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sábado, 29 de abril de 2017

Primores

Colhidas ontem, descascadas há pouco, sentados ao Sol.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Lavoira

Hoje. 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Início de Junho

Numa semana, a erva junto às cepas cresceu tanto que as abafava. Eis a vinha, com a erva roçada ainda fresca no chão. E alternei o trabalho no campo, que incluiu a preparação de terra e sementeira de dois quilos de feijão, com a pintura: o portão da direita estava no estado do da esquerda -- que, muito em breve, sofrerá intervenção idêntica. Logo que eu recupere do cansaço dos três últimos dias.

terça-feira, 1 de março de 2016

Os meus ajudantes

Na horta, conto com a preciosa ajuda de muitos auxiliares, como este, em plena caçada matinal, aproveitando a terra mexida.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Lição de vida

Esta andorinha, impedida de trabalhar pela forte chuvada que cai, aproveita-a para tomar banho de chuveiro.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A pensar nas batatas

A lavrar, ontem, aproveitando um dia bonito deste Fevereiro tão incerto. Pode ter sido trabalho deitado a perder pela chuva de hoje e pela que está prevista para os próximos dias. Pode S. Pedro, o manda-chuva, obrigar-me a plantar as batatas noutra courela. Assim é a agricultura: jogo de azar. Fica o prazer de uma tarde bem passada, a fazer o que gosto, sozinho, longe de aborrecimentos

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Sempre a aprender

Conta-se que o primeiro podador foi um burro: roeu uma videira, a qual produziu mais e melhor, pelo que o dono passou a imitar o asno, cortando também as outras.
É assim que tenho podado. Com pena por não fazer melhor, sempre a deitar olhares invejosos para as árvores podadas por quem sabe. E agora, que surgiu a oportunidade, inscrevi-me e estou a frequentar curso de podador.
Para não continuar a podar "à la burro".
Hoje era dia de trabalho de campo, tesoura na mão, pois o formador, engenheiro agrícola com doutoramento na área da fruticultura, entende que é nos pomares, a contas com as árvores, que se aprende. Mas a chuva obrigou a mudança de planos...
Eis-me em casa, outras podas, limpando textos de galhos, ramos secos, ladrões, esporões doentes, lenhos podres, atarracando verdascas, porque, como na poda das árvores, corta-se para produzir fruta e não madeira.
FOTOS: (1) Ilustração do pintor João Alfaro para a capa do meu Entre Cós e Alpedriz, que acabou por não ser utilizada; (2) na poda de pessegueiros, antes da formação.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Tempo da poda

Com este bom tempo, digam-me lá se há melhor sítio para estar que no meu Casal, a podar os pessegueiros?
Duvidam? Perguntem ao TeX.




sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Antes que chova

Parece que o Sol nos vai deixar por uns tempos, pelo que hoje adiantei as sementeiras: meio quilo de favas, um de ervilhas, alhos e batatas, estas cobertas com feltro agrícola (manta térmica), a ver se escapam das geadas que hão-de vir.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Aprender até morrer

Estou a fazer o curso de Aplicador de Produtos Fito-Farmacêuticos. E a gostar muito. 
Inscrevi-me, como todos os outros colegas, porque sem certificado e cartão não se pode comprar e aplicar pesticidas já a partir do final do mês.
Faço pouco  uso de pesticidas, porque sou preguiçoso, porque detesto aplicá-los, porque são caros, porque sei que são nocivos para o ambiente e para os consumidores, no caso, eu, a família e os amigos.
Mas, e por muito que me apregoem a possibilidade de os dispensar, ninguém me convence de que é possível prevenir o míldio em batatal, ou na vinha o oídio, ou black rot com mezinhas. Ou de que a calda bordalesa tradicional e o enxofre, permitidos em agricultura biológica, não são também químicos, igualmente nocivos para a nossa saúde e para o ambiente.
Os colegas de curso são minifundiários como eu, da minha idade, e fazem um pouco de agricultura variada para subsistência, entretenimento, pequeno comércio. A formadora é excelente, confiante, segura, clara nas asserções, com discurso límpido, em constante interacção connosco. Não dá para adormecer, apesar de as sessões decorrerem à noite. E já aprendi muito, tendo sobretudo tomado consciência de que, também eu, sempre prudente, fui paulatinamente facilitando no manejo e aplicação desses produtos perigosos, com erros de cálculo, não raro por excesso...

sábado, 26 de setembro de 2015

Não há sábado sem Sol

Em verdade, em verdade vos digo: campanha eleitoral sem paixão partidária é chatice tão grande como futebol sem paixão clubística. Para quem não torce por este ou por aquele, é descabido tanto alarido para meter uma cruz num quadradinho ou enfiar uma pequena bola numa baliza enorme.
Mas o que custa mais é ouvi-los até que a voz lhes falte a dizer ... a dizer o quê?
FOTO 1: em guerra contra o mato. Antes, tinha já gradado o Vale da Junqueira e as Sesmarias, que estavam no triste estado que a FOTO 2 mostra.
FOTO 1
FOTO 2

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Pêssegos

Comigo, tudo tem história. E histórias. Estes pêssegos, por exemplo. Semeio os caroços, transplanto as arvorezinhas que nascem para vasos que ofereço aos amigos,
-- Não quero! É árvore melindrosa, exige muitos tratamentos, ocupa terra, exige cuidados durante todo um ano para produzir durante quinze dias! Mais vale comprar na frutaria! 
Mitos. Há lá fruta melhor que a caseira, vinda na sua época?
E a minha mulher:
-- Planta-os no Casal, o teu tio Zé tinha lá pêssegos fantásticos!
Assim dividimos tarefas. Ela a pensar, eu a fazer.
No ano seguinte: -- Devias enxertá-los!
Sim. Mas a vista é má, as mãos tremem. Vamos (moramos a sessenta quilómetros do Casal) os dois. Eu digo como é, tu fazes.
Ei-la promovida a oficial enxertador. A saber mais do que o mestre, logo à primeira enxertia. Deita os olhos para o belo pomar industrial do vizinho, de frutos lindos, a dobrarem as ramagens com o seu peso.
-- Vai ali ao teu vizinho tirar umas borbulhas.
-- Não vou sem autorização.
-- Que mal tem tirar uns raminhos?
Aqui o povo dá tudo, basta pedir. Mas ai de quem se apropriar de uma simples palha alheia!
Por sorte, chega o dono. Sorte porque lhe posso pedir, sorte porque me não apanhou a roubar-lhe umas vergônteas: -- Joaquim, dás-me meia dúzia de borbulhas? 
Que levasse as que quisesse. E ele mesmo me indica as melhores qualidades para um amador, daquelas que os mercados não apreciam, ou pelo calibre, ou por não aguentarem o transporte e a conservação. Assim se têm perdido algumas das melhores variedades, como o "Jota Galo" (J. Halle) da minha infância, os pêssegos mais saborosos que alguma vez comi.
Diz-se que pegam melhor enxertos e estacas roubadas. Outro mito. Aqueles já produzem. Por enquanto, o suficiente para as provas.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Na aldeia em tarde de Sol

Vou acelerado, aí a uns vinte à hora, que o tractor pouco mais dá, na pressa de lavrar leira, quando homem sai de adega, se atravessa na estrada, me manda parar.
-- Olha lá, o que é que vais fazer com isso?
Explico, algo receoso de que o meu conterrâneo, mais velho, profissional da agricultura, troce de mim. 
Não. Antes avalia entendido a charrua, tece-lhe elogios: pequenina, maneirinha, assim está bem. 
-- Agora a minha é enorme! Aquilo lavra fundo de mais, só para plantar vinha. Não precisas?
Agradeço, mas não. O meu tractor é fraco para alfaia tão grande e depois não gosto de lavrar muito fundo. Cavar, lavrar, a um ferro de enxada, dizia o meu pai.
-- Qualquer dia tens de me emprestar essa.
-- É quando quiser. 
Recomenda-me cuidado. Lembra-me do meu pai, que morreu debaixo do seu tractor: -- O teu é mais seguro, nunca fiando.
Concordo. Os acidentes acontecem quando menos se espera. Precisamente por isso. 
-- Olha, um dia o teu pai veio-me chamar para ir tirar o tractor dele, que tinha caído numa barreira...
Acaba-se-me a pressa. Por lá fico a ouvir saudoso essa e outras histórias, grato àquele homem que recorda com amizade o meu pai, que o ajudou a desenvencilhar-se de trabalhos quando precisou. 
-- Bom, vai lá lavrar, mas tem cuidado! E já sabes, qualquer coisa, podes contar comigo!

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Entre Terra e Céu

Paira nos ares uma águia. Não as conhecia daqui, apenas os falcões, a que chamamos milhareiros. Talvez por isso, o perdigão não ousa chamar o bando, e a passarada não acorre a envolver o tractor à cata da bicheza que levanta.



Até onde a vista alcança, por colinas, por montes, depois na vastidão que se estende até aos pinhais que ocultam o mar -- ninguém. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

No campo

Ontem, quinta-feira. Outro dia de labuta intensa: de manhã. trasfega do vinho (foto 1). De tarde, abri regos de drenagem (foto 2), não se dê o caso de vir para aí chuva intensa como nos dois anos anteriores, e, aproveitando a charrua montada, lavrei um bom talhão (foto 3). Foto 4: o feliz lavrador



domingo, 23 de novembro de 2014

Do lodo e da lama


Não partilho a alegria que parece ter tomado conta deste país pela prisão, certamente temporária, do antigo primeiro-ministro. Nem me coloco do lado daqueles que inventam justificações para apresentarem a detenção como resultado da perseguição dos seus inimigos. 

José Sócrates, o engenheiro dominical, irritou-me enquanto governante com a sua arrogância e, sobretudo nos anos finais do seu governo, com a sua cegueira obstinada que conduziu o país à perda da pouca soberania que lhe restava após a adesão à União Europeia e ao Euro. Não foi pouco. Mas foi eleito com o voto livre do povo, da primeira vez também com o meu, pelo que então dei por mim a repetir frequentemente "T'as voulu, t'as eu, de quoi te plains-tu?" (quiseste, tiveste, de que te queixas?), dito que a sua forte conotação sexual tornava ainda mais apropriado. 
Foi corrido em eleições livres. Adiante. Não me movem desejos mesquinhos de vingança. Se é culpado, que se faça prova em tribunal, que seja sentenciado com a justiça possível pela senhora dos olhos vendados. Que os devia desvendar mais vezes, para, ao errar, não ter a desculpa de não ver o que faz.
Pois eu, retirado na aldeia por uns dias, quase sem ver televisão, com acesso limitado à internet, ocupado de manhã à noite, nem sofri com o circo mediático, o mesmo que tanto favoreceu Sócrates nos seus tempos de governante, quando tratava por tu os chefes de redacção e não se coibia de lhes telefonar a pressioná-los. Não. O que me incomodou deveras foi o ataque massivo de mosquitos e moscardos que me deixaram num triste estado, apesar do repelente com que me cobri, ao teimar arrancar as batas-doces já afogadas em lamaçal e sob a chuva que não cessou de cair. 
FOTOS: (1) o meu fiel amigo, o Tex, sempre pronto a saltar para a caixa do tractor e a acompanhar-me nas idas ao campo; 
(2) a batata-doce, coberta de lama.

sábado, 27 de setembro de 2014

Chuva civil não molha militar

O tempo convida à preguiça, a chusma de alertas laranja e amarelo que recebo do IPMA, à razão de dúzias por dia, desaconselha sair de casa, desaconselha ir para os Montes trabalhar no campo. Afinal, com os temporais previstos nada poderei fazer.
Mas lembro-me de que isto dos alertas, das previsões catastróficas, é recente. Meia dúzia de anos atrás saíamos e logo víamos se chovia, se ventava -- não havia então avisos de fenómenos extremos de vento. E os nossos antepassados foram à Índia, talvez por então não haver IPMA nem alertas. Eis-me portanto no campo, entre Terra e Céu, a fazer desparra tardia na vinha a ver se os cachos por vindimar aumentam de grau. Precavido com capa para a chuva pelo sim, pelo não. Lá pelas quatro e meia da tarde desponta sobre a colina nuvem suspeita. Como animal farejo o ar, quase sinto a electricidade: vem aí carga de água, vem aí trovoada. E eu não gosto nada de ser surpreendido por uma delas em cima do tractor. Pelas minhas previsões, a chuva vai desabar dentro de cinco minutos. Acertei em cheio e a chuva também, em cima de mim, a meio do percurso para casa. Acompanhada por granizo grosso como ervilhas e relampejar constante.
Não, não penso que teria sido melhor não ter vindo para o campo, não, não me dão saudades o conforto da casa, o sofá, um filmezito de sábado à tarde. Viver afastado da natureza não é, para mim, viver.
E os alertas? Pois até agora nada de mais: um bom aguaceiro, trovoada, nada que justifique tanto alarmismo. Compreendo que os meteorologistas precisem de se defender das acusações dos autarcas, mas se continuam a profetizar diariamente catástrofes acontecer-lhes-á como ao rapaz que para se divertir gritava "Lobo!"
FOTOS: (1) o Tex, cão a quem os alertas não assustam, sempre pronto para pular dentro da caixa do tractor e fazer-me companhia. (2) Temporal que se aproxima.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Hoje falo de batatas

Conversa que a poucos interessa. E esses não lêem blogues. Aí vai.
Dez quilos de Kondor e vinte e cinco de Picasso (foto de cima, já cortadas). Que plantei ontem, e ainda semeei um quilo de feijão Catarino e mais meio quilo de grão-de-bico. Não surpreende que hoje esteja exausto. É que abri os regos com o tractor, mas tapei-os com a enxada de pontas. A terra, ainda muito molhada, colava-se à enxada, às botas, tornando esgotantes as numerosas caminhadas sobre a terra já fresada (foto de baixo). E o calor empapava-me em suor. Enfim. É o trabalho do campo, que nada tem a ver com a poesia dos regressos à terra que o presidente da república agora incentiva, ele que bem contribuiu para a destruição da nossa agricultura. Ou, se poesia tem, é a de Cesário Verde:
"Ah! O campo não é um passatempo
Com bucolismos, rouxinóis, luar.
A nós tudo nos rouba e dizima:(...)"
Cultivo batata de sequeiro porque é muito mais saborosa, se conserva melhor -- e não preciso de a regar. A escolha da data de plantação é um exercício complicado a que me entrego todos os anos, e envolve a observação do estado da terra, a informação meteorológica, o meu instinto.
Agora é esperar que os javalis não me destruam o trabalho, que do Céu venha o Sol e a chuva quando necessários. Para mim, ficam as sachas, as curas, a arranca, a armazenagem, numa guerra constante com a traça, a que na minha terra chamamos fia-maria.
Não me perguntem se compensa, se vale a pena. Sabem a resposta. Mas não me guio por critérios interesseiros em nada do que faço. Faço e pronto. 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Outonais

De um lado do rego, a terra revirada pela charrua, do outro o verdura dos cardos a exigir lavoira. Um pouco mais longe, à esquerda, a vinha, avermelhada pelo Outono, quase a despir-se para dormir no Inverno. Em baixo, a eira e a sua casa. Ao fundo, massa indistinta azulada pela distância, os pinheirais que ocultam da vista o mar. Ausente da foto, mas a pairar sobre tudo isto, o cheiro a terra amanhada, solidão e silêncio, brutalmente quebrado pelo trabalhar do tractor, a protestar contra o esforço de esventrar barro, de virar leivas, de pôr a raiz ao sol às ervas daninhas -- ou, como gosto de lhes chamar, mal situadas.
Depois fresei uma tira da terra lavrada, abri regos, semeie ervilhas, couve-nabo e  -- perfeita loucura! -- plantei batatas, que a geada seguramente queimará. Assim é a agricultura: um risco assumido, uma aposta frequentemente perdida. Mas, lá reza adágio da minha terra, "mais vale perder a semente do que a sementeira". E a alegria de semear em dia soalheiro até faz esquecer o desgosto que já deu, que provavelmente dará -- encontrar batatal queimado pela friagem matinal.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Os marretas

Há quem se compraza com as desgraças do quotidiano, embora não aparente ser muito afectado por elas. Quem gaste o tempo a afundar no pessimismo este pobre país, mesmo quando, como hoje, se ouvem e lêem umas notícias encorajadoras, daquelas que nos trazem algum alento, alguma esperança, ténue embora, após os anos negros em que temos vivido -- e os marretas vá de deitar abaixo, ansiosos para que tudo corra mal, como se o que estivesse em jogo fosse o governo ou as oposições e não este pobre Portugal.
Se gastassem a energia, que não lhes falta para a conversa, a fazer algo por si próprios, pelas suas famílias, pelos outros -- pela pátria -- aposto que muito mais depressa sairíamos do atoleiro. E até lá, o sofrimento seria menos penoso, não tendo de os ouvir de manhã à noite.

FOTO: uma das minhas lavoiras, hoje. O dia estava a pedir. A terra, de sazão: molhada, mas não encharcada. A charrua cortava-a como faca a manteiga. E eu, num dia tão lindo, em lado nenhum me sinto melhor do que a trabalhar na terra, em completo sossego, desligado do Mundo e dos seus profetas da desgraça. 
Como a retoma do crescimento económico, as sementeiras podem fracassar -- foi o que sucedeu na época passada. O tempo pode nem sequer me deixar semear. E todo o trabalho estará perdido.
Vale a pena tudo isto? Respondo com os conhecidos versos do poeta: "Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena."
Mas alma é o que falta ao povo, ao país...