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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Os marretas

Há quem se compraza com as desgraças do quotidiano, embora não aparente ser muito afectado por elas. Quem gaste o tempo a afundar no pessimismo este pobre país, mesmo quando, como hoje, se ouvem e lêem umas notícias encorajadoras, daquelas que nos trazem algum alento, alguma esperança, ténue embora, após os anos negros em que temos vivido -- e os marretas vá de deitar abaixo, ansiosos para que tudo corra mal, como se o que estivesse em jogo fosse o governo ou as oposições e não este pobre Portugal.
Se gastassem a energia, que não lhes falta para a conversa, a fazer algo por si próprios, pelas suas famílias, pelos outros -- pela pátria -- aposto que muito mais depressa sairíamos do atoleiro. E até lá, o sofrimento seria menos penoso, não tendo de os ouvir de manhã à noite.

FOTO: uma das minhas lavoiras, hoje. O dia estava a pedir. A terra, de sazão: molhada, mas não encharcada. A charrua cortava-a como faca a manteiga. E eu, num dia tão lindo, em lado nenhum me sinto melhor do que a trabalhar na terra, em completo sossego, desligado do Mundo e dos seus profetas da desgraça. 
Como a retoma do crescimento económico, as sementeiras podem fracassar -- foi o que sucedeu na época passada. O tempo pode nem sequer me deixar semear. E todo o trabalho estará perdido.
Vale a pena tudo isto? Respondo com os conhecidos versos do poeta: "Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena."
Mas alma é o que falta ao povo, ao país...

domingo, 21 de julho de 2013

Kyrie eleison

Em criança, governava Salazar, pensava que era frase dos oposicionistas: Queria eleições!
Hoje, ao ver as trombas dos dirigentes partidários a quem Cavaco Silva as negou, repito a frase, já consciente do seu significado: Senhor, tende piedade!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Contra o cinzento dos dias

Desliguem a televisão, não ouçam as notícias, não se enfureçam com os títulos dos jornais -- os do Correio da Manhã são os mais perigosos para o fígado e sem um bom fígado não se pode beber --, saboreiem o melhor de cada instante, alegrem-se com a beleza que nos rodeia. Os dias, as semanas, os meses, os anos passam inexoravelmente e não voltam mais, nada nem nem ninguém vos devolverá o tempo perdido, e não podemos permitir que governo, oposição e Troika nos roubem nenhum momento de felicidade, por breve ou  insignificante que seja. Esta não é a primeira crise nacional  -- a primeira datará de 1143, não sei bem -- e não será a última. 
É em momentos como este que mais importa seguir os ensinamentos de Ricardo Reis:

Circunda-te de rosas, ama, bebe 
E cala. O mais é nada. 

(Foto: flores da minha glicínia, na falta de rosas, que até o clima conspira contra a primavera.)