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domingo, 8 de março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
domingo, 1 de março de 2009
Ferramentas para (a minha) escrita

Dicionário PRO de Língua Portuguesa, Porto Editora (programa informático). Mais flexível que a correspondente versão em papel. Há muitos dicionários, mas quando confronto entradas menos comuns tenho a sensação de que os respectivos verbetes seguem demasiado de perto - e menos bem - o dicionário da Porto Editora.
Dicionário Houaiss, Sinónimos e Antónimos, Círculo de Leitores. Ferramenta fantástica, oferecida pela Cláudia, uma das responsáveis pela versão portuguesa.

FLIP, o corrector da Priberam. Muito bom na correcção ortográfica, menos útil para mim na correcção sintáctica, que, no entanto, sempre faço antes da versão final. E ainda bem que o faço! Infelizmente o FLIP vive em simbiose com o Word (O FLIPED não me satisfaz) e preparar documentos longos no Word é exasperante.
E por falar em processadores de texto, não há como o velho TeX. Faz tudo o que se lhe manda fazer, como se lhe manda fazer, deixando as impressões com aspecto profissional que Word, Openoffice, etc. não conseguem sequer imitar. Uso Lyx, uma interface que torna a escrita sobre TeX muito mais simples que no Word. (No passado, usei também o Winedt, fantástico, mas menos bonito que o Lyx). Problema: uma tradução horrível dos menus (e.g., esqueçer) e a falta de um bom corrector ortográfico, o que me obriga a exportar o documento para o corrigir com o FLIP e depois a voltar ao Lyx. Complicado, trabalhoso, mas funciona.
Como curiosidade, e considerando apenas documentos longos, utilizei:
Tese de mestrado: redigida no Lyx /LaTeX;
Do lacrau e da sua picada: preparado no Winedt e no Word.
Entre Cós e Alpedriz: Winedt /LaTeX;
Escritos em curso: Lyx /LaTex.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Patranhas 100 Poesia, de Joaquim de Lisboa

Em Patranhas 100 Poesia, o autor, que rejeita "alcandorar-[se] ao pedestal de poeta", pretendendo humildemente transmitir uma visão "Do [seu] mundo e das [suas] vivências", revela, para além dessa vivência sem a qual a arte resulta estéril, sentido de humor, transversal à obra, apurado sentido rítmico e formal, capaz de conjugar som e sentido tanto em géneros tão difíceis como o soneto como em formas mais livres, mas sempre bem marcadas pelo ritmo, como a primeira quadra do soneto "Dúvidas" bem evidencia:
Limpas e puras como a água das fontes
Eu via montanhas no mais raso dos montes
Profundezas de mar em quaisquer correntezas..."
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
"Volta à terra, que batatas dá"
A mim, não só me não ofende, como o sigo à risca logo que chegam os primeiros dias bonitos de Primavera, trazendo no chilreio animado das andorinhas ânsias de sementeiras à minha alma camponesa (...)
As batatas, semeadas (ou plantadas, conforme se entenda que os tubérculos são semente ou a própria planta) multiplicar-se-ão, se o tempo correr de feição e os amanhos lhes não faltarem, proporcionando enorme prazer, e logo na apanha, assadas a murro.
Pelo contrário, a escrita, bem mais cansativa do que as sementeiras, torturante correcção após correcção – corrijo centenas de vezes, na procura da palavra exacta, da frase certa, da toada adequada – não merecerá sequer um insulto da crítica...
sábado, 21 de fevereiro de 2009
domingo, 15 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Crítica suspeita

Não tendo a proximidade de Entre Cós e Alpedriz dos Montes, dos sítios e de algumas histórias e personagens já familiares, é um bom livro, bem escrito e que deixa saudades ao acabar.
O Lacrau pode não ser o filho preferido, mas não tem porque ser mais barato! Tem tanto valor como o outro!
Encara isto como uma refilice da tua leitora (e fã) atenta e exigente, como sempre.
Beijinhos
Sofia
domingo, 8 de fevereiro de 2009
sábado, 7 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Invernia (Do lacrau e da sua picada)
O limpa pára-brisas do táxi, incessante, tentava clarear a visão no cinzento do dia ou seria já noite, néones rasgavam a apatia e explodiam em hieróglifos certamente apelando a algum prazer ocidental engarrafado, talvez a Coca-Cola, talvez a Pepsi, se há nesta história publicidade gratuita que seja democraticamente distribuída, afinal a porcaria é a mesma.
O táxi percorria andares de auto-estradas sobrepostas, cotejando arranha-céus, sob a chuva incessante. No banco traseiro, três raparigas deliciavam-se, debitando disparates e rindo perdidamente. À frente, a Lúcia, sentia-se desta vez algo deslocada, não que as colegas fossem desconhecidas, na profissão toda a gente acaba por se conhecer, para isso servem os numerosos encontros oferecidos pelas marcas. E após uma viagem interminável, tantas horas de avião, várias aterragens e descolagens rumo ao mesmo destino, todas acabam íntimas, se acaso o não eram já à partida.
Destoando da euforia geral, a Lúcia apenas sorri, recordando como muito pouco tempo atrás ela própria se deliciaria partilhando dichotes e risadas; agora não se entusiasma, estará a ficar velha? Inútil perguntar às colegas, a resposta seria afirmativa. Di-lo-iam em tom de brincadeira, mas sem nenhuma hesitação: já passara dos trinta, um filho crescidote...
Perguntou em mau Inglês ao taxista pelo Fujiama. Ele não pareceu perceber a pergunta e continuou o seu trajecto, indiferente ao que se passava no interior do táxi. As colegas, chorando até às lágrimas, traduziam para vernáculo:
— ''Queres ir para a cama comigo esta noite?'' Anima-te, rapariga, ainda consegues arranjar melhor!
Não se deu por achada; riu em solidariedade e repetiu a pergunta, desta vez dirigida às amigas: — Acham que se avista daqui?
— O quê, a coisa do amarelo? São assim... e a Tânia, a mais jovem, mostrava a ponta do dedo mindinho.
Desistiu. Talvez nem saibam o que seja o Fujiama, tudo o que conhecem do País do Sol Nascente foi o que viram há anos no Império dos Sentidos, se não fosse a televisão não haveria cultura geral. Ler mais
Invernia (Entre Cós e Alpedriz)
E um dia, inevitáveis como o Inverno que a todos atormentava, apareceram os pexins. Há meses que não podiam pescar, a fome apertava. E apertava-se a garganta dos camponeses ao verem aqueles homens valentes, que não receavam mar e temporais, pedindo esmola por amor de Deus. Os cavadores, também eles impedidos pelo mau tempo de ganhar o sustento, comoviam-se e cada um dava o que podia: um punhado de batatas miúdas, das mesmas que a mulher cozia para os porcos, uma tira de toucinho, uma ou outra maçã ou passas de uva, figos secos, uma fatia de broa e, sempre, um copo de água-pé ou um rijo mata-bicho, aquecendo o corpo e queimando as tristezas, que, bem o sabemos, nem dão de comer nem pagam dívidas.
Então, abrigados nas adegas, ouviam os pescadores horas e horas a fio enquanto fora a chuva batia nas paredes, jorrava dos beirados, corria pelas ruas, fazia transbordar as regueiras, transformando tudo num mar de água. As conversas corriam soturnas como o tempo, recordando os entes queridos levados pelo mar na longínqua Terra Nova, na costa de Peniche, às vezes até junto à Nazaré, mesmo à vista das famílias. E partiam, as ceroulas de flanela arregaçadas pelas canelas, os pés descalços, por poças e atalhos, mendigando pelas aldeias que atravessavam, guardando nos sacos de serapilheira que carregavam às costas a pobre dádiva dos pobres, a quem também escasseava o sustento para si próprios e para os seus; partiam, levando com que mitigar momentaneamente a fome à família enquanto os homens da terra permaneciam nas adegas e arribanas ou iam para a taberna beber fiado.
Como pregoeiro do mau tempo, entoando na gaita-de-beiços a triste melodia do inverno, chegou o amola-tesouras, tentando atrair freguesas com o mesmo assobio com que na Primavera se oferecia para capar os porcos, os mesmos alforges na bicicleta, de onde agora extraía um esmeril para afiar facas e tesouras, alicate e arame fino para consertar as varetas de chapéus de chuva. Também para o galego os tempos estavam maus, calcorreando estradas alagadas e caminhos de lama, a bicicleta à mão, sempre debaixo de chuva inclemente, para ganhar um cruzado aqui, outro ali.
Chegou o cesteiro, instalando-se ora numa adega ora noutra, e habilidosamente entrelaçava vergas fazendo cestos onde as camponesas transportariam ovos ou fruta, poceiros para as uvas na vindima, poceiras para a fruta que venderiam nas praças de Alcobaça ou de Pataias, poceirões onde os burros carregariam o esterco para as hortas quando o tempo levantasse. Ao contrário da formiga, trabalhava de Inverno, mas só receberia mais tarde, talvez apenas no final do Outono: — Pago-te quando vender um casco de vinho..., ambos sabendo que o mais difícil é receber, seja a jorna ganha seja o vinho vendido. (...)"
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Da Literatura: A invenção dos voluntários
Outro excelente texto de João Paulo Sousa sobre o ME e as suas ideias geniais.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
sábado, 31 de janeiro de 2009
Orgulho
"(...) E os que lêem o que escreve, / Na dor lida sentem bem, / Não as duas que ele teve, / Mas só a que eles não têm (...) (Fernando Pessoa, Autopsicografia)
O dado perde venda
A minha oferta não é desinteressada; deve ser vista como uma tentativa de chegar junto dos potenciais leitores e de os seduzir, eventualmente, para a compra dos romances em papel. Mesmo que tal não aconteça, se me lerem, já terá valido a pena.
Do lacrau e da sua picada e Entre Cós e Alpedriz podem ser descarregados no meu site. Não há, de momento, quaisquer restrições. (Um mail a informar-me do download seria simpático.)
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Dramas da escrita
Há, no entanto, um sofrimento a que nunca aludi: aquele que resulta da necessidade de escrever sobre matérias desagradáveis, pela simples razão de precisar delas lá. Foi o caso, por exemplo, das cenas de violência conjugal em Do lacrau e da sua picada ou do capítulo IX. Sol de Inverno, em Entre Cós e Alpedriz. Neste último caso, um velho, paralisado por uma trombose, vive a sua agonia... É muito duro colocar-me na pele destas personagens, sofrendo com elas, desesperando como elas -- a narrativa exige-o, mas eu resisto, protelando enquanto posso a escrita destas passagens. (Embora, depois de concluídas, não raro me orgulhe do resultado conseguido, com a sensação de ter dito o que queria, da forma como queria.)
Pois é, "quem quiser passar além do Bojador, tem de passar além da dor..."
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Do lacrau e da sua picada (início)
"Eis Setembro, que chega fresco e risonho como a Primavera, após outro Agosto infernal, de calor e de incêndios. Não nos iludamos. Nada voltará a ser como dantes: Setembro jamais será Abril, mesmo que este Sol e esta luz nos queiram convencer de que a Primavera dura todo o ano e a juventude é eterna, mesmo que a cidade pareça a mesma, com o castelo indiferente à passagem dos séculos e o Lis correndo sempre ao encontro do irmão gémeo, para juntos procurarem o mar, sonho de todos os rios.Repare-se naquele casal que passeia, braço dado, pelas ruas antigas..."
domingo, 11 de janeiro de 2009
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
As Plêiades
Manifesto
Que quase é outra cousa, porque os dias
Têm o primeiro gosto já danado.
Camões
Anda o Mundo conturbado, atormentado por cataclismos, guerras e crises económicas, e o país angustia-se, deprime-se, discute, toda a gente preocupada com a Euribor, o Benfica e a crise na educação. Só eu ando alheado de todos esses problemas e em vez de fazer contas à vida, peregrinando de banco em banco na renegociação das dívidas, agitar semanalmente lenço branco pelos estádios, me manifestar, juntando-me ao coro que entoa o “Está na hora / de a ministra ir embora…”, atormento-me com outras ralações, que aos mais apenas despertam sorrisos de comiseração: já é outra vez Natal e ainda há pouco era Verão --- os dias, as semanas, os meses, as estações e os próprios anos passam sem que os consiga afrouxar um pouco, o prazer, quando o há, tem já travo amargo, que o Inverno se aproxima inexoravelmente…

Como o Cão, farejador que busca Sentido para o que É, enquanto segue o amo pelo infinito do firmamento, por entre poeiras, planetas, estrelas, constelações e mitos, assim sou eu --- outro que busca o arremedo que seja de uma resposta que permita, senão resolver o puzzle da vida e dos seus mistérios, pelo menos encaixar uma qualquer peça neste quebra-cabeças; como me poderia então comprazer com as coisas fúteis, aceitar viver um dia, uma hora que fosse, reduzindo o meu destino a um abaixo-assinado, a uma reivindicação, a um protesto, como se o transitório fosse perene como as estrelas, repetitivo como a Noite, cíclico como as Estações, cumulativo como o Tempo?
Escrita em dia
"As Plêiades (...) / sobem através da noite imortal / como a estrela Sírio e lutam contra nós."
Pois é: a poesia fica a martelar-me na cabeça, obrigando-me a passar à escrita.
Tendo perdido a fé ingénua na limpeza dos raros concursos, que exigem o anonimato dos autores, mas nada revelam quanto aos critérios de selecção do vencedor, e não receando o plágio, atrevo-me a mostrar o início, mas não o final, de cada um desses romances.
Por razões de legibilidade, cada um deles terá o seu próprio post. Trata-se, obviamente, de rascunhos, que serão constantemente corrigidos, alterados, eventualmente até suprimidos na versão final. De igual modo, os títulos poderão ser ligeiramente modificados, embora as palavras-chave -- amor inventado num, Plêiades noutro -- se mantenham.
domingo, 4 de janeiro de 2009
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Bom Natal
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Cuidado com o Windows Vista!
Hoje, estava eu tranquilamente concentrado na escrita, reiniciou, interrompendo-me o trabalho sem me pedir autorização, apenas informando que estava a configurar actualizações... e depois ERRO!
\boot\bcd
Tentei tudo. Procurei na NET: utilizar o CD de recuperação. Pois. Mas formata todas as partições do computador! Telefonei para a Toshiba. O mesmo. A recuperação apaga todo o disco, repondo o computador no estado em que veio da fábrica.
Recorri ao Linux e copiei as pastas Documents e Images. E depois, não tive outro remédio senão aceitar a destruição de tudo o resto. Ainda sem inventário dos estragos, sei que perdi todo o mail recebido desde Maio, as passwords armazenadas, creio que todos os registos do One Note (usava-o muito)... Precisarei de semanas para tentar repor os dados e os programas, e muita coisa estará, quase de certeza, irremediavelmente perdida. E o Office já não trabalhará porque já foi instalado 3 vezes - uma delas no computador da minha mulher, vítima de idêntico problema meses atrás.
Como é possível que o Vista, com tanta treta de segurança, simplesmente falhe após uma actualização de rotina e não haja maneira fácil e não destrutiva de o pôr a funcionar?
É muito prejuízo, em tempo e em dinheiro.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Lançamento do romance Trilhos, de José Cavalheiro

"Terá lugar no Diana Bar / Biblioteca de praia da Póvoa de Varzim no dia 13 de Dezembro às 21 horas e 30 minutos.
Gostaria de os ver por lá.
Adelino Gonçalves
Editora Arcano Zero
Depois de M’Africando, José Cavalheiro abre novas perspectivas em Trilhos. É um romance que nos transporta da realidade à Realidade. Obriga-nos a questionar quem somos, para onde vamos... Uma aventura que o autor nos convida a empreender levando apenas como companhia um condutor, cada um, e um veículo, o nosso Corpo, a caminho do Homem completo cujo potencial transportamos.
De nos perdermos entre veredas e sonhos, montanhas e visões, escolhas e destino em busca do Sol.
A linguagem do autor é nova com aromas exóticos e uma textura de saudades e suavidades.
Uma obra que marca quem nela embarca."
Que o lançamento corra bem e autor e a obra conheçam o sucesso. Tive já o prazer de ler M'Africando e aguardo com muita curiosidade o novo romance de José Cavalheiro.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
"A vitória já não me espera" *
Aí por 1993/94, era Manuela Ferreira Leite ministra da Educação, os sindicatos infligiram-me derrota amarga, que me fez, pela segunda e última vez, des-sindicalizar. Estávamos a ganhar, não havia como perder, e um tal Teodoro assinou um acordo com o ME...
Saiu-me então este poema, que ninguém apreciou:
Pelos caminhos deste país que já foi de vinho e mel
E a ela perdura, amarela e viscosa como fel,
Tingindo cada rosto, cada figura,
De lívida brancura
Já nada é como era dantes
e o cabelo que me vai faltando é apenas
breve indício do Inverno que se vem aproximando.
Mas o que me dói e não tem cura
neste entardecer azedo
é ver o país a adormecer cinzento
de indiferença e pasmo bafiento
Ninguém faz nada sem proveito.
Pelas auto-estradas que conduzem aos centros comerciais
telemóveis saúdam as novas catedrais
(Por aí fora, o abandono
Matas queimadas, hortas perdidas
peixes lançados ao mar
fábricas fechadas, reformas antecipadas
país de alheio dono
Desespero do desemprego, aldeias abandonadas
oh subsídio-servo-dependência!)
Não, nem orgulho ferido nem sonhos perdidos
agora já só o meu olhar camponês me magoa
como o mato à minha terra onde já nada é como era dantes...
Chove no Verão, o Inverno aquece
E o nevoeiro não tece mistérios bastantes
outros que a miséria deste Portugal que esmorece
Só sei que de lado nenhum sairá a luz que rompe as trevas
porque já nem a noite é de breu
nem os dias resplandecem
e os amanhãs não cantam,
silenciosos como a nossa triste terra.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Ao Menino Jesus
Livros:
Um Homem: Klaus Klump/A máquina de Joseph Walser, Gonçalo Tavares, FNAC, 14,36 euros;
Myra, Maria Velho da Costa, FNAC, 14,40 euros;
A Invenção do amor e outros poemas, Daniel Filpe, FNAC, 6,24 euros;
Filmes:
Ran, os senhores da guerra, Akira Kurosawa, FNAC, 9,95 euros (qualquer outro filme de Akira Kurosawa é bem-vindo);
O grande ditador, Charlie Chaplin, FNAC, 14,95 (qualquer outro filme de Chaplin é bem-vindo);
Utilitários
Pantufas (que não escorreguem no chão molhado);
Jogo de chaves de luneta (pequenas);
As escolhas do Diabo
(Nas ruas e na televisão, comportamentos e tomadas de posição de "colegas" em que me não revejo e só me envergonham.)
Entre ME e sindicatos, que venha o Diabo e escolha. A partir de agora, eu estou fora. Derrotado, como sempre. Umas vezes pelo primeiro, outras pelos segundos.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Ministra da Educação falou e (não) disse
Há ministros e ministérios de que apenas se fala quando há problemas. Como a Educação: só quando as asneiras são reiteradas e assumem proporções escandalosas tem lugar nos espaços noticiosos. Foi assim com as colocações de professores, com os exames nacionais, com a TLEBS, agora com a avaliação de desempenho e com o Estatuto do Aluno… Mas hoje foi um exagero: vi primeiro a minha ministra numa conferência de imprensa à saída de um Conselho de Ministros extraordinário, sobre Educação, e depois, há pouco, entrevistada por Judite Sousa na 1. Confesso que não gosto de a ver e, menos ainda, de a ouvir. Protagonismo a mais para um cargo que deveria ser discreto, carecendo de mais obras e de menos conversas. Como as primeiras, certamente motivadas por boas intenções, enquanto não vão aquecer um pouco mais o Inferno, se ressentem da forma desajeitada que a sua implementação assume, esquecendo frequentemente que o porta-voz do governo é o Diário da República, comento as segundas, as conversas.
E nesta matéria, verifica-se que a senhora ministra fala de mais e diz de menos; desembrulha e encadeia lugares-comuns, em ritmo acelerado para evitar que lhe sejam colocadas questões, denota nervosismo, que nunca ajuda a persuadir, jamais responde com clareza e objectividade, tanto às questões que lhe colocam os entrevistadores como àquelas que sabe serem as nossas, as dos professores e das escolas. Se algo de importante consegui reter daquela verborreia, que como torneira aberta despejou chavões sobre chavões, é que ficará tudo na mesma. Haverá, é certo, alguma flexibilidade, mas o modelo sacrossanto, só não ungido pelo Sumo Pontífice porque este governo é laico, o modelo fica na mesma, adornado por alusões vagas, como a promessa, já anteriormente feita, mas nunca implementada, de compensações horárias para os avaliadores.
Pelo meio, por aqui e por ali, o reconhecimento do absurdo do modelo de avaliação, que ela própria propôs e continua a defender intransigentemente, com uma fé e uma arrogância que fazem, inevitavelmente, recordar a mentalidade do "orgulhosamente sós"; por exemplo, para combater o abandono escolar, cada professor, ao saber (como?) que um aluno anulou ou vai anular a matrícula (isso é abandono? E se for para fazer a disciplina em exame final, com melhor nota? Ou porque, fora da escola, há formas de fazer um ciclo de três anos em três meses, sem esforço e com sucesso assegurado?) deve reunir com o aluno, reunir o Conselho de Turma, reunir com os pais (tê-los-á? Virão à escola, se não for para espancar o professor?) Simples, não? O meu 7º A tem vinte professores. Se nenhum quiser ficar atrás dos outros, haverá vinte reuniões com cada aluno em risco de abandono, vinte com os pais de cada um deles… Não esquecer de lavrar as respectivas actas, ou faltarão as "evidências"! Ora uma colega do meu departamento tem 15 turmas, 28 alunos na maior parte delas... (Eu sei, os professores não trabalham nem querem trabalhar, viva a ministra que os há-de pôr na linha…) Quando dizemos que o modelo de avaliação é burocrático e absurdo, sabemos do que falamos. Quando a ministra diz que o vai simplificar, aguardamos legislação.
Ouvir a senhora ministra não foi uma completa perda de tempo. Fiquei a saber (1) que só terá aulas assistidas quem o pedir, por pretender ter Muito Bom ou Excelente. (Haverá professor que se considere inferior aos outros?). Só não percebo qual o problema em ter aulas assistidas. Há muitos anos que digo que as portas das minhas salas de aula estão sempre abertas – e quando o calor do Verão aperta, são, literalmente, escancaradas. (2) Que os resultados escolares dos alunos não serão tidos, por enquanto, em conta. Que pena! Há anos que não reprovo alunos, ficarei prejudicado. (3) Que qualquer professor terá o direito de ser avaliado por alguém da sua área disciplinar. Elementar, dirá qualquer Sherlock. De resto, tudo na mesma. A montanha pariu um rato – e a ministra não chega ao Ano Novo. Aposto: um dos meus romances contra um lanche ou, melhor, contra um jantar.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Avaliação de desempenho suspensa na ES Entroncamento
A escola tinha já aprovado um pedido de suspensão, entretanto indeferido pela senhora ministra.
Lamento sinceramente que a cegueira e a obstinação da equipa ministerial nos tenham encurralado, trazendo para as escolas desalento, desencanto, frustração; uma classe pacata, obediente, respeitadora das hierarquias é hoje uma classe revoltada - e não é difícil prever que o pior ainda está para vir.
Para afugentar o desalento outonal
Do grande Prévert, esta obra-prima:
CHANSON DES ESCARGOTS QUI VONT À L'ENTERREMENT
"A l'enterrement d'une feuille morte
Deux escargots s'en vont
Ils ont la coquille noire
Du crêpe autour des cornes
Ils s'en vont dans le soir
Un très beau soir d'automne
Hélas quand ils arrivent
C'est déjà le printemps
Les feuilles qui étaient mortes
Sont toutes réssucitées
Et les deux escargots
Sont très désappointés
Mais voila le soleil
Le soleil qui leur dit
Prenez prenez la peine
La peine de vous asseoir
Prenez un verre de bière
Si le coeur vous en dit
Prenez si ça vous plaît
L'autocar pour Paris
Il partira ce soir
Vous verrez du pays
Mais ne prenez pas le deuil
C'est moi qui vous le dit
Ça noircit le blanc de l'oeil
Et puis ça enlaidit
Les histoires de cercueils
C'est triste et pas joli
Reprenez vous couleurs
Les couleurs de la vie
Alors toutes les bêtes
Les arbres et les plantes
Se mettent a chanter
A chanter a tue-tête
La vrai chanson vivante
La chanson de l'été
Et tout le monde de boire
Tout le monde de trinquer
C'est un très joli soir
Un joli soir d'été
Et les deux escargots
S'en retournent chez eux
Ils s'en vont très émus
Ils s'en vont très heureux
Comme ils ont beaucoup bu
Ils titubent un p'tit peu
Mais là-haut dans le ciel
La lune veille sur eux"
Jacques Prévert, Paroles
(Dois caracóis vão, carregados de luto, ao enterro de uma folha morta, numa noite de Outono; quando chegam, é já Primavera, as folhas mortas ressuscitaram, e os caracóis ficam desapontados; Mas o Sol convida-os a sentarem-se, a beberem um copo de cerveja (si le coeur vous en dit), as histórias de caixões são tristes e nada bonitas. Então todos os animais, as árvores e as plantas se põem a cantar a plenos pulmões a verdadeira canção dos seres vivos, a canção do Verão. E toda a gente a beber, e toda a gente a emborcar, é uma bela tarde de Verão. E os dois caracóis regressam a casa, comovidos, muito felizes. Como beberam bastante, vacilam um pouco, mas lá no alto do céu a Lua olha por eles.)
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
A Verdade Suprema
Diz o povo que não há pior cego do que aquele que não quer ver. Esta ministra vai ainda mais longe: não só não quer ver, não só recusa as evidências, como se obstina (de forma que me abstenho de classificar por respeito para com o cargo que desempenha) em afirmar a impossibilidade de poder haver outro ponto de vista que não o seu.
Curiosamente, ao "corrigir" o Estatuto do Aluno, outra criação genial da actual equipa ministerial, afirma ter constatado "que a aplicação do estatuto aos regulamentos internos não se fazia nos termos do próprio espírito da lei do estatuto do aluno"! Mais uma vez, a culpa é das escolas, que não sabem ler as instruções ministeriais! Não seria melhor anexar à legislação que vai produzindo as respectivas correcções aos Regulamentos Internos? E, já agora, mandar também os Projectos Educativos, Projectos Curriculares de Turma, Planos Educativos e quejandos, que tanto tempo fazem perder, inutilmente, às escolas e aos professores? Ou trata-se de castigo, para punir uma classe de calaceiros?
domingo, 16 de novembro de 2008
Ronin
Como um samurai sem senhor, um ronin, estou livre para seguir o caminho que bem entender, indiferente a querelas de estilos e linhas, afastado das guerras chatas e desgastantes... E esse caminho levou-me, mais uma vez, com o meu amigo Augusto, o meu primeiro professor de karaté, a Paredes de Coura para treinar com o mestre Vilaça Pinto.
Como jovens aprendizes, dormimos no ginásio do mestre, apesar do frio cortante, treinámos sob a sua orientação, beneficiámos das suas numerosas correcções. Cansados, mas satisfeitos, com muita matéria para estudar (nós estudamos com o corpo), eis-nos já a pensar na próxima viagem a Paredes de Coura...


