamente distribuída, afinal a porcaria é a mesma.
O táxi percorria andares de auto-estradas sobrepostas, cotejando arranha-céus, sob a chuva incessante. No banco traseiro, três raparigas deliciavam-se, debitando disparates e rindo perdidamente. À frente, a Lúcia, sentia-se desta vez algo deslocada, não que as colegas fossem desconhecidas, na profissão toda a gente acaba por se conhecer, para isso servem os numerosos encontros oferecidos pelas marcas. E após uma viagem interminável, tantas horas de avião, várias aterragens e descolagens rumo ao mesmo destino, todas acabam íntimas, se acaso o não eram já à partida.
Destoando da euforia geral, a Lúcia apenas sorri, recordando como muito pouco tempo atrás ela própria se deliciaria partilhando dichotes e risadas; agora não se entusiasma, estará a ficar velha? Inútil perguntar às colegas, a resposta seria afirmativa. Di-lo-iam em tom de brincadeira, mas sem nenhuma hesitação: já passara dos trinta, um filho crescidote...
Perguntou em mau Inglês ao taxista pelo Fujiama. Ele não pareceu perceber a pergunta e continuou o seu trajecto, indiferente ao que se passava no interior do táxi. As colegas, chorando até às lágrimas, traduziam para vernáculo:
— ''Queres ir para a cama comigo esta noite?'' Anima-te, rapariga, ainda consegues arranjar melhor!
Não se deu por achada; riu em solidariedade e repetiu a pergunta, desta vez dirigida às amigas: — Acham que se avista daqui?
— O quê, a coisa do amarelo? São assim... e a Tânia, a mais jovem, mostrava a ponta do dedo mindinho.
Desistiu. Talvez nem saibam o que seja o Fujiama, tudo o que conhecem do País do Sol Nascente foi o que viram há anos no Império dos Sentidos, se não fosse a televisão não haveria cultura geral. Ler mais

Invernia (Entre Cós e Alpedriz)

" Chuva e vento, vento, chuva e frio. Gemia água a terra, rebentaram as nascentes, os regatos cresceram até serem novamente rios, submergiram as pontes, matando mesmo a filha do Mouco. (...)
E um dia, inevitáveis como o Inverno que a todos atormentava, apareceram os pexins. Há meses que não podiam pescar, a fome apertava. E apertava-se a garganta dos camponeses ao verem aqueles homens valentes, que não receavam mar e temporais, pedindo esmola por amor de Deus. Os cavadores, também eles impedidos pelo mau tempo de ganhar o sustento, comoviam-se e cada um dava o que podia: um punhado de batatas miúdas, das mesmas que a mulher cozia para os porcos, uma tira de toucinho, uma ou outra maçã ou passas de uva, figos secos, uma fatia de broa e, sempre, um copo de água-pé ou um rijo mata-bicho, aquecendo o corpo e queimando as tristezas, que, bem o sabemos, nem dão de comer nem pagam dívidas.
Então, abrigados nas adegas, ouviam os pescadores horas e horas a fio enquanto fora a chuva batia nas paredes, jorrava dos beirados, corria pelas ruas, fazia transbordar as regueiras, transformando tudo num mar de água. As conversas corriam soturnas como o tempo, recordando os entes queridos levados pelo mar na longínqua Terra Nova, na costa de Peniche, às vezes até junto à Nazaré, mesmo à vista das famílias. E partiam, as ceroulas de flanela arregaçadas pelas canelas, os pés descalços, por poças e atalhos, mendigando pelas aldeias que atravessavam, guardando nos sacos de serapilheira que carregavam às costas a pobre dádiva dos pobres, a quem também escasseava o sustento para si próprios e para os seus; partiam, levando com que mitigar momentaneamente a fome à família enquanto os homens da terra permaneciam nas adegas e arribanas ou iam para a taberna beber fiado.
Como pregoeiro do mau tempo, entoando na gaita-de-beiços a triste melodia do inverno, chegou o amola-tesouras, tentando atrair freguesas com o mesmo assobio com que na Primavera se oferecia para capar os porcos, os mesmos alforges na bicicleta, de onde agora extraía um esmeril para afiar facas e tesouras, alicate e arame fino para consertar as varetas de chapéus de chuva. Também para o galego os tempos estavam maus, calcorreando estradas alagadas e caminhos de lama, a bicicleta à mão, sempre debaixo de chuva inclemente, para ganhar um cruzado aqui, outro ali.
Chegou o cesteiro, instalando-se ora numa adega ora noutra, e habilidosamente entrelaçava vergas fazendo cestos onde as camponesas transportariam ovos ou fruta, poceiros para as uvas na vindima, poceiras para a fruta que venderiam nas praças de Alcobaça ou de Pataias, poceirões onde os burros carregariam o esterco para as hortas quando o tempo levantasse. Ao contrário da formiga, trabalhava de Inverno, mas só receberia mais tarde, talvez apenas no final do Outono: — Pago-te quando vender um casco de vinho..., ambos sabendo que o mais difícil é receber, seja a jorna ganha seja o vinho vendido. (...)"

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Da Literatura: A invenção dos voluntários

Da Literatura: A invenção dos voluntários
Outro excelente texto de João Paulo Sousa sobre o ME e as suas ideias geniais.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

TeX


Amanhã haverá filmes.

TeX


Para a Sofia, que quer conhecer o novo membro da família:

sábado, 31 de janeiro de 2009

Orgulho

Queixa-se o meu amigo Augusto de que a leitura de fragmentos duros, violentos, de Do lacrau e da sua picada lhe estragou uma noite de sono, tendo-lhe, até, provocado pesadelos. (Em causa, a leitura do Capítulo 4. A menina do shopping -- para mim, também foi muito duro de escrever). Saber que um médico, habituado a lidar com o sofrimento humano, ficou impressionado com um texto de ficção, deixa-me orgulhoso, convencido de que fiz bem o meu trabalho: interagir com o leitor, fazendo-o viver a situação narrada.

"(...) E os que lêem o que escreve, / Na dor lida sentem bem, / Não as duas que ele teve, / Mas só a que eles não têm (...) (Fernando Pessoa, Autopsicografia)

O dado perde venda

Dizia a minha avó. Mesmo sabendo-o, ofereço -- gratuitamente -- versões em pdf dos meus romances. Poderia tentar vendê-las num dos numerosos sites de comércio de e-books. Mas creio que os portugueses dificilmente comprarão e-books, pelo menos enquanto os respectivos leitores não se popularizarem, o que dificilmente acontecerá ao preço a que estão.
A minha oferta não é desinteressada; deve ser vista como uma tentativa de chegar junto dos potenciais leitores e de os seduzir, eventualmente, para a compra dos romances em papel. Mesmo que tal não aconteça, se me lerem, já terá valido a pena.
Do lacrau e da sua picada e Entre Cós e Alpedriz podem ser descarregados no meu site. Não há, de momento, quaisquer restrições. (Um mail a informar-me do download seria simpático.)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Dramas da escrita

Por várias vezes me referi ao sofrimento que a escrita provoca, repetindo, aliás, o que autores de todos os tempos vêm dizendo: é um suplício corrigir incessantemente, procurar que as histórias caiam com queda, caso e cadência, que as palavras adequadas ocorram pela ordem mais conveniente, perder-me durante tempos e tempos em becos sem saída que, antes, pareciam avenidas grandiosas...
Há, no entanto, um sofrimento a que nunca aludi: aquele que resulta da necessidade de escrever sobre matérias desagradáveis, pela simples razão de precisar delas . Foi o caso, por exemplo, das cenas de violência conjugal em Do lacrau e da sua picada ou do capítulo IX. Sol de Inverno, em Entre Cós e Alpedriz. Neste último caso, um velho, paralisado por uma trombose, vive a sua agonia... É muito duro colocar-me na pele destas personagens, sofrendo com elas, desesperando como elas -- a narrativa exige-o, mas eu resisto, protelando enquanto posso a escrita destas passagens. (Embora, depois de concluídas, não raro me orgulhe do resultado conseguido, com a sensação de ter dito o que queria, da forma como queria.)
Pois é, "quem quiser passar além do Bojador, tem de passar além da dor..."

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Do lacrau e da sua picada (início)

"Eis Setembro, que chega fresco e risonho como a Primavera, após outro Agosto infernal, de calor e de incêndios. Não nos iludamos. Nada voltará a ser como dantes: Setembro jamais será Abril, mesmo que este Sol e esta luz nos queiram convencer de que a Primavera dura todo o ano e a juventude é eterna, mesmo que a cidade pareça a mesma, com o castelo indiferente à passagem dos séculos e o Lis correndo sempre ao encontro do irmão gémeo, para juntos procurarem o mar, sonho de todos os rios.
Repare-se naquele casal que passeia, braço dado, pelas ruas antigas..."

Foto: Leiria

domingo, 11 de janeiro de 2009

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

As Plêiades

É um dos romances que tento escrever. Eis o início:

Manifesto
Aquilo a que já quis é tão mudado,
Que quase é outra cousa, porque os dias

Têm o primeiro gosto já danado.

Camões

Anda o Mundo conturbado, atormentado por cataclismos, guerras e crises económicas, e o país angustia-se, deprime-se, discute, toda a gente preocupada com a Euribor, o Benfica e a crise na educação. Só eu ando alheado de todos esses problemas e em vez de fazer contas à vida, peregrinando de banco em banco na renegociação das dívidas, agitar semanalmente lenço branco pelos estádios, me manifestar, juntando-me ao coro que entoa o “Está na hora / de a ministra ir embora…”, atormento-me com outras ralações, que aos mais apenas despertam sorrisos de comiseração: já é outra vez Natal e ainda há pouco era Verão --- os dias, as semanas, os meses, as estações e os próprios anos passam sem que os consiga afrouxar um pouco, o prazer, quando o há, tem já travo amargo, que o Inverno se aproxima inexoravelmente…

Como o Cão, farejador que busca Sentido para o que É, enquanto segue o amo pelo infinito do firmamento, por entre poeiras, planetas, estrelas, constelações e mitos, assim sou eu --- outro que busca o arremedo que seja de uma resposta que permita, senão resolver o puzzle da vida e dos seus mistérios, pelo menos encaixar uma qualquer peça neste quebra-cabeças; como me poderia então comprazer com as coisas fúteis, aceitar viver um dia, uma hora que fosse, reduzindo o meu destino a um abaixo-assinado, a uma reivindicação, a um protesto, como se o transitório fosse perene como as estrelas, repetitivo como a Noite, cíclico como as Estações, cumulativo como o Tempo?
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Escrita em dia

Tento escrever dois romances -- sim, dois, quase em simultâneo. Não foi, evidentemente, premeditado: durante mais de um ano tentei concluir, ainda sem sucesso, Um amor inventado, inspirado no poema A Invenção do Amor, de Daniel Filipe. Entretanto, surgiu e pôs-se à frente, malcriadamente, uma narrativa na 1ª pessoa, absolutamente contemporânea, inspirada em versos de Álcman, o primeiro poeta ocidental conhecido, que li na tradução de Frederico Lourenço:
"As Plêiades (...) / sobem através da noite imortal / como a estrela Sírio e lutam contra nós."
Pois é: a poesia fica a martelar-me na cabeça, obrigando-me a passar à escrita.
Tendo perdido a fé ingénua na limpeza dos raros concursos, que exigem o anonimato dos autores, mas nada revelam quanto aos critérios de selecção do vencedor, e não receando o plágio, atrevo-me a mostrar o início, mas não o final, de cada um desses romances.
Por razões de legibilidade, cada um deles terá o seu próprio post. Trata-se, obviamente, de rascunhos, que serão constantemente corrigidos, alterados, eventualmente até suprimidos na versão final. De igual modo, os títulos poderão ser ligeiramente modificados, embora as palavras-chave -- amor inventado num, Plêiades noutro -- se mantenham.