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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Esboço

Do João Alfaro, a experimentar a minha caneta digital.
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domingo, 31 de janeiro de 2010

Caneta digital (e-pens)

Distingue-se de uma esferográfica comum por várias particularidades: grava aquilo que escreve no papel e permite passá-lo para o computador, quer como nota manuscrita, quer, após reconhecimento da escrita, como documento do Word. Faz ainda umas tantas coisas que ainda não experimentei devidamente, talvez por delas não precisar: substituir o rato, escrever directamente em documentos do Office, etc. Comprei-a receoso de que fosse pouco mais do que um brinquedo giro ou uma caneta cara. Afinal faz o que promete, tanto melhor quanto mais perfeita for a caligrafia. A minha é uma desgraça e não melhorou nem com as reguadas da primária, nem com as aulas de Caligrafia, que fiz com doze valores apenas porque me portava bem em turma problemática. E com a passagem dos anos a minha letra piorou.
Pois a caneta é uma pequena maravilha, que me evita a maçada de transcrever textos manuscritos redigidos em locais ou em circunstâncias que não propiciam a utilização do computador portátil, e o funcionamento quase se resume a uma ligação posterior via USB ao computador e a uns cliques do rato.
Para saber mais ou comprar: www.ebc.pt.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Tri(s)avô

Com o meu neto mais novo, nascido hoje, o Tiago.
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Miniconto: Jogo de azar

Inédito meu. Disponível para download aqui.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Tempo da poda (2)

Fragmento de Entre Cós e Alpedriz

"Como a cobra que sai do torpor invernal despertada pelo calor, não tanto para procurar alimento, antes para se aquecer ao Sol entre ervas secas, e vagamente se apercebe da proximidade de presas, assim também nos olhos do Jaime cintila um reflexo de vida: sabe, sente, que é o tempo da poda, e quase tem outra vez vontade de sorrir ao lembrar-se do provérbio Tempo da poda, tempo da foda, e das interpretações, uma apontando para a vida arrastada do camponês, outra para o renascer da seiva, nas plantas e nos corpos, natureza e humanos pulsando num mesmo frenesim reprodutivo. Ah, cumpriu bem a sua obrigação, sustentando a mulher o melhor que pôde, substituindo outros maridos se, acaso, as parceiras o requisitavam, iniciando jovens, dando a provar o bem-bom a uma ou outra solteirona… Não se arrepende. Não julga ter pecado, como não pecará o cão que cobre cadela atrás de cadela. Fez, está feito, prestará contas ao Criador, se lhas pedir, embora duvide de que tal aconteça, que certamente terá mais com que se preocupar, com tanto mal que vai pelo Mundo. Não matou, não roubou, honrou pai e mãe e se porventura há outros mandamentos para além destes também ele se não recorda deles, tal como apenas se lembra de uma oração, o Pai-Nosso, e nada nessa prece o faz sentir culpado do que quer que seja. Nem precisa de perdoar aos inimigos. Todas as querelas, todas as brigas, todas as animosidades, estão já enterradas debaixo de uma camada de tempo tão profunda como a de terra que em breve lhe servirá de agasalho e de resguardo e é mesmo com carinho que recorda zangas antigas, relações cortadas durante anos... Para quê tudo isso, se acabamos assim ou pior, se desta vida nada levamos, nem sequer os bons momentos, interrogar-se-ia se a clareza de ideias lho permitisse e se achasse que a reflexão valia a pena. Não, não são reflexões que lhe perpassam por detrás dos olhos, são imagens como as dos filmes que uma vez por outra cinemas ambulantes passam no barracão que serve de sala de cinema à aldeia, projectadas num lençol que faz as vezes de ecrã, e as imagens que lhe enchem a retina são da vinha coberta de vegetação verdejante — margaças floridas, com o seu odor inconfundível, roxas candeias que cresceram entre elas, serralhas em flor — e, esvoaçando livres por cima, longas vides que a tesoura de poda atarraca em cliques sucessivos, deixando talões de três olhos e varas de seis, gemendo seiva dos sarmentos cortados, são as nuvens fugidias que vindas do mar correm pelo céu sabe-se lá para onde — como a sua vida.

Nem amores ardentes, nem brigas, nem patuscadas, nem bebedeiras de caixão à cova — apenas a terra a que nasceu grudado se cola às suas recordações como o barro dos Montes se colava às suas botas. Vê, vê distintamente as vinhas descavadas, podadas, empadas, os cachos que despontarão e que a calda bordalesa azulará, o cinzento do oídio queimado pelo amarelo do enxofre, as tinas cheias e bem calcadas a caminho da adega transportadas em carro de bois cujo eixo de madeira chia alegremente apesar do óleo queimado com que o carreiro o lubrifica, o aguilhão que espevita os animais de dorso luzidio... Vê-se a si próprio na força da idade, um cavalão cheio de força, fazendo rodar a roda de ferro maciço do esmagador que moverá os rolos dentados que transformarão a polpa das uvas em sumo, sente outra vez o cheiro do mosto, não apenas na sua adega mas perfumando toda a aldeia, mexe outra vez as uvas que fermentam nas tinas, no lagar e nos tonéis remexendo com o tridente de ferro até ao fundo das vasilhas e aspira o perfume do líquido que borbulha enquanto aguarda a sinfonia das prensas cantantes, tlim, tlim, dirá uma, e logo outras responderão, emancipando o jovem mosto do pé, e escorrerá então definitivamente livre pelo ralo do lagar enchendo a pia, como filho já adulto que deixa a casa paterna para seguir o seu rumo vida fora..."

Tempo da poda (1)

Cansado de um fim-de-semana de labuta dura, corpo dorido, sobretudo as mãos, fico-me pelos versos de Cesário, que exprimem bem melhor do que eu o conseguiria fazer o prazer e o sofrimento do trabalho agrícola:

(FOTOS: à esquerda, o Vergílio; na de baixo, eu próprio; clicar para ampliar)













"Oh! Que grande alegria eu tenho quando
Sou tal e qual como os mais! E, sem talento,,
Faço um trabalho técnico, violento,
Cantando, praguejando, batalhando!"

"Hoje eu sei quanto custam a criar
As cepas, desde que eu as podo e empo.
Ah! O campo não é um passatempo
Com bucolismos, rouxinóis, luar.

A nós tudo nos rouba e dizima:
(...)
E o pulgão, a lagarta, os caracóis,
E há inda, além do mais com que se ateima,
As intempéries, o granizo, a queima,
E a concorrência com os espanhóis."

Cesário Verde, "Nós"

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Da escrita

Enquanto As Plêiades não avança, o que não me incomoda porque um romance  precisa de tempo para amadurecer, tenho escrito uns contos. "Tenho escrito" significa que os considero acabados,  prontos para a luz do dia. Por exemplo, terminei hoje um que comecei na semana passada, e acabei outro que se arrastava há anos sem que o conseguisse dar por terminado, o que sucedeu adoptando uma perspectiva diferente --- e "Inutilia Truncat". São pequenas narrativas, de menos de duas páginas, o que, para mim, em nada diminui o respectivo mérito, uma vez que as narrativas, tal como os homens que se prezam, não se medem aos palmos; e escrever histórias muito curtas é um excelente treino da economia da narrativa, que tanto prezo.
Segue-se a fase seguinte, a da apreciação pelos leitores e leitoras do costume. Depois, tendo como sempre em muito boa conta as respectivas críticas e procedido às correcções necessárias, juntar-se-ão aos irmãos mais velhos e, arquivados em pastas, aguardarão por melhores dias.
Se algum leitor conhecer editor que aceite dar uma vista de olhos...

O Miguel e a mamã

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Dura lex

Hoje, pela primeira vez, entrei num tribunal e, vergonha, para ser ouvido como arguido. O senhor procurador leu-me os direitos, tal e qual como nos filmes (Tem o direito de ficar calado, tem o direito de se fazer acompanhar por um advogado...), os deveres (identificar-se correctamente, falar verdade --- mas isso é o que sempre faço, eu que jamais me escondi atrás de nick names) e perguntou-se se sabia que tinha praticado um crime punível com cinco anos de prisão (acho que é isso, não fixei a pena.)
--- Por ter deixado caducar uma licença que tenho renovado regularmente desde 1982?
--- Sim. Porque, segundo a lei...
Pois Dura lex sed lex. Só que, entendo eu, os juristas que criminalizaram os atrasos na renovação da licença de uso e porte de arma de caça teriam feito melhor se
(1) Permitissem a renovação, cumpridos os requisitos habituais, com coima adequada; OU
(2) Determinassem que a arma em infracção seria confiscada, revertendo para o Estado, sem prejuízo de eventual coima.
Desta forma, e apercebendo-me da infracção, não posso vender nem desfazer-me da espingarda por qualquer processo, e sou forçado a passar por estas burocracias, que, além do mais, tanto devem obstruir a polícia e a justiça. As quais, é sabido, têm muito mais que fazer.
Isto penso eu,  "que falo, humilde, baxo e rudo", sem a mínima preparação  nem a menor propensão para jurisconsulto...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Cansado? A precisar de férias?

Segundo o DN, após 30 anos de prisão,

Agca, o turco que tentou assassinar João Paulo II, vai tirar férias

14 de Janeiro de 2010, 17:03

http://noticias.sapo.pt/info/artigo/1040878.html

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

João Semana (reposição)


O meu amigo Augusto é um daqueles médicos que o povo faz questão de homenagear em vida e por isso deu o seu nome ao Centro de Saúde onde trabalha.
Não me ficaria bem, nem ele me perdoaria, que desse alguns exemplos de factos que motivaram a atribuição, anos atrás, de tão honrosa distinção; o que importa é que o povo da Brogueira o fez, para que médicos dedicados como este João Semana dos nossos tempos não sejam esquecidos.

Preceitos para tempos difíceis


"Um homem vulgar desembainhará o sabre se é ridicularizado e bater-se-á arriscando a vida, mas não devemos ver aí uma prova de coragem. Um verdadeiro homem de valor nunca fica perturbado, mesmo se é confrontado com um acontecimento imprevisto ou uma crise, nunca se irrita quando é arrastado para uma situação de que não é responsável. Isto porque o seu coração é grande e o seu objectivo elevado."

Gichin Funakoshi, Karate-Do Kyohan

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Do ensino

Falta-me a paciência para ouvir falar e, sobretudo, para ler sobre a situação do ensino em Portugal. Mas artigos como este são a excepção, vozes que deveriam ser ouvidas, mas não o serão porque não há pior cego que aquele que não quer ver, especialmente quando é a arrogância, filha dilecta da  ignorância e da vaidade, a causa da cegueira.
"A «revolução conservadora» tinha graça há duas décadas quando valia a pena construir o edifício. Hoje, ele está deficiente. Em primeiro lugar, chamem os professores. Os professores-professores — não os técnicos em Ciências da Educação que não dão aulas há vinte anos. Chamem os professores que contactam com os alunos, que dão aulas, que passam pelos corredores e sabem do que se fala quando se fala de educação. A tentação da reforma a todo o custo cria vítima insuspeitas; para legislar sobre o «modelo de avaliação dos professores» a primeira coisa que fizeram foi afastar os professores. Não queiram fazer a reforma curricular afastando-os de novo. Basta ouvir, tomar notas, recolher histórias reais. Isto não são os cientistas da pedagogia que o podem fazer; eles não têm histórias reais para contar — aliás, lendo o que eles escrevem nas introduções aos programas escolares e nos materiais ideológicos produzidos pelo Ministério da Educação, até é legítimo supor que não falam Português." Francisco José Viegas

domingo, 10 de janeiro de 2010

Piada foleira

É de mau gosto, mas não consigo resistir: segundo o DN,

Chávez vai produzir "novelas socialistas"


Para os enredos, sugiro que lhe vendamos os nacionais. Já incluídos nos Magalhães que, dizem, ele vai comprar.

O sentido de humor divino

Copenhaga, tantos protestos contra o aquecimento global, e eis a resposta pronta e gélida: Está a nevar em sete distritos

Também eu bato dente, outro Zé Fogão borralheiro. Pior será amanhã, a tremer todo o dia como varas verdes nas salas enregeladas. E a ver os miúdos ainda pior do que eu.

Excesso de informação

Que oculta o belíssimo anúncio de outros tempos, quando havia agricultura, que dava de comer a milhões de portugueses e servia de retaguarda segura nos momentos difíceis, como aquele que atravessamos.
Os emigrados nas cidades enchiam os carros nas casas paternas em cada fim-de-semana --- azeite e azeitonas, vinho e aguardente, hortaliças, cebolas, alhos, fruta, as abençoadas batatas, remédio contra a fome, os ovos e as galinhas já arranjadas, os coelhos, o porco, eu sei lá que mais! E partiam, carregadinhos até ao tejadilho, as rodas bojudas do excesso de carga, por entre protestos do motor e golfadas de fumo negro...
Tudo isso acabou. Os mais velhos arrastam-se inúteis pelos bancos dos adros das igrejas, pelas colectividades, sem vontade sequer de espairecer plantando couves porque, há décadas que o sabemos, "não compensa". As colheitas fazem-se no hipermercado. Mas, como canta Manuel Alegre, "há sempre alguém que resiste / há sempre alguém que diz não." Como eu, que tirei a foto quando seguia para a minha aldeia, aproveitando este sábado de bom tempo para a poda.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

E-books e pirataria

A notícia do Correio da Manhã sobre a pirataria informática que motivou o meu post sobre o Kamasutra parece ter sido recebida com apreensão por pessoas ligadas ao meio livreiro:
"Quando os entusiastas do e-book festejam o lançamento de mais um novo leitor de livros eletrónicos, tenho dúvidas. Tenho dúvidas porque sou conservador – e tenho dúvidas porque tenho receio da pirataria informática que afetará os direitos de autor e a indústria do livro." escreve Francisco José Viegas.

Enquanto autor que não logrou captar o interesse das editoras, nem é provável que o venha a fazer, primeiro, porque não escrevo para elas e para a sua visão das apetências do mercado --- depois queixam-se de que faltam leitores! ---, segundo, porque não tenho feitio, nem tempo, nem necessidade de me arrastar mendigando, lisonjeando, metendo cunhas, enquanto autor, dizia, antes de me perder em divagações ressabiadas, vejo na proliferação de e-books uma janela de oportunidades que me dará maiores possibilidades de chegar até aos leitores. Quanto aos direitos de autor, seria interessante saber quantos autores portugueses recebem valores que lhes permitam, já não digo viver da escrita, mas, pelo menos, levar vida mais folgada. Porque estou convencido de que na sua esmagadora maioria receberão, na melhor das hipóteses, umas migalhinhas, quase uma esmolinha, sem possibilidade de controlar as vendas, sem capacidade para exigir os seus direitos.

Se assim for, quem tem razões para recear o lobo mau da pirataria não são autores como eu, que até pagam para ser lidos, publicando às suas custas, mas as editoras que não parecem capazes de se adaptar aos novos tempos.
(Para receber gratuitamente uma versão em pdf dos meus romances, basta enviar-me um mail com o pedido; já tive o prazer de oferecer muitos por esta via, e não estou mais pobre por isso.)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Direitos de autor e pirataria


Segundo o Correio da Manhã (via Blogtailors), «O eBook mais pirateado de 2009 foi o Kamasutra, com cem mil a 250 mil cópias registadas da obra erótica hindu."
Tão roubado, bem gostava eu de saber como é que o coitado do Vatsyayana vai viver e poder continuar a desenvolver as sólidas investigações que a obra evidencia.
IMAGEM: extraída da Wikipédia

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Melhores leituras de 2009

Não sou crítico, leio por prazer, e apenas o que me dá prazer. Dito isto, que já deixa antever que me estou nas tintas para os grandes livros do ano, para os encómios da crítica, graças aos quais tenho frequentemente enfiado grandes barretes, eis a minha selecção pessoal de livros 2009 --- um bom ano, que me deu a ler dois romances de excepção:
1. Jesusalém, de Mia Couto.
2. Myra, de Maria Velho da Costa.

Jesusalém é um prodígio de imaginação em que Mia Couto se revela um romancista que, mais do que escrever coisas giras, ambiciona produzir uma obra-prima. Daí a parcimónia neológica, cujas ocorrências são sempre lapidares (Por exemplo. Zaca, incumbido de matar a portuguesa, regressa sem o ter feito e desculpa-se: Desconsegui.). A ideia de acabar o Mundo e criar Jesusalém, onde Cristo seria descrucificado, o namoro do pai de Mwanito com a burra Jesibela, o diálogo entre a portuguesa e a amante moçambicana do marido, por exemplo, são momentos altos da literatura. Há ainda fragilidades, que Mia Couto seguramente eliminará em futuras obras: Mwanito, o fazedor de silêncios, nunca está calado, a aventura moçambicana do português é uma confusão quase tão grande como as confusões familiares, estilo Nouveau Roman, que dominam Venenos de Deus e ainda têm alguma proeminência na parte final deste extraordinário Jesusalém. O melhor romance que eu li em 2009.


Myra, a odisseia de uma adolescente russa em Portugal, Ulisses dos mil ardis, é uma narrativa linear que segue as deambulações da protagonista e do seu cão, às vezes Rambo. Mais do que as sucessivas peripécias, encontros e fugas, que nos vão dar a conhecer Kléber, a pintora, o cego e a sua cadela, o frade para quem a castidade é pecaminosa, o rapaz pardo e a sua casa inteligente, os marginais, a proxeneta brasileira e as vítimas da pedofilia, seduziu-me a sua linguagem nos limites da gramaticalidade, rigorosa, sugestiva, não raro elíptica (porquê? O melhor é lerem a obra). Diálogos extraordinários, técnica descritiva e narrativa invulgar, acção constante, tem como alguns dos momentos mais altos, para além dos acima referidos, os diálogos entre Myra e Rambo, que ocorrem com tal naturalidade que quem conversa com o seu cão, como eu faço, os aceita como verosímeis --- e daí aos diálogos entre Rambo e a gata siamesa é um pequeno passo, que damos quase sem nos apercebermos de que passámos para o campo do maravilhoso…
Desapreciei a ênfase na cultura e no requinte do rapaz pardo, não achei grande piada à casa inteligente, o episódio da tempestade é excessivo e inverosímil, e o car jacking final, com sequestro e homicídio, algo forçado…
Seguramente duas obras-primas da literatura de língua portuguesa, como o Tempo se encarregará de evidenciar.

1 de Janeiro

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1 de Janeiro

O Tex ensina o Jorge a segurar um pau.
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1 de Janeiro

Um ritual que se repete: passeio na praia (Paredes) no primeiro dia do ano. Fazia menos frio que em certos dias de Agosto.
Na foto; o Tex a brincar com o Jorge.
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Passagem de ano

No sossego da aldeia, longe das confusões urbanas. Afinal, porquê tanta euforia por ser descontado outro ano às nossas vidas?
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Entrega das prendas

Na televisão, O Gonçalo, participando via Net a partir do Dubai. Longe de nós, mas sempre bem presente.
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A chegada do Pai Natal

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domingo, 20 de dezembro de 2009

O presépio


Enternece-me a história de um menino pobre, filho de um humilde carpinteiro, nascido num estábulo, em companhia de animais de trabalho que o aquecem com o próprio bafo. Não conheço muito de religiões, mas quantas haverá que fazem nascer o seu Deus em tamanha miséria e desconforto? Vindo ao mundo para trazer a paz e a concórdia, para nos ensinar a amar o próximo? (Graças a Ele, imagens como esta não decorrem da aplicação da lei no mundo cristão.). Por isto, por muitas outras coisas, como o amor àquelas tradições que não causam mal nem sofrimento, fazemos o presépio. Compro o musgo, procuramos as figuras, colam-se as decapitadas, a Ana e o Afonso dispõem-nas, e está feito. Sem luzes a piscar, nem efeitos especiais. Apenas um presépio tão humilde e tão mal amanhado como terá sido o original.



Veja-se a devoção dos meus netos! O Afonso ajoelhado, o Miguel até faz flexões! Apanha o irmão mais velho distraído e surripia os galos: -- Có-Có..., vai dizendo, e logo acorre o Afonso, justiceiro: --- Miguel, não é para mexer, é só para ver!

(Clicar nas fotos para ampliar)

Tempo para palrar, tempo para governar

Ligo a televisão e vejo um dirigente queque PS, como agora parece ser moda, sumidos que estão os homens e mulheres de tomates que honraram o PS de antanho, a debitar com voz efeminada umas ameaças ao presidente por ter reduzido a grande vitória casamenteira da esquerda larila à sua real insignificância. Não votei em Cavaco, mas é o meu presidente. Aos dirigentes socialistas que se não sabem calar num momento em que já se prevê um aumento do desemprego para 15%, só posso dizer:
-- Pá, agora que já se podem casar, tratem mas é de governar.

sábado, 19 de dezembro de 2009

O Miguel e o avô

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Como um cidadão se torna arguido

Não tenho nada, nem sequer uma simples multa de estacionamento, no cadastro. Mas aprendi hoje que tentar validar uma licença de uso e porte de arma de caça caducada, indo por iniciativa própria à polícia, torna o cidadão (responsável, mas distraído com o tempo) arguido, com termo de identidade e residência, arma e licença apreendidas, até que o tribunal decida o que lhe fazer. Tenho a caçadeira desde 1982, tempo em que caçava, obrigado pela minha cadela setter, a Lisa, na foto, que em dias de caça -- ela sabia quais eram -- me acordava alta madrugada e não mais me dava sossego até que estivéssemos no campo, ela parando codornizes, eu errando-as umas após outras. Quando a Lisa morreu, arrumei a espingarda e pude passar as manhãs de domingo na cama. De cinco em cinco anos, telefonavam-me, primeiro da câmara municipal, depois da própria polícia, lembrando que a licença estava prestes a caducar, e prontamente pedia outra. Até que estas mordomias acabaram. E hoje, eu, que nunca cometi qualquer delito, entrei  sem proveito material nem glória mediática para o rol dos VIPs --- por ter deixado caducar uma licença. No mínimo, aguarda-me multa pesada. Mas, mesmo assim, sei que continuarei a não saber que dia do mês é hoje, a esquecer-me do ano em que estamos... Tempus fugit.
ADENDA:

A Lisa e eu, às vezes, caçámos alguma coisita. Perdizes, codornizes, galinholas, raramente coelhos, que ela detestava-os.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Não acerto uma!

Gosto muito de ler poesia. Não me fico pelos consagrados. Sempre que posso, passo os olhos por sites de amadores. Neles, de vez em quando, raramente, há uns versos que me seduzem, pela originalidade, pelo ritmo, pelo conteúdo, embora, quase sempre, sinta que falta algo ao poema para que esteja acabado. Então, humildemente, elogio o texto, acrescentando, quase como quem não quer a coisa, que com um pouco mais de trabalho... Trabalho porque, sinto-o, a inspiração está lá, e toda a vida tenho repetido o dito de Paul Valéry: "perfection, c'est travail".
Ainda não encontrei poeta que me perguntasse o que é que falta no poema, o que mudar, como melhorar. É impressionante a segurança que manifestam, a certeza que os anima, a convicção de que qualquer crítica que vá além do elogio hiperbólico é apenas uma opinião, que se perde entre numerosos encómios.
Impressionante. Quase os invejo, eu que revejo dezenas, centenas de vezes os meus textos, e continuo insatisfeito. Que, quando estou prestes a terminar um romance, acordo de noite a ver passar, uma a uma, cada frase, cada palavra, sempre procurando melhor solução  -- eu sei, parece mentira, e posso garantir que esta obsessão não é fonte de qualquer prazer. É a escrita, como a concebo, como a vivo, tortura diária e inglória. Felizes aqueles que se contentam com glória fácil, que a colhem com a naturalidade de um fruto maduro que lhes cai nas mãos.

Mas ocorre-me também que pode haver outras explicações para esta obstinação poética. Por exemplo, a vaidade. E socorro-me de um dos meus livros favoritos:
"O segundo planeta era habitado por um vaidoso:
-- Ah! Ah! Aí vem um admirador visitar-me! exclamou de longe o vaidoso, mal avistou o principezinho.
Porque, para os vaidosos, os outros homens não passam de admiradores.
(...)
Mas o vaidoso não o ouviu. Os vaidosos só ouvem os elogios."

Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho

Aquecimento global

Mau tempo: 10 distritos do Norte e Centro em alerta amarelo devido ao frio, chuva e neve

15 de Dezembro de 2009, 19:08 Aqui
Para reflexão séria sobre o título deste post, ler aqui a polémica entre especialistas na matéria.
Veja-se também isto, hoje (negrito meu):
"O erro de Al Gore lança novas dúvidas sobre a cimeira, numa altura em que existe uma enorme controvérsia em torno do "Climategate": centenas de emails de cientistas ligados a um dos principais órgãos britânico de estudo das alterações climáticas, que foram apanhados por "hackers" e veiculados por toda a Internet, sugerem que existiu manipulação de dados no sentido de reforçar o argumento de que a actividade humana está a provocar o aquecimento global." in Jornal de Negócios Online

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Romanceiro


Releio o Romanceiro e maravilho-me com a perfeição dos textos. Nem uma palavra supérflua, nem uma explicação escusada -- é ao leitor que cabe proceder às ilações. Veja-se este primor de erotismo, de psicologia feminina e masculina, em que o caçador gabarola acaba caçado pela fina lebre que em três horas de corrida não chegou a cansar:
ALBANINHA
— «Albaninha, Albaninha,
A filha do conde Alvar!
Oh! quem te vira Albaninha
Três horas a meu mandar!»
— «Pouco tempo são três horas,
Mas vem depois o contar.»
— «Usança de maus vilões
Nunca a eu soubera usar.
Com esta espada me cortem,
Com outra de mais cortar,
Donzela que em mim se fie
Se eu disso me for gabar.»
Inda bem manhã não era
Já na praça a passear;
Aos três irmãos de Albaninha
Se foi de braço travar:
— «Esta noite, cavaleiros,
Sabereis que fui caçar;
Em minha vida não tive
Noite de tanto folgar.
Era uma lebre tão fina
Que nunca vi tal saltar:
Com três horas de corrida
Não a cheguei a cansar!»
Disseram uns para os outros:
— «Bom modo de se gabar!
Será de nossas mulheres?
Das irmãs nos quer falar?»
Responde agora o mais moço
Discreto no seu pensar:
— «Não vedes que é de Albaninha,
Que o traidor quer difamar?»
Foram os três para um canto,
Puseram-se a aconselhar;
Diziam os dois mais velhos:
— «Vamo-la nós a matar?»
E o mais moço respondia:
— «Vamo-la nós a casar?»
— «Sim! e o dote que ela tem.
Nós o temos de pagar.»
Vão ao quarto de Albaninha,
De voda a foram achar;
Duas aias a vestiam,
Duas a estão a toucar.
— «Albaninha, Albaninha,
A filha do conde Alvar!
As barbas de teu pai conde
Que bem lhas soubeste honrar!»
— «As barbas de meu pai conde
Tratai vós de as honrar,
Pagando-me já meu dote,
Que agora me vou casar.»

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Pão, pão

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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Dos professores

Recomendo a leitura deste texto. (E depois, de todo o blogue De Rerum Natura).

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Cores do Outono

"Outono de seu riso magoado"
(Camilo Pessanha)
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O TeX

Por exigência do Reinaldo, aqui vai o TeX. Também ele adora ir aos Montes.
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Aguardente

Montes. Na queima da borra e de restos, não azedos, de vinho. A aguardente resultante servirá para fazer o abafado, para envelhecer; a de pior qualidade, aproveito-a para desinfectar vasilhame e assar chouriço.
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Terceira reimpressão de Entre Cós e Alpedriz


Afinal, não está tudo na me'ma. Uma encomenda chegada hoje obrigou-me a fazer terceira reimpressão de Entre Cós e Alpedriz, uma vez que me restam apenas 8 exemplares das tiragens anteriores. Vantagens do Print on Demand: tiragens à medida das encomendas, a preços compensadores.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Tudo na me'ma

"Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dũa austera, apagada e vil tristeza"
Os Lusíadas, Camões

Tudo na me'ma

"Cruges, depois de um silêncio, rosnou encolhendo os ombros: — Se eu fizesse uma boa ópera, quem é que ma
representava?
— E se o Ega fizesse um belo livro, quem é que lho lia?"

Os Maias, Eça de Queirós