Há quem se compraza com as desgraças do quotidiano, embora não aparente ser muito afectado por elas. Quem gaste o tempo a afundar no pessimismo este pobre país, mesmo quando, como hoje, se ouvem e lêem umas notícias encorajadoras, daquelas que nos trazem algum alento, alguma esperança, ténue embora, após os anos negros em que temos vivido -- e os marretas vá de deitar abaixo, ansiosos para que tudo corra mal, como se o que estivesse em jogo fosse o governo ou as oposições e não este pobre Portugal.
Se gastassem a energia, que não lhes falta para a conversa, a fazer algo por si próprios, pelas suas famílias, pelos outros -- pela pátria -- aposto que muito mais depressa sairíamos do atoleiro. E até lá, o sofrimento seria menos penoso, não tendo de os ouvir de manhã à noite.
FOTO: uma das minhas lavoiras, hoje. O dia estava a pedir. A terra, de sazão: molhada, mas não encharcada. A charrua cortava-a como faca a manteiga. E eu, num dia tão lindo, em lado nenhum me sinto melhor do que a trabalhar na terra, em completo sossego, desligado do Mundo e dos seus profetas da desgraça.
Como a retoma do crescimento económico, as sementeiras podem fracassar -- foi o que sucedeu na época passada. O tempo pode nem sequer me deixar semear. E todo o trabalho estará perdido.
Vale a pena tudo isto? Respondo com os conhecidos versos do poeta: "Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena."
Mas alma é o que falta ao povo, ao país...
Mas alma é o que falta ao povo, ao país...