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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

TeX


Para a Sofia, que quer conhecer o novo membro da família:

sábado, 31 de janeiro de 2009

Orgulho

Queixa-se o meu amigo Augusto de que a leitura de fragmentos duros, violentos, de Do lacrau e da sua picada lhe estragou uma noite de sono, tendo-lhe, até, provocado pesadelos. (Em causa, a leitura do Capítulo 4. A menina do shopping -- para mim, também foi muito duro de escrever). Saber que um médico, habituado a lidar com o sofrimento humano, ficou impressionado com um texto de ficção, deixa-me orgulhoso, convencido de que fiz bem o meu trabalho: interagir com o leitor, fazendo-o viver a situação narrada.

"(...) E os que lêem o que escreve, / Na dor lida sentem bem, / Não as duas que ele teve, / Mas só a que eles não têm (...) (Fernando Pessoa, Autopsicografia)

O dado perde venda

Dizia a minha avó. Mesmo sabendo-o, ofereço -- gratuitamente -- versões em pdf dos meus romances. Poderia tentar vendê-las num dos numerosos sites de comércio de e-books. Mas creio que os portugueses dificilmente comprarão e-books, pelo menos enquanto os respectivos leitores não se popularizarem, o que dificilmente acontecerá ao preço a que estão.
A minha oferta não é desinteressada; deve ser vista como uma tentativa de chegar junto dos potenciais leitores e de os seduzir, eventualmente, para a compra dos romances em papel. Mesmo que tal não aconteça, se me lerem, já terá valido a pena.
Do lacrau e da sua picada e Entre Cós e Alpedriz podem ser descarregados no meu site. Não há, de momento, quaisquer restrições. (Um mail a informar-me do download seria simpático.)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Dramas da escrita

Por várias vezes me referi ao sofrimento que a escrita provoca, repetindo, aliás, o que autores de todos os tempos vêm dizendo: é um suplício corrigir incessantemente, procurar que as histórias caiam com queda, caso e cadência, que as palavras adequadas ocorram pela ordem mais conveniente, perder-me durante tempos e tempos em becos sem saída que, antes, pareciam avenidas grandiosas...
Há, no entanto, um sofrimento a que nunca aludi: aquele que resulta da necessidade de escrever sobre matérias desagradáveis, pela simples razão de precisar delas . Foi o caso, por exemplo, das cenas de violência conjugal em Do lacrau e da sua picada ou do capítulo IX. Sol de Inverno, em Entre Cós e Alpedriz. Neste último caso, um velho, paralisado por uma trombose, vive a sua agonia... É muito duro colocar-me na pele destas personagens, sofrendo com elas, desesperando como elas -- a narrativa exige-o, mas eu resisto, protelando enquanto posso a escrita destas passagens. (Embora, depois de concluídas, não raro me orgulhe do resultado conseguido, com a sensação de ter dito o que queria, da forma como queria.)
Pois é, "quem quiser passar além do Bojador, tem de passar além da dor..."

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Do lacrau e da sua picada (início)

"Eis Setembro, que chega fresco e risonho como a Primavera, após outro Agosto infernal, de calor e de incêndios. Não nos iludamos. Nada voltará a ser como dantes: Setembro jamais será Abril, mesmo que este Sol e esta luz nos queiram convencer de que a Primavera dura todo o ano e a juventude é eterna, mesmo que a cidade pareça a mesma, com o castelo indiferente à passagem dos séculos e o Lis correndo sempre ao encontro do irmão gémeo, para juntos procurarem o mar, sonho de todos os rios.
Repare-se naquele casal que passeia, braço dado, pelas ruas antigas..."

Foto: Leiria

domingo, 11 de janeiro de 2009

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

As Plêiades

É um dos romances que tento escrever. Eis o início:

Manifesto
Aquilo a que já quis é tão mudado,
Que quase é outra cousa, porque os dias

Têm o primeiro gosto já danado.

Camões

Anda o Mundo conturbado, atormentado por cataclismos, guerras e crises económicas, e o país angustia-se, deprime-se, discute, toda a gente preocupada com a Euribor, o Benfica e a crise na educação. Só eu ando alheado de todos esses problemas e em vez de fazer contas à vida, peregrinando de banco em banco na renegociação das dívidas, agitar semanalmente lenço branco pelos estádios, me manifestar, juntando-me ao coro que entoa o “Está na hora / de a ministra ir embora…”, atormento-me com outras ralações, que aos mais apenas despertam sorrisos de comiseração: já é outra vez Natal e ainda há pouco era Verão --- os dias, as semanas, os meses, as estações e os próprios anos passam sem que os consiga afrouxar um pouco, o prazer, quando o há, tem já travo amargo, que o Inverno se aproxima inexoravelmente…

Como o Cão, farejador que busca Sentido para o que É, enquanto segue o amo pelo infinito do firmamento, por entre poeiras, planetas, estrelas, constelações e mitos, assim sou eu --- outro que busca o arremedo que seja de uma resposta que permita, senão resolver o puzzle da vida e dos seus mistérios, pelo menos encaixar uma qualquer peça neste quebra-cabeças; como me poderia então comprazer com as coisas fúteis, aceitar viver um dia, uma hora que fosse, reduzindo o meu destino a um abaixo-assinado, a uma reivindicação, a um protesto, como se o transitório fosse perene como as estrelas, repetitivo como a Noite, cíclico como as Estações, cumulativo como o Tempo?
Ler mais

Escrita em dia

Tento escrever dois romances -- sim, dois, quase em simultâneo. Não foi, evidentemente, premeditado: durante mais de um ano tentei concluir, ainda sem sucesso, Um amor inventado, inspirado no poema A Invenção do Amor, de Daniel Filipe. Entretanto, surgiu e pôs-se à frente, malcriadamente, uma narrativa na 1ª pessoa, absolutamente contemporânea, inspirada em versos de Álcman, o primeiro poeta ocidental conhecido, que li na tradução de Frederico Lourenço:
"As Plêiades (...) / sobem através da noite imortal / como a estrela Sírio e lutam contra nós."
Pois é: a poesia fica a martelar-me na cabeça, obrigando-me a passar à escrita.
Tendo perdido a fé ingénua na limpeza dos raros concursos, que exigem o anonimato dos autores, mas nada revelam quanto aos critérios de selecção do vencedor, e não receando o plágio, atrevo-me a mostrar o início, mas não o final, de cada um desses romances.
Por razões de legibilidade, cada um deles terá o seu próprio post. Trata-se, obviamente, de rascunhos, que serão constantemente corrigidos, alterados, eventualmente até suprimidos na versão final. De igual modo, os títulos poderão ser ligeiramente modificados, embora as palavras-chave -- amor inventado num, Plêiades noutro -- se mantenham.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Bom Natal

Pouco dado a festas, aprecio o Natal e comemoro-o com gosto, comendo e bebendo em família, em homenagem a um menino que (terá) nascido pobre, num estábulo, aquecido pelo bafo de animais e depois, em crescido, nos deixou ensinamentos que se seguidos pelos seus discípulos e pelos seus adversários teriam feito do Mundo um lugar bem melhor para todos. Há, também, a nostalgia da infância, quando deixava o sapato na lareira para que pela calada da noite o Menino Jesus lá deixasse prenda -- uma peúgas, talvez uns rebuçados, jamais brinquedos.

Por tudo isto, por muito mais, que não pode agora ser escrito porque a família me espera, impaciente, um bom Natal.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Cuidado com o Windows Vista!

Foi de má vontade que comecei a utilizar o Vista. Mas, tendo comprado em Maio computador novo, em que vinha pré-instalado, achei que mudar era complicado. Até comprei, para lhe fazer companhia, um Office Casa & Estudantes, com 3 licenças.
Hoje, estava eu tranquilamente concentrado na escrita, reiniciou, interrompendo-me o trabalho sem me pedir autorização, apenas informando que estava a configurar actualizações... e depois ERRO!
\boot\bcd
Tentei tudo. Procurei na NET: utilizar o CD de recuperação. Pois. Mas formata todas as partições do computador! Telefonei para a Toshiba. O mesmo. A recuperação apaga todo o disco, repondo o computador no estado em que veio da fábrica.
Recorri ao Linux e copiei as pastas Documents e Images. E depois, não tive outro remédio senão aceitar a destruição de tudo o resto. Ainda sem inventário dos estragos, sei que perdi todo o mail recebido desde Maio, as passwords armazenadas, creio que todos os registos do One Note (usava-o muito)... Precisarei de semanas para tentar repor os dados e os programas, e muita coisa estará, quase de certeza, irremediavelmente perdida. E o Office já não trabalhará porque já foi instalado 3 vezes - uma delas no computador da minha mulher, vítima de idêntico problema meses atrás.
Como é possível que o Vista, com tanta treta de segurança, simplesmente falhe após uma actualização de rotina e não haja maneira fácil e não destrutiva de o pôr a funcionar?
É muito prejuízo, em tempo e em dinheiro.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Lançamento do romance Trilhos, de José Cavalheiro


De Adelino Gonçalves, o seguinte convite para o lançamento do romance Trilhos:
"Terá lugar no Diana Bar / Biblioteca de praia da Póvoa de Varzim no dia 13 de Dezembro às 21 horas e 30 minutos.

Gostaria de os ver por lá.
Adelino Gonçalves
Editora Arcano Zero

SINOPSE
Depois de M’Africando, José Cavalheiro abre novas perspectivas em Trilhos. É um romance que nos transporta da realidade à Realidade. Obriga-nos a questionar quem somos, para onde vamos... Uma aventura que o autor nos convida a empreender levando apenas como companhia um condutor, cada um, e um veículo, o nosso Corpo, a caminho do Homem completo cujo potencial transportamos.
De nos perdermos entre veredas e sonhos, montanhas e visões, escolhas e destino em busca do Sol.
A linguagem do autor é nova com aromas exóticos e uma textura de saudades e suavidades.

Uma obra que marca quem nela embarca."

Que o lançamento corra bem e autor e a obra conheçam o sucesso. Tive já o prazer de ler M'Africando e aguardo com muita curiosidade o novo romance de José Cavalheiro.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Contador de histórias

"A vitória já não me espera" *

* verso de "Canto Moço", José Afonso
Aí por 1993/94, era Manuela Ferreira Leite ministra da Educação, os sindicatos infligiram-me derrota amarga, que me fez, pela segunda e última vez, des-sindicalizar. Estávamos a ganhar, não havia como perder, e um tal Teodoro assinou um acordo com o ME...
Saiu-me então este poema, que ninguém apreciou:

Destroçado pela derrota derramo minha amargura
Pelos caminhos deste país que já foi de vinho e mel
E a ela perdura, amarela e viscosa como fel,
Tingindo cada rosto, cada figura,
De lívida brancura

Já nada é como era dantes
e o cabelo que me vai faltando é apenas
breve indício do Inverno que se vem aproximando.
Mas o que me dói e não tem cura
neste entardecer azedo
é ver o país a adormecer cinzento
de indiferença e pasmo bafiento

Ninguém faz nada sem proveito.
Pelas auto-estradas que conduzem aos centros comerciais
telemóveis saúdam as novas catedrais
(Por aí fora, o abandono
Matas queimadas, hortas perdidas
peixes lançados ao mar
fábricas fechadas, reformas antecipadas
país de alheio dono
Desespero do desemprego, aldeias abandonadas
oh subsídio-servo-dependência!)

Não, nem orgulho ferido nem sonhos perdidos
agora já só o meu olhar camponês me magoa
como o mato à minha terra onde já nada é como era dantes...
Chove no Verão, o Inverno aquece
E o nevoeiro não tece mistérios bastantes
outros que a miséria deste Portugal que esmorece

Só sei que de lado nenhum sairá a luz que rompe as trevas
porque já nem a noite é de breu
nem os dias resplandecem
e os amanhãs não cantam,
silenciosos como a nossa triste terra.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Ao Menino Jesus


Lista, ainda incompleta, de sugestões de prendas para mim
Livros:
Um Homem: Klaus Klump/A máquina de Joseph Walser, Gonçalo Tavares, FNAC, 14,36 euros;
Myra, Maria Velho da Costa, FNAC, 14,40 euros;
A Invenção do amor e outros poemas, Daniel Filpe, FNAC, 6,24 euros;
Filmes:
Ran, os senhores da guerra, Akira Kurosawa, FNAC, 9,95 euros (qualquer outro filme de Akira Kurosawa é bem-vindo);
O grande ditador, Charlie Chaplin, FNAC, 14,95 (qualquer outro filme de Chaplin é bem-vindo);
Utilitários
Pantufas (que não escorreguem no chão molhado);
Jogo de chaves de luneta (pequenas);
(...)

As escolhas do Diabo

De um lado, as imposições do Ministério da Educação, formuladas em puro "eduquês", que visam transformar os professores em meros burocratas; do outro, o ridículo das propostas sindicais, como a que há pouco ouvi a Mário Nogueira: que a avaliação dos professores se faça este ano mediante apresentação de "relatório crítico"! O que sofri ao ler tantos, copiados uns pelos outros, mal escritos, recheados de erros de Português, idiotas do ponto de vista pedagógico e científico, insinuando imodestamente, porque sem a grandeza de Mohamed Ali, Eu sou o maior!
(Nas ruas e na televisão, comportamentos e tomadas de posição de "colegas" em que me não revejo e só me envergonham.)
Entre ME e sindicatos, que venha o Diabo e escolha. A partir de agora, eu estou fora. Derrotado, como sempre. Umas vezes pelo primeiro, outras pelos segundos.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Ministra da Educação falou e (não) disse

Há ministros e ministérios de que apenas se fala quando há problemas. Como a Educação: só quando as asneiras são reiteradas e assumem proporções escandalosas tem lugar nos espaços noticiosos. Foi assim com as colocações de professores, com os exames nacionais, com a TLEBS, agora com a avaliação de desempenho e com o Estatuto do Aluno… Mas hoje foi um exagero: vi primeiro a minha ministra numa conferência de imprensa à saída de um Conselho de Ministros extraordinário, sobre Educação, e depois, há pouco, entrevistada por Judite Sousa na 1. Confesso que não gosto de a ver e, menos ainda, de a ouvir. Protagonismo a mais para um cargo que deveria ser discreto, carecendo de mais obras e de menos conversas. Como as primeiras, certamente motivadas por boas intenções, enquanto não vão aquecer um pouco mais o Inferno, se ressentem da forma desajeitada que a sua implementação assume, esquecendo frequentemente que o porta-voz do governo é o Diário da República, comento as segundas, as conversas.

E nesta matéria, verifica-se que a senhora ministra fala de mais e diz de menos; desembrulha e encadeia lugares-comuns, em ritmo acelerado para evitar que lhe sejam colocadas questões, denota nervosismo, que nunca ajuda a persuadir, jamais responde com clareza e objectividade, tanto às questões que lhe colocam os entrevistadores como àquelas que sabe serem as nossas, as dos professores e das escolas. Se algo de importante consegui reter daquela verborreia, que como torneira aberta despejou chavões sobre chavões, é que ficará tudo na mesma. Haverá, é certo, alguma flexibilidade, mas o modelo sacrossanto, só não ungido pelo Sumo Pontífice porque este governo é laico, o modelo fica na mesma, adornado por alusões vagas, como a promessa, já anteriormente feita, mas nunca implementada, de compensações horárias para os avaliadores.

Pelo meio, por aqui e por ali, o reconhecimento do absurdo do modelo de avaliação, que ela própria propôs e continua a defender intransigentemente, com uma fé e uma arrogância que fazem, inevitavelmente, recordar a mentalidade do "orgulhosamente sós"; por exemplo, para combater o abandono escolar, cada professor, ao saber (como?) que um aluno anulou ou vai anular a matrícula (isso é abandono? E se for para fazer a disciplina em exame final, com melhor nota? Ou porque, fora da escola, há formas de fazer um ciclo de três anos em três meses, sem esforço e com sucesso assegurado?) deve reunir com o aluno, reunir o Conselho de Turma, reunir com os pais (tê-los-á? Virão à escola, se não for para espancar o professor?) Simples, não? O meu 7º A tem vinte professores. Se nenhum quiser ficar atrás dos outros, haverá vinte reuniões com cada aluno em risco de abandono, vinte com os pais de cada um deles… Não esquecer de lavrar as respectivas actas, ou faltarão as "evidências"! Ora uma colega do meu departamento tem 15 turmas, 28 alunos na maior parte delas... (Eu sei, os professores não trabalham nem querem trabalhar, viva a ministra que os há-de pôr na linha…) Quando dizemos que o modelo de avaliação é burocrático e absurdo, sabemos do que falamos. Quando a ministra diz que o vai simplificar, aguardamos legislação.

Ouvir a senhora ministra não foi uma completa perda de tempo. Fiquei a saber (1) que só terá aulas assistidas quem o pedir, por pretender ter Muito Bom ou Excelente. (Haverá professor que se considere inferior aos outros?). Só não percebo qual o problema em ter aulas assistidas. Há muitos anos que digo que as portas das minhas salas de aula estão sempre abertas – e quando o calor do Verão aperta, são, literalmente, escancaradas. (2) Que os resultados escolares dos alunos não serão tidos, por enquanto, em conta. Que pena! Há anos que não reprovo alunos, ficarei prejudicado. (3) Que qualquer professor terá o direito de ser avaliado por alguém da sua área disciplinar. Elementar, dirá qualquer Sherlock. De resto, tudo na mesma. A montanha pariu um rato – e a ministra não chega ao Ano Novo. Aposto: um dos meus romances contra um lanche ou, melhor, contra um jantar.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Avaliação de desempenho suspensa na ES Entroncamento

Os professores da Escola Secundária com 3º Ciclo do Entroncamento aprovaram, em reunião plenária realizada hoje, a suspensão do actual modelo de avaliação de desempenho, tendo havido 120 votos a favor da suspensão, 5 contra e 2 nulos.
A escola tinha já aprovado um pedido de suspensão, entretanto indeferido pela senhora ministra.
Lamento sinceramente que a cegueira e a obstinação da equipa ministerial nos tenham encurralado, trazendo para as escolas desalento, desencanto, frustração; uma classe pacata, obediente, respeitadora das hierarquias é hoje uma classe revoltada - e não é difícil prever que o pior ainda está para vir.

Para afugentar o desalento outonal



Do grande Prévert, esta obra-prima:

CHANSON DES ESCARGOTS QUI VONT À L'ENTERREMENT

"A l'enterrement d'une feuille morte

Deux escargots s'en vont
Ils ont la coquille noire
Du crêpe autour des cornes
Ils s'en vont dans le soir
Un très beau soir d'automne
Hélas quand ils arrivent
C'est déjà le printemps
Les feuilles qui étaient mortes
Sont toutes réssucitées
Et les deux escargots
Sont très désappointés
Mais voila le soleil
Le soleil qui leur dit
Prenez prenez la peine
La peine de vous asseoir
Prenez un verre de bière
Si le coeur vous en dit
Prenez si ça vous plaît
L'autocar pour Paris
Il partira ce soir
Vous verrez du pays
Mais ne prenez pas le deuil
C'est moi qui vous le dit
Ça noircit le blanc de l'oeil
Et puis ça enlaidit
Les histoires de cercueils
C'est triste et pas joli
Reprenez vous couleurs
Les couleurs de la vie
Alors toutes les bêtes
Les arbres et les plantes
Se mettent a chanter
A chanter a tue-tête
La vrai chanson vivante
La chanson de l'été
Et tout le monde de boire
Tout le monde de trinquer
C'est un très joli soir
Un joli soir d'été
Et les deux escargots
S'en retournent chez eux
Ils s'en vont très émus
Ils s'en vont très heureux
Comme ils ont beaucoup bu
Ils titubent un p'tit peu
Mais là-haut dans le ciel
La lune veille sur eux"

Jacques Prévert, Paroles

(Dois caracóis vão, carregados de luto, ao enterro de uma folha morta, numa noite de Outono; quando chegam, é já Primavera, as folhas mortas ressuscitaram, e os caracóis ficam desapontados; Mas o Sol convida-os a sentarem-se, a beberem um copo de cerveja (si le coeur vous en dit), as histórias de caixões são tristes e nada bonitas. Então todos os animais, as árvores e as plantas se põem a cantar a plenos pulmões a verdadeira canção dos seres vivos, a canção do Verão. E toda a gente a beber, e toda a gente a emborcar, é uma bela tarde de Verão. E os dois caracóis regressam a casa, comovidos, muito felizes. Como beberam bastante, vacilam um pouco, mas lá no alto do céu a Lua olha por eles.)


segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Verdade Suprema

"Ministra da Educação diz que a avaliação "está em curso em toda as escolas". Estranho... A minha escola foi uma das que pediu a suspensão - e suponho que muitas outras fizeram o mesmo. Mas não. Estamos enganados. Não pedimos a suspensão da dita cuja porque, segundo a ministra, "Não está suspensa a avaliação, não pode estar suspensa. Insisto: não se pode pedir a suspensão da avaliação. É muito importante que ela prossiga e está em curso em todas as escolas".

Diz o povo que não há pior cego do que aquele que não quer ver. Esta ministra vai ainda mais longe: não só não quer ver, não só recusa as evidências, como se obstina (de forma que me abstenho de classificar por respeito para com o cargo que desempenha) em afirmar a impossibilidade de poder haver outro ponto de vista que não o seu.
Curiosamente, ao "corrigir" o Estatuto do Aluno, outra criação genial da actual equipa ministerial, afirma ter constatado "que a aplicação do estatuto aos regulamentos internos não se fazia nos termos do próprio espírito da lei do estatuto do aluno"! Mais uma vez, a culpa é das escolas, que não sabem ler as instruções ministeriais! Não seria melhor anexar à legislação que vai produzindo as respectivas correcções aos Regulamentos Internos? E, já agora, mandar também os Projectos Educativos, Projectos Curriculares de Turma, Planos Educativos e quejandos, que tanto tempo fazem perder, inutilmente, às escolas e aos professores? Ou trata-se de castigo, para punir uma classe de calaceiros?

domingo, 16 de novembro de 2008

Ronin

Ao fim de 25 anos, interrompi o ensino do karaté, mas não a prática, que a paixão continua, tão ou mais viva do que quando comecei. O facto de não ter alunos libertou-me de responsabilidades e de compromissos - quota da federação, pertença a uma associação, programas técnicos, exames, estágios...
Como um samurai sem senhor, um ronin, estou livre para seguir o caminho que bem entender, indiferente a querelas de estilos e linhas, afastado das guerras chatas e desgastantes... E esse caminho levou-me, mais uma vez, com o meu amigo Augusto, o meu primeiro professor de karaté, a Paredes de Coura para treinar com o mestre Vilaça Pinto.
Como jovens aprendizes, dormimos no ginásio do mestre, apesar do frio cortante, treinámos sob a sua orientação, beneficiámos das suas numerosas correcções. Cansados, mas satisfeitos, com muita matéria para estudar (nós estudamos com o corpo), eis-nos já a pensar na próxima viagem a Paredes de Coura...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Uma fera!


O Rotweiller é uma verdadeira fera. Não há pantufas que lhe resistam.
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Duas meninas


Por falar em cães grandes, a Sete (June da Casa de S. Domingos). Com saudade dos dez anos em que fomos inseparáveis.
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Imperdível

Este post de João Gonçalves, "Contra a amabilidade"
Até quanto aos cães estamos de acordo: "Por isso gosto de cães grandes e detesto caniches." Acrescento: foram os pequeninos (o último foi uma cocker) que me morderam.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Quero o meu dinheiro!

Talvez sejam reminiscências do salazarismo – não sei. O que sei é que empresas como os CTT fazem a sua própria lei e têm práticas de honestidade questionável, desprezando o cidadão cliente que lhes paga os serviços.


Veja-se o que aconteceu comigo: enviei um dos meus romances à cobrança e o destinatário pagou-o prontamente; recebi o respectivo vale de correio, mas não dei a devida atenção à data limite para levantamento (não vem a propósito, mas lido mal com o tempo e raramente sei a quantas ando). O que importa é que – e a assumo total responsabilidade por esse facto – deixei passar o prazo e cinco dias depois de terminado fui aos CTT para receber o meu dinheiro. "Não pode ser", informa a funcionária. "Para receber o vale tem de fazer um pedido… e pagar 2,5 euros."


"Não pago", respondo. "O dinheiro é meu, não vejo porque é que havia de pagar para o receber. Do valor do livro, 12,5 euros, os CTT receberam, como intermediários no negócio, 7,5 euros! Receberam tudo o que quiseram, não vejo por que é que devem receber mais, visto que, entretanto, não me prestaram mais nenhum serviço."


O diálogo de surdos prolonga-se, sempre educadamente. Então, para sair dali, coloco assim a questão: "Não me pode dar o meu dinheiro porque o prazo terminou. Os CTT não podem ficar com ele porque a tal não têm direito; então, devolva-o ao comprador do livro." Não pode ser. "Então vamos oferecê-lo a uma instituição de caridade." Também não pode ser. Para se livrar dos "trilemas" (o dinheiro ou vai para quem o pagou, ou para mim, que o deveria receber, ou para caridade) a senhora vai chamar a chefe. Tudo se repete. Insisto: no caso, os CTT funcionam como entidade bancária; será que, num momento de falta de liquidez, os meus 12,5 euros ocuparam tanto espaço que, por cinco dias, me tenham de cobrar juros de 20%? Quanto não daria ao ano?


Desnecessário seria dizer que não recebi o meu dinheiro. Vou reclamar. Telefonei para os números do Provedor do Cliente – ninguém atende. Vou escrever. Quero o meu dinheiro, não pela quantia, que, mesmo assim, dá um almoço para dois no Ribeiro, mas por duas razões: é meu e não é dos CTT.

Como é que se chama a quem se apropria do alheio?

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Avaliação de desempenho

Já há quem olhe para a Avaliação de Desempenho dos professores (e para a consequente retórica ministerial) com olhos de ver. Vale a pena ler no blogue Da Literatura, o excelente post sobre o assunto, da autoria de João Paulo Sousa.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Não cuspas contra o vento...

Nada tenho a favor ou contra Rodrigues dos Santos, e não me impressiona minimamente saber que vende que se farta -- melhor para ele e para os felizardos dos seus leitores. Nem sequer me quero pronunciar sobre os seus romances, dado que, embora tenha vários em casa, não li, e creio que não lerei, nenhum deles. Não é inveja, não é má vontade, tão-somente desinteresse por uma escrita que não faz o meu género. Mas, confesso, entrevistas como esta irritam-me.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Avaliação de desempenho dos professores

Entrevistada pelo Correio da Manhã sobre a malfadada Avaliação de Desempenho dos Professores, disse a Senhora Ministra da Educação que "[S]e há procedimentos inúteis têm de ser abolidos; as escolas têm autonomia para isso. O trabalho nas escolas tem de ter sentido. Os professores são um grupo qualificado e devem organizar o seu trabalho menos burocraticamente."

Algumas questões: não seria mais adequado publicar em Diário da República legislação que permitisse abolir esses "procedimentos inúteis" e esclarecesse o "sentido" que deve ter o trabalho nas escolas? Abolir os "procedimentos inúteis" não será responsabilidade de quem os criou? Que sentido faz invocar a autonomia das escolas, sabido que é que elas podem tomar as medidas que entendam adequadas desde que sejam conformes ao estipulado pelo ME? Que tal fixar os limites dessa autonomia?

Ocorre-me, também, perguntar se em vez dos "peritos para assessoria às escolas" não seria mais barato e mais eficiente simplificar as fichas de avaliação impostas pelo ME: é nelas que reside a "burocracia", é delas que decorrem os "procedimentos inúteis "e não nos é permitido alterá-las, apesar da referida "autonomia das escolas"...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Tanta pedra!

As pedras servem para impedir as galinhas de comer as couves... o Afonso prefere as minhas às que se encontram pelo chão e, quando descobre que tenho muitas, conta-as:

Vale a pena ler

Inquérito OLAM: Frederico Lourenço

domingo, 19 de outubro de 2008

O meu ajudante

O Miguel e a mamã

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O Miguel e a mamã

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O Afonso

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Um sorriso

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O sono do Miguel



"(...) Calai-vos, águas do moinho!
Ó Mar! fala mais baixinho...
E tu, Mãe! e tu, Maria!
Pede àquela cotovia que fale mais devagar:
Não vá o João, acordar... (...)

António Nobre,
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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Medina Carreira

Falta-me a paciência para ouvir comentadores e, mais ainda, para os nossos políticos, qualquer que seja o seu campo. Por isso, mal começam a arengar, logo mudo de canal. Porém, há pouco, Medina Carreira, em conversa com Mário Crespo, conseguiu prender a minha atenção. Foi, antes de mais, a sua recusa em falar de assuntos que ainda não estudou ou de outros que considera servirem apenas para nos manter presos às televisões. Depois, o seu pessimismo esclarecido, apoiado em gráficos que até eu consigo perceber e, sobretudo, o seu comentário sobre a educação em Portugal. Disse ele que os pais deviam sair à rua, não para protestar porque na escola dos filhos falta uma funcionária, mas porque lá, como nas outras deste país, não aprendem nada. Questionou o valor dos diplomas de 12º ano e, sobretudo dos das Novas Oportunidades, criticou um ex-ministro que defendeu no mesmo programa a Escola Inclusa, que obriga a permanecer na escola alunos que lá não querem estar, com prejuízo deles próprios e dos outros, e questionou a oferta de computadores a crianças de seis anos, antes de terem uma formação de base decente, não enjeitando, no entanto, a sua possível utilidade aos doze anos.
Mesmo que ele esteja errado -- e receio que não esteja -- é uma voz a escutar atentamente.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Três notas sobre a crise financeira

(1) Não é coisa nova:
"Carlos não entendia de finanças: mas parecia-lhe que, desse modo, o país ia alegremente e lindamente para a bancarrota.
-- Num galopezinho muito seguro e muito a direito -- disse o Cohen, sorrindo. -- Ah, sobre isso, ninguém tem ilusões, meu caro senhor. Nem os próprios ministros da Fazenda!... A bancarrota é inevitável: é como quem faz uma soma..."

Eça de Queirós, Os Maias

(2) Há pouco, ouvi Obama dizer algo como: os americanos têm de passar a viver de acordo com as suas possibilidades, substituindo o cartão de crédito pela poupança.

Creio não errar ao presumir que lá, como cá, mais facilmente passará o camelo pelo buraco da agulha do que o cidadão prescindirá do cartão de crédito.

(3) Ontem recebi mais uma mensagem no telemóvel propondo-me uma transferência de 3500 euros para a minha conta. Os bancos têm mesmo falta de liquidez?

sábado, 11 de outubro de 2008

Shotokan revisitado

Hoje, em Leiria, em treino de instrutores dirigido pelo mestre Vilaça Pinto, e com karatekas que não encontrava há uns vinte anos, uns vindos do Algarve, outros do Norte, a maior parte do Centro. Regresso com o prazer de um bom treino e com a satisfação de o ter conseguido aguentar até ao fim, apesar das dores num joelho, agora diluídas nas outras de todo o corpo...
Como cantava Brel, num contexto diferente,
(...)Finalement, finalement
Il nous fallut bien du talent
Pour être vieux sans être adultes (...)

(La chanson des vieux amants)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O próximo romance?

"Quando sai o próximo romance?, perguntam-me frequentemente leitores e leitoras de Entre Cós e Alpedriz. Tenho dificuldade em explicar que não tem data prevista - pode, até, nem haver "próximo romance". Só posso garantir que trabalho duro, não em um, mas em dois projectos - mas trabalho não chega, nem sequer é garantia de qualidade. E sem que eu reconheça qualidade (outros poderão legitimamente discordar dos meus juízos de valor), não sai nada meu.

Falta-me tempo, mas não é a falta de tempo que me atrasa a escrita: é antes a incapacidade de escrever o que quero como quero, e depois, para piorar as coisas, aquilo que escrevo é sempre comparado, por mim e, provavelmente, por todos os leitores, com as obras de referência, antigas e contemporâneas!

É escusado alongar-me, procurando desculpas, descrevendo a tortura que é escrever, primeiro enfrentando o ecrã em branco, depois, frequentemente, apagando desconsoladamente o produto de horas e horas de trabalho, outras vezes avançando por páginas e páginas para mais tarde descobrir que se trata de um beco, de onde importa sair para recomeçar noutro local e de outra forma... E no fim há a dúvida, constante, insidiosa, sobre a qualidade do pouco que sobrevive à acção de DEL, essa tecla destruidora de textos...

Entretanto, enquanto não publico nada (Do lacrau e da sua picada não será publicado, conforme explicarei em breve, que hoje os olhos já se fecham), sugiro a leitura de excertos de Entre Cós e Alpedriz, a qual trará certamente pormenores e motivará interpretações que talvez tenham escapado da primeira vez. Ou a leitura de mestres da escrita, como Mário de Carvalho (Um deus passeando pela brisa da tarde, Contos Vagabundos, A Sala Magenta...), Gonçalo M. Tavares (Jerusalém, Aprender a rezar na era da técnica...), Saramago (Levantado do Chão, Memorial do Convento, Jangada de Pedra...). Ou de clássicos, como Homero, nas traduções de Frederico Lourenço - especialmente da Ilíada.

Boas leituras!

domingo, 5 de outubro de 2008

Necessidades de formação?

Se o DN transcreveu correctamente o que foi dito (ou escrito), o sr. assessor está a precisar urgentemente de formação intensiva na área do Português:

"Contactado pelo DN, o assessor de imprensa do Ministério da Educação, Rui Nunes, admitiu que a formação de professores "está a ser reorganizada", nomeadamente com novas regras para os centros de for- mação das associações de escolas que "exigem precisamente a identificação exacta das necessidades". No entanto, garantiu que além de estarem a decorrer "imensas acções de formação, nomeadamente através dos serviços ministeriais, o processo não parou. Estamos em Outubro. Até ao fim do ano vão haver muitas formações"."

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ou com a tia Sofia?


O Miguel não terá mais parecenças com a tia do que com a mãe?
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A mãe do Miguel e do Afonso


Diz a tia Sofia que o Miguel é parecido com a mãe... Será?
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terça-feira, 30 de setembro de 2008

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Conteúdos educativos

Tenho defendido publicamente, para irritação daqueles que por idealismo ingénuo ou por razões menos nobres se obstinam em ver nas ferramentas tecnológicas o Santo Graal da educação, que essas ferramentas não resolvem, por si só, nenhum dos problemas do ensino, subalternizam o papel do professor, e o seu emprego ressente-se da inexistência de conteúdos interessantes.

Por isso me agradou o artigo "Conteúdos educativos: o parente pobre do plano tecnológico", (Rui Pacheco, da Porto Editora, in PCGUIA 155, Outubro de 2008, p. 13), de onde extraí a seguinte citação:

“Há até meritórios esforços de criação de comunidades educativas em torno de plataformas como o Moodle e outras. Não obstante, os conteúdos disponibilizados são recorrentemente elementares, pouco atractivos, raramente interactivos, muito pouco multimédia e, com lamentável assiduidade, resultam, consciente ou inconscientemente, do desrespeito da propriedade intelectual alheia, isto é, da cópia ilegal de textos e imagens”.

Em vez de fazer depender a criação de conteúdos da boa vontade e da carolice de professores nem sempre devidamente preparados para essa tarefa, e sempre com crónica falta de tempo (por mim falo), não deveria o nosso governo providenciar a aquisição de materiais e conteúdos educativos com empenho igual àquele com que adquire computadores, videoprojectores e quadros electrónicos? E não deveria tomar como suas as necessidades de manutenção e de segurança, não apenas dos equipamentos, mas sobretudo dos dados armazenados pelas escolas? Quem será responsabilizado quando algo der para o torto? Direcções que, em certos casos, talvez nem façam ideia do que seja uma rede ou um servidor?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Regresso às aulas

Primeira aula, décimo ano, alunos desconhecidos. Depois de me apresentar sumariamente, peço a cada aluno que fale um pouco de si: nome, hobbies, hábitos de leitura, expectativas futuras… Corre tudo bem até que chego a uma menina:

-- Sou X e, sem querer ser malcriada, não vou responder porque não lhe diz respeito!

Confesso: foi preciso chegar ao trigésimo terceiro ano de trabalho na profissão para ouvir uma destas. E viva a avaliação diagnóstico, a da oralidade, com um peso de 25%, e as aulas de apresentação de noventa minutos, em que é preciso esticar o assunto já que não podemos terminar mais cedo…

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares


"Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever tão bem apenas aos 35 anos: dá vontade de lhe bater!", disse Saramago. Entretanto, Gonçalo Tavares publicou nos seu Livros Pretos Aprender a rezar na era da técnica, obra excelente, embora eu continue a gostar mais de Jerusalém.

domingo, 7 de setembro de 2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O Miguel, dois meses

E também a avó Zé e o Afonso.

Ai Magalhães!

É bom que façam o Magalhães, do e-escolinhas, bem robusto: clientes como o Afonso teclam com vontade.