Número total de visualizações de páginas

domingo, 8 de março de 2009

Estágio de Karaté, 6-7/03/09

Tão importante como o treino é o almoço de convívio.
Posted by Picasa

Estágio no Entroncamento

Este fim-de-semana, dirigido pelo mestre Vilaça Pinto (2º, em pé, a partir da esquerda).
Posted by Picasa

domingo, 1 de março de 2009

Ferramentas para (a minha) escrita


Parece-me indiscutível que boas ferramentas facilitam a execução do trabalho e contribuem para a sua melhor qualidade. No caso da escrita, as minhas preferidas são:
Dicionário PRO de Língua Portuguesa, Porto Editora (programa informático). Mais flexível que a correspondente versão em papel. Há muitos dicionários, mas quando confronto entradas menos comuns tenho a sensação de que os respectivos verbetes seguem demasiado de perto - e menos bem - o dicionário da Porto Editora.
Dicionário Houaiss, Sinónimos e Antónimos, Círculo de Leitores. Ferramenta fantástica, oferecida pela Cláudia, uma das responsáveis pela versão portuguesa.
FLIP, o corrector da Priberam. Muito bom na correcção ortográfica, menos útil para mim na correcção sintáctica, que, no entanto, sempre faço antes da versão final. E ainda bem que o faço! Infelizmente o FLIP vive em simbiose com o Word (O FLIPED não me satisfaz) e preparar documentos longos no Word é exasperante.
E por falar em processadores de texto, não há como o velho TeX. Faz tudo o que se lhe manda fazer, como se lhe manda fazer, deixando as impressões com aspecto profissional que Word, Openoffice, etc. não conseguem sequer imitar. Uso Lyx, uma interface que torna a escrita sobre TeX muito mais simples que no Word. (No passado, usei também o Winedt, fantástico, mas menos bonito que o Lyx). Problema: uma tradução horrível dos menus (e.g., esqueçer) e a falta de um bom corrector ortográfico, o que me obriga a exportar o documento para o corrigir com o FLIP e depois a voltar ao Lyx. Complicado, trabalhoso, mas funciona.
Como curiosidade, e considerando apenas documentos longos, utilizei:
Tese de mestrado: redigida no Lyx /LaTeX;
Do lacrau e da sua picada: preparado no Winedt e no Word.
Entre Cós e Alpedriz: Winedt /LaTeX;
Escritos em curso: Lyx /LaTex.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Patranhas 100 Poesia, de Joaquim de Lisboa


De uma só assentada, Joaquim de Lisboa publicou dois livros, um de poesia (Patranhas 100 Poesia) e outro de contos (Trinta Tretas). A modéstia revelada pelos títulos é enganadora. São obras honestas, bem arredadas das "patranhas" e "tretas" a que, modestamente, os títulos fazem referência.
Em Patranhas 100 Poesia, o autor, que rejeita "alcandorar-[se] ao pedestal de poeta", pretendendo humildemente transmitir uma visão "Do [seu] mundo e das [suas] vivências", revela, para além dessa vivência sem a qual a arte resulta estéril, sentido de humor, transversal à obra, apurado sentido rítmico e formal, capaz de conjugar som e sentido tanto em géneros tão difíceis como o soneto como em formas mais livres, mas sempre bem marcadas pelo ritmo, como a primeira quadra do soneto "Dúvidas" bem evidencia:
"Quando eu era menino eu tinha certezas
Limpas e puras como a água das fontes
Eu via montanhas no mais raso dos montes
Profundezas de mar em quaisquer correntezas..."
Não sou crítico, nem um post de um blogue é o meio adequado para realçar o mérito desta obra despretensiosa, que justifica leitura atenta, lenta, saboreando-a poema a poema, como eu próprio acabei de fazer. Parabéns, Joaquim.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

"Volta à terra, que batatas dá"

Antigamente, quando a crítica era crítica, o politicamente correcto ainda não tinha sido inventado e as origens rurais um estigma que se queria esquecer, o dito volta à terra, que batatas dá, ou o "go back to the shop, Mr. John" era rude golpe nas ambições literárias do aprendiz de escritor ou de poeta.
A mim, não só me não ofende, como o sigo à risca logo que chegam os primeiros dias bonitos de Primavera, trazendo no chilreio animado das andorinhas ânsias de sementeiras à minha alma camponesa (...)
As batatas, semeadas (ou plantadas, conforme se entenda que os tubérculos são semente ou a própria planta) multiplicar-se-ão, se o tempo correr de feição e os amanhos lhes não faltarem, proporcionando enorme prazer, e logo na apanha, assadas a murro.
Pelo contrário, a escrita, bem mais cansativa do que as sementeiras, torturante correcção após correcção – corrijo centenas de vezes, na procura da palavra exacta, da frase certa, da toada adequada – não merecerá sequer um insulto da crítica...
(Post de 2007, foto da plantação de batatas de 2009)
Posted by Picasa

Plantando batatas

O Vergílio em acção
Posted by Picasa

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Não resisto!

A remeter para o post de João Paulo Sousa, em Da Literatura. Palavras para quê?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O Miguel e o avô Zé

Posted by Picasa

O fotógrado

Nas mãos do Afonso, uma calculadora velha torna-se máquina fotográfica digital.
Posted by Picasa

O fotógrafo

É apenas uma calculadora velha -- mas o Afonso usa-a como máquina fotográfica.
Posted by Picasa

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Crítica suspeita


(...) Aproveitando o facto de estar num quarto de hotel onde só há canais espanhóis, trouxe há duas semanas o Lacrau para o ler, já que em Lisboa na vida normal é impossível ler um livro. Ora qual não é o meu espanto ao descobrir que não é um livro menor, não é um "livrinho", não é uma desilusão e muito menos um embaraço. Sempre disseste tanto mal dele que estava à espera de ler algo mesmo pobrezinho!
Não tendo a proximidade de Entre Cós e Alpedriz dos Montes, dos sítios e de algumas histórias e personagens já familiares, é um bom livro, bem escrito e que deixa saudades ao acabar.
O Lacrau pode não ser o filho preferido, mas não tem porque ser mais barato! Tem tanto valor como o outro!

Encara isto como uma refilice da tua leitora (e fã) atenta e exigente, como sempre.

Beijinhos

Sofia

domingo, 8 de fevereiro de 2009

sábado, 7 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Invernia (Do lacrau e da sua picada)

Fora do alcance da borrasca, formigas humanas buliam no fluorescente das vitrinas, andares e andares de prédios de escritórios cheios de homens e mulheres trabalhando, esquecidos do domingo, afinal não são católicos, esquecidos do santo repouso, afinal são nipónicos, nasceram para trabalhar, o espanto é só nosso, que nascemos para o descanso, abençoado seja o nosso respeito por domingos e dias santos, que a todos obriga menos aos donos dos hipermercados; esses, estão perdoados, quem se sacrifica pelos outros dá provas de amor ao próximo e seu será certamente o paraíso — na terra e, talvez, no Céu.
O limpa pára-brisas do táxi, incessante, tentava clarear a visão no cinzento do dia ou seria já noite, néones rasgavam a apatia e explodiam em hieróglifos certamente apelando a algum prazer ocidental engarrafado, talvez a Coca-Cola, talvez a Pepsi, se há nesta história publicidade gratuita que seja democraticamente distribuída, afinal a porcaria é a mesma.
O táxi percorria andares de auto-estradas sobrepostas, cotejando arranha-céus, sob a chuva incessante. No banco traseiro, três raparigas deliciavam-se, debitando disparates e rindo perdidamente. À frente, a Lúcia, sentia-se desta vez algo deslocada, não que as colegas fossem desconhecidas, na profissão toda a gente acaba por se conhecer, para isso servem os numerosos encontros oferecidos pelas marcas. E após uma viagem interminável, tantas horas de avião, várias aterragens e descolagens rumo ao mesmo destino, todas acabam íntimas, se acaso o não eram já à partida.
Destoando da euforia geral, a Lúcia apenas sorri, recordando como muito pouco tempo atrás ela própria se deliciaria partilhando dichotes e risadas; agora não se entusiasma, estará a ficar velha? Inútil perguntar às colegas, a resposta seria afirmativa. Di-lo-iam em tom de brincadeira, mas sem nenhuma hesitação: já passara dos trinta, um filho crescidote...
Perguntou em mau Inglês ao taxista pelo Fujiama. Ele não pareceu perceber a pergunta e continuou o seu trajecto, indiferente ao que se passava no interior do táxi. As colegas, chorando até às lágrimas, traduziam para vernáculo:
— ''Queres ir para a cama comigo esta noite?'' Anima-te, rapariga, ainda consegues arranjar melhor!
Não se deu por achada; riu em solidariedade e repetiu a pergunta, desta vez dirigida às amigas: — Acham que se avista daqui?
— O quê, a coisa do amarelo? São assim... e a Tânia, a mais jovem, mostrava a ponta do dedo mindinho.
Desistiu. Talvez nem saibam o que seja o Fujiama, tudo o que conhecem do País do Sol Nascente foi o que viram há anos no Império dos Sentidos, se não fosse a televisão não haveria cultura geral. Ler mais

Invernia (Entre Cós e Alpedriz)

" Chuva e vento, vento, chuva e frio. Gemia água a terra, rebentaram as nascentes, os regatos cresceram até serem novamente rios, submergiram as pontes, matando mesmo a filha do Mouco. (...)
E um dia, inevitáveis como o Inverno que a todos atormentava, apareceram os pexins. Há meses que não podiam pescar, a fome apertava. E apertava-se a garganta dos camponeses ao verem aqueles homens valentes, que não receavam mar e temporais, pedindo esmola por amor de Deus. Os cavadores, também eles impedidos pelo mau tempo de ganhar o sustento, comoviam-se e cada um dava o que podia: um punhado de batatas miúdas, das mesmas que a mulher cozia para os porcos, uma tira de toucinho, uma ou outra maçã ou passas de uva, figos secos, uma fatia de broa e, sempre, um copo de água-pé ou um rijo mata-bicho, aquecendo o corpo e queimando as tristezas, que, bem o sabemos, nem dão de comer nem pagam dívidas.
Então, abrigados nas adegas, ouviam os pescadores horas e horas a fio enquanto fora a chuva batia nas paredes, jorrava dos beirados, corria pelas ruas, fazia transbordar as regueiras, transformando tudo num mar de água. As conversas corriam soturnas como o tempo, recordando os entes queridos levados pelo mar na longínqua Terra Nova, na costa de Peniche, às vezes até junto à Nazaré, mesmo à vista das famílias. E partiam, as ceroulas de flanela arregaçadas pelas canelas, os pés descalços, por poças e atalhos, mendigando pelas aldeias que atravessavam, guardando nos sacos de serapilheira que carregavam às costas a pobre dádiva dos pobres, a quem também escasseava o sustento para si próprios e para os seus; partiam, levando com que mitigar momentaneamente a fome à família enquanto os homens da terra permaneciam nas adegas e arribanas ou iam para a taberna beber fiado.
Como pregoeiro do mau tempo, entoando na gaita-de-beiços a triste melodia do inverno, chegou o amola-tesouras, tentando atrair freguesas com o mesmo assobio com que na Primavera se oferecia para capar os porcos, os mesmos alforges na bicicleta, de onde agora extraía um esmeril para afiar facas e tesouras, alicate e arame fino para consertar as varetas de chapéus de chuva. Também para o galego os tempos estavam maus, calcorreando estradas alagadas e caminhos de lama, a bicicleta à mão, sempre debaixo de chuva inclemente, para ganhar um cruzado aqui, outro ali.
Chegou o cesteiro, instalando-se ora numa adega ora noutra, e habilidosamente entrelaçava vergas fazendo cestos onde as camponesas transportariam ovos ou fruta, poceiros para as uvas na vindima, poceiras para a fruta que venderiam nas praças de Alcobaça ou de Pataias, poceirões onde os burros carregariam o esterco para as hortas quando o tempo levantasse. Ao contrário da formiga, trabalhava de Inverno, mas só receberia mais tarde, talvez apenas no final do Outono: — Pago-te quando vender um casco de vinho..., ambos sabendo que o mais difícil é receber, seja a jorna ganha seja o vinho vendido. (...)"

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Da Literatura: A invenção dos voluntários

Da Literatura: A invenção dos voluntários
Outro excelente texto de João Paulo Sousa sobre o ME e as suas ideias geniais.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

TeX


Amanhã haverá filmes.

TeX


Para a Sofia, que quer conhecer o novo membro da família:

sábado, 31 de janeiro de 2009

Orgulho

Queixa-se o meu amigo Augusto de que a leitura de fragmentos duros, violentos, de Do lacrau e da sua picada lhe estragou uma noite de sono, tendo-lhe, até, provocado pesadelos. (Em causa, a leitura do Capítulo 4. A menina do shopping -- para mim, também foi muito duro de escrever). Saber que um médico, habituado a lidar com o sofrimento humano, ficou impressionado com um texto de ficção, deixa-me orgulhoso, convencido de que fiz bem o meu trabalho: interagir com o leitor, fazendo-o viver a situação narrada.

"(...) E os que lêem o que escreve, / Na dor lida sentem bem, / Não as duas que ele teve, / Mas só a que eles não têm (...) (Fernando Pessoa, Autopsicografia)

O dado perde venda

Dizia a minha avó. Mesmo sabendo-o, ofereço -- gratuitamente -- versões em pdf dos meus romances. Poderia tentar vendê-las num dos numerosos sites de comércio de e-books. Mas creio que os portugueses dificilmente comprarão e-books, pelo menos enquanto os respectivos leitores não se popularizarem, o que dificilmente acontecerá ao preço a que estão.
A minha oferta não é desinteressada; deve ser vista como uma tentativa de chegar junto dos potenciais leitores e de os seduzir, eventualmente, para a compra dos romances em papel. Mesmo que tal não aconteça, se me lerem, já terá valido a pena.
Do lacrau e da sua picada e Entre Cós e Alpedriz podem ser descarregados no meu site. Não há, de momento, quaisquer restrições. (Um mail a informar-me do download seria simpático.)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Dramas da escrita

Por várias vezes me referi ao sofrimento que a escrita provoca, repetindo, aliás, o que autores de todos os tempos vêm dizendo: é um suplício corrigir incessantemente, procurar que as histórias caiam com queda, caso e cadência, que as palavras adequadas ocorram pela ordem mais conveniente, perder-me durante tempos e tempos em becos sem saída que, antes, pareciam avenidas grandiosas...
Há, no entanto, um sofrimento a que nunca aludi: aquele que resulta da necessidade de escrever sobre matérias desagradáveis, pela simples razão de precisar delas . Foi o caso, por exemplo, das cenas de violência conjugal em Do lacrau e da sua picada ou do capítulo IX. Sol de Inverno, em Entre Cós e Alpedriz. Neste último caso, um velho, paralisado por uma trombose, vive a sua agonia... É muito duro colocar-me na pele destas personagens, sofrendo com elas, desesperando como elas -- a narrativa exige-o, mas eu resisto, protelando enquanto posso a escrita destas passagens. (Embora, depois de concluídas, não raro me orgulhe do resultado conseguido, com a sensação de ter dito o que queria, da forma como queria.)
Pois é, "quem quiser passar além do Bojador, tem de passar além da dor..."

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Do lacrau e da sua picada (início)

"Eis Setembro, que chega fresco e risonho como a Primavera, após outro Agosto infernal, de calor e de incêndios. Não nos iludamos. Nada voltará a ser como dantes: Setembro jamais será Abril, mesmo que este Sol e esta luz nos queiram convencer de que a Primavera dura todo o ano e a juventude é eterna, mesmo que a cidade pareça a mesma, com o castelo indiferente à passagem dos séculos e o Lis correndo sempre ao encontro do irmão gémeo, para juntos procurarem o mar, sonho de todos os rios.
Repare-se naquele casal que passeia, braço dado, pelas ruas antigas..."

Foto: Leiria

domingo, 11 de janeiro de 2009

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

As Plêiades

É um dos romances que tento escrever. Eis o início:

Manifesto
Aquilo a que já quis é tão mudado,
Que quase é outra cousa, porque os dias

Têm o primeiro gosto já danado.

Camões

Anda o Mundo conturbado, atormentado por cataclismos, guerras e crises económicas, e o país angustia-se, deprime-se, discute, toda a gente preocupada com a Euribor, o Benfica e a crise na educação. Só eu ando alheado de todos esses problemas e em vez de fazer contas à vida, peregrinando de banco em banco na renegociação das dívidas, agitar semanalmente lenço branco pelos estádios, me manifestar, juntando-me ao coro que entoa o “Está na hora / de a ministra ir embora…”, atormento-me com outras ralações, que aos mais apenas despertam sorrisos de comiseração: já é outra vez Natal e ainda há pouco era Verão --- os dias, as semanas, os meses, as estações e os próprios anos passam sem que os consiga afrouxar um pouco, o prazer, quando o há, tem já travo amargo, que o Inverno se aproxima inexoravelmente…

Como o Cão, farejador que busca Sentido para o que É, enquanto segue o amo pelo infinito do firmamento, por entre poeiras, planetas, estrelas, constelações e mitos, assim sou eu --- outro que busca o arremedo que seja de uma resposta que permita, senão resolver o puzzle da vida e dos seus mistérios, pelo menos encaixar uma qualquer peça neste quebra-cabeças; como me poderia então comprazer com as coisas fúteis, aceitar viver um dia, uma hora que fosse, reduzindo o meu destino a um abaixo-assinado, a uma reivindicação, a um protesto, como se o transitório fosse perene como as estrelas, repetitivo como a Noite, cíclico como as Estações, cumulativo como o Tempo?
Ler mais

Escrita em dia

Tento escrever dois romances -- sim, dois, quase em simultâneo. Não foi, evidentemente, premeditado: durante mais de um ano tentei concluir, ainda sem sucesso, Um amor inventado, inspirado no poema A Invenção do Amor, de Daniel Filipe. Entretanto, surgiu e pôs-se à frente, malcriadamente, uma narrativa na 1ª pessoa, absolutamente contemporânea, inspirada em versos de Álcman, o primeiro poeta ocidental conhecido, que li na tradução de Frederico Lourenço:
"As Plêiades (...) / sobem através da noite imortal / como a estrela Sírio e lutam contra nós."
Pois é: a poesia fica a martelar-me na cabeça, obrigando-me a passar à escrita.
Tendo perdido a fé ingénua na limpeza dos raros concursos, que exigem o anonimato dos autores, mas nada revelam quanto aos critérios de selecção do vencedor, e não receando o plágio, atrevo-me a mostrar o início, mas não o final, de cada um desses romances.
Por razões de legibilidade, cada um deles terá o seu próprio post. Trata-se, obviamente, de rascunhos, que serão constantemente corrigidos, alterados, eventualmente até suprimidos na versão final. De igual modo, os títulos poderão ser ligeiramente modificados, embora as palavras-chave -- amor inventado num, Plêiades noutro -- se mantenham.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Bom Natal

Pouco dado a festas, aprecio o Natal e comemoro-o com gosto, comendo e bebendo em família, em homenagem a um menino que (terá) nascido pobre, num estábulo, aquecido pelo bafo de animais e depois, em crescido, nos deixou ensinamentos que se seguidos pelos seus discípulos e pelos seus adversários teriam feito do Mundo um lugar bem melhor para todos. Há, também, a nostalgia da infância, quando deixava o sapato na lareira para que pela calada da noite o Menino Jesus lá deixasse prenda -- uma peúgas, talvez uns rebuçados, jamais brinquedos.

Por tudo isto, por muito mais, que não pode agora ser escrito porque a família me espera, impaciente, um bom Natal.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Cuidado com o Windows Vista!

Foi de má vontade que comecei a utilizar o Vista. Mas, tendo comprado em Maio computador novo, em que vinha pré-instalado, achei que mudar era complicado. Até comprei, para lhe fazer companhia, um Office Casa & Estudantes, com 3 licenças.
Hoje, estava eu tranquilamente concentrado na escrita, reiniciou, interrompendo-me o trabalho sem me pedir autorização, apenas informando que estava a configurar actualizações... e depois ERRO!
\boot\bcd
Tentei tudo. Procurei na NET: utilizar o CD de recuperação. Pois. Mas formata todas as partições do computador! Telefonei para a Toshiba. O mesmo. A recuperação apaga todo o disco, repondo o computador no estado em que veio da fábrica.
Recorri ao Linux e copiei as pastas Documents e Images. E depois, não tive outro remédio senão aceitar a destruição de tudo o resto. Ainda sem inventário dos estragos, sei que perdi todo o mail recebido desde Maio, as passwords armazenadas, creio que todos os registos do One Note (usava-o muito)... Precisarei de semanas para tentar repor os dados e os programas, e muita coisa estará, quase de certeza, irremediavelmente perdida. E o Office já não trabalhará porque já foi instalado 3 vezes - uma delas no computador da minha mulher, vítima de idêntico problema meses atrás.
Como é possível que o Vista, com tanta treta de segurança, simplesmente falhe após uma actualização de rotina e não haja maneira fácil e não destrutiva de o pôr a funcionar?
É muito prejuízo, em tempo e em dinheiro.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Lançamento do romance Trilhos, de José Cavalheiro


De Adelino Gonçalves, o seguinte convite para o lançamento do romance Trilhos:
"Terá lugar no Diana Bar / Biblioteca de praia da Póvoa de Varzim no dia 13 de Dezembro às 21 horas e 30 minutos.

Gostaria de os ver por lá.
Adelino Gonçalves
Editora Arcano Zero

SINOPSE
Depois de M’Africando, José Cavalheiro abre novas perspectivas em Trilhos. É um romance que nos transporta da realidade à Realidade. Obriga-nos a questionar quem somos, para onde vamos... Uma aventura que o autor nos convida a empreender levando apenas como companhia um condutor, cada um, e um veículo, o nosso Corpo, a caminho do Homem completo cujo potencial transportamos.
De nos perdermos entre veredas e sonhos, montanhas e visões, escolhas e destino em busca do Sol.
A linguagem do autor é nova com aromas exóticos e uma textura de saudades e suavidades.

Uma obra que marca quem nela embarca."

Que o lançamento corra bem e autor e a obra conheçam o sucesso. Tive já o prazer de ler M'Africando e aguardo com muita curiosidade o novo romance de José Cavalheiro.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Contador de histórias

"A vitória já não me espera" *

* verso de "Canto Moço", José Afonso
Aí por 1993/94, era Manuela Ferreira Leite ministra da Educação, os sindicatos infligiram-me derrota amarga, que me fez, pela segunda e última vez, des-sindicalizar. Estávamos a ganhar, não havia como perder, e um tal Teodoro assinou um acordo com o ME...
Saiu-me então este poema, que ninguém apreciou:

Destroçado pela derrota derramo minha amargura
Pelos caminhos deste país que já foi de vinho e mel
E a ela perdura, amarela e viscosa como fel,
Tingindo cada rosto, cada figura,
De lívida brancura

Já nada é como era dantes
e o cabelo que me vai faltando é apenas
breve indício do Inverno que se vem aproximando.
Mas o que me dói e não tem cura
neste entardecer azedo
é ver o país a adormecer cinzento
de indiferença e pasmo bafiento

Ninguém faz nada sem proveito.
Pelas auto-estradas que conduzem aos centros comerciais
telemóveis saúdam as novas catedrais
(Por aí fora, o abandono
Matas queimadas, hortas perdidas
peixes lançados ao mar
fábricas fechadas, reformas antecipadas
país de alheio dono
Desespero do desemprego, aldeias abandonadas
oh subsídio-servo-dependência!)

Não, nem orgulho ferido nem sonhos perdidos
agora já só o meu olhar camponês me magoa
como o mato à minha terra onde já nada é como era dantes...
Chove no Verão, o Inverno aquece
E o nevoeiro não tece mistérios bastantes
outros que a miséria deste Portugal que esmorece

Só sei que de lado nenhum sairá a luz que rompe as trevas
porque já nem a noite é de breu
nem os dias resplandecem
e os amanhãs não cantam,
silenciosos como a nossa triste terra.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Ao Menino Jesus


Lista, ainda incompleta, de sugestões de prendas para mim
Livros:
Um Homem: Klaus Klump/A máquina de Joseph Walser, Gonçalo Tavares, FNAC, 14,36 euros;
Myra, Maria Velho da Costa, FNAC, 14,40 euros;
A Invenção do amor e outros poemas, Daniel Filpe, FNAC, 6,24 euros;
Filmes:
Ran, os senhores da guerra, Akira Kurosawa, FNAC, 9,95 euros (qualquer outro filme de Akira Kurosawa é bem-vindo);
O grande ditador, Charlie Chaplin, FNAC, 14,95 (qualquer outro filme de Chaplin é bem-vindo);
Utilitários
Pantufas (que não escorreguem no chão molhado);
Jogo de chaves de luneta (pequenas);
(...)

As escolhas do Diabo

De um lado, as imposições do Ministério da Educação, formuladas em puro "eduquês", que visam transformar os professores em meros burocratas; do outro, o ridículo das propostas sindicais, como a que há pouco ouvi a Mário Nogueira: que a avaliação dos professores se faça este ano mediante apresentação de "relatório crítico"! O que sofri ao ler tantos, copiados uns pelos outros, mal escritos, recheados de erros de Português, idiotas do ponto de vista pedagógico e científico, insinuando imodestamente, porque sem a grandeza de Mohamed Ali, Eu sou o maior!
(Nas ruas e na televisão, comportamentos e tomadas de posição de "colegas" em que me não revejo e só me envergonham.)
Entre ME e sindicatos, que venha o Diabo e escolha. A partir de agora, eu estou fora. Derrotado, como sempre. Umas vezes pelo primeiro, outras pelos segundos.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Ministra da Educação falou e (não) disse

Há ministros e ministérios de que apenas se fala quando há problemas. Como a Educação: só quando as asneiras são reiteradas e assumem proporções escandalosas tem lugar nos espaços noticiosos. Foi assim com as colocações de professores, com os exames nacionais, com a TLEBS, agora com a avaliação de desempenho e com o Estatuto do Aluno… Mas hoje foi um exagero: vi primeiro a minha ministra numa conferência de imprensa à saída de um Conselho de Ministros extraordinário, sobre Educação, e depois, há pouco, entrevistada por Judite Sousa na 1. Confesso que não gosto de a ver e, menos ainda, de a ouvir. Protagonismo a mais para um cargo que deveria ser discreto, carecendo de mais obras e de menos conversas. Como as primeiras, certamente motivadas por boas intenções, enquanto não vão aquecer um pouco mais o Inferno, se ressentem da forma desajeitada que a sua implementação assume, esquecendo frequentemente que o porta-voz do governo é o Diário da República, comento as segundas, as conversas.

E nesta matéria, verifica-se que a senhora ministra fala de mais e diz de menos; desembrulha e encadeia lugares-comuns, em ritmo acelerado para evitar que lhe sejam colocadas questões, denota nervosismo, que nunca ajuda a persuadir, jamais responde com clareza e objectividade, tanto às questões que lhe colocam os entrevistadores como àquelas que sabe serem as nossas, as dos professores e das escolas. Se algo de importante consegui reter daquela verborreia, que como torneira aberta despejou chavões sobre chavões, é que ficará tudo na mesma. Haverá, é certo, alguma flexibilidade, mas o modelo sacrossanto, só não ungido pelo Sumo Pontífice porque este governo é laico, o modelo fica na mesma, adornado por alusões vagas, como a promessa, já anteriormente feita, mas nunca implementada, de compensações horárias para os avaliadores.

Pelo meio, por aqui e por ali, o reconhecimento do absurdo do modelo de avaliação, que ela própria propôs e continua a defender intransigentemente, com uma fé e uma arrogância que fazem, inevitavelmente, recordar a mentalidade do "orgulhosamente sós"; por exemplo, para combater o abandono escolar, cada professor, ao saber (como?) que um aluno anulou ou vai anular a matrícula (isso é abandono? E se for para fazer a disciplina em exame final, com melhor nota? Ou porque, fora da escola, há formas de fazer um ciclo de três anos em três meses, sem esforço e com sucesso assegurado?) deve reunir com o aluno, reunir o Conselho de Turma, reunir com os pais (tê-los-á? Virão à escola, se não for para espancar o professor?) Simples, não? O meu 7º A tem vinte professores. Se nenhum quiser ficar atrás dos outros, haverá vinte reuniões com cada aluno em risco de abandono, vinte com os pais de cada um deles… Não esquecer de lavrar as respectivas actas, ou faltarão as "evidências"! Ora uma colega do meu departamento tem 15 turmas, 28 alunos na maior parte delas... (Eu sei, os professores não trabalham nem querem trabalhar, viva a ministra que os há-de pôr na linha…) Quando dizemos que o modelo de avaliação é burocrático e absurdo, sabemos do que falamos. Quando a ministra diz que o vai simplificar, aguardamos legislação.

Ouvir a senhora ministra não foi uma completa perda de tempo. Fiquei a saber (1) que só terá aulas assistidas quem o pedir, por pretender ter Muito Bom ou Excelente. (Haverá professor que se considere inferior aos outros?). Só não percebo qual o problema em ter aulas assistidas. Há muitos anos que digo que as portas das minhas salas de aula estão sempre abertas – e quando o calor do Verão aperta, são, literalmente, escancaradas. (2) Que os resultados escolares dos alunos não serão tidos, por enquanto, em conta. Que pena! Há anos que não reprovo alunos, ficarei prejudicado. (3) Que qualquer professor terá o direito de ser avaliado por alguém da sua área disciplinar. Elementar, dirá qualquer Sherlock. De resto, tudo na mesma. A montanha pariu um rato – e a ministra não chega ao Ano Novo. Aposto: um dos meus romances contra um lanche ou, melhor, contra um jantar.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Avaliação de desempenho suspensa na ES Entroncamento

Os professores da Escola Secundária com 3º Ciclo do Entroncamento aprovaram, em reunião plenária realizada hoje, a suspensão do actual modelo de avaliação de desempenho, tendo havido 120 votos a favor da suspensão, 5 contra e 2 nulos.
A escola tinha já aprovado um pedido de suspensão, entretanto indeferido pela senhora ministra.
Lamento sinceramente que a cegueira e a obstinação da equipa ministerial nos tenham encurralado, trazendo para as escolas desalento, desencanto, frustração; uma classe pacata, obediente, respeitadora das hierarquias é hoje uma classe revoltada - e não é difícil prever que o pior ainda está para vir.

Para afugentar o desalento outonal



Do grande Prévert, esta obra-prima:

CHANSON DES ESCARGOTS QUI VONT À L'ENTERREMENT

"A l'enterrement d'une feuille morte

Deux escargots s'en vont
Ils ont la coquille noire
Du crêpe autour des cornes
Ils s'en vont dans le soir
Un très beau soir d'automne
Hélas quand ils arrivent
C'est déjà le printemps
Les feuilles qui étaient mortes
Sont toutes réssucitées
Et les deux escargots
Sont très désappointés
Mais voila le soleil
Le soleil qui leur dit
Prenez prenez la peine
La peine de vous asseoir
Prenez un verre de bière
Si le coeur vous en dit
Prenez si ça vous plaît
L'autocar pour Paris
Il partira ce soir
Vous verrez du pays
Mais ne prenez pas le deuil
C'est moi qui vous le dit
Ça noircit le blanc de l'oeil
Et puis ça enlaidit
Les histoires de cercueils
C'est triste et pas joli
Reprenez vous couleurs
Les couleurs de la vie
Alors toutes les bêtes
Les arbres et les plantes
Se mettent a chanter
A chanter a tue-tête
La vrai chanson vivante
La chanson de l'été
Et tout le monde de boire
Tout le monde de trinquer
C'est un très joli soir
Un joli soir d'été
Et les deux escargots
S'en retournent chez eux
Ils s'en vont très émus
Ils s'en vont très heureux
Comme ils ont beaucoup bu
Ils titubent un p'tit peu
Mais là-haut dans le ciel
La lune veille sur eux"

Jacques Prévert, Paroles

(Dois caracóis vão, carregados de luto, ao enterro de uma folha morta, numa noite de Outono; quando chegam, é já Primavera, as folhas mortas ressuscitaram, e os caracóis ficam desapontados; Mas o Sol convida-os a sentarem-se, a beberem um copo de cerveja (si le coeur vous en dit), as histórias de caixões são tristes e nada bonitas. Então todos os animais, as árvores e as plantas se põem a cantar a plenos pulmões a verdadeira canção dos seres vivos, a canção do Verão. E toda a gente a beber, e toda a gente a emborcar, é uma bela tarde de Verão. E os dois caracóis regressam a casa, comovidos, muito felizes. Como beberam bastante, vacilam um pouco, mas lá no alto do céu a Lua olha por eles.)


segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Verdade Suprema

"Ministra da Educação diz que a avaliação "está em curso em toda as escolas". Estranho... A minha escola foi uma das que pediu a suspensão - e suponho que muitas outras fizeram o mesmo. Mas não. Estamos enganados. Não pedimos a suspensão da dita cuja porque, segundo a ministra, "Não está suspensa a avaliação, não pode estar suspensa. Insisto: não se pode pedir a suspensão da avaliação. É muito importante que ela prossiga e está em curso em todas as escolas".

Diz o povo que não há pior cego do que aquele que não quer ver. Esta ministra vai ainda mais longe: não só não quer ver, não só recusa as evidências, como se obstina (de forma que me abstenho de classificar por respeito para com o cargo que desempenha) em afirmar a impossibilidade de poder haver outro ponto de vista que não o seu.
Curiosamente, ao "corrigir" o Estatuto do Aluno, outra criação genial da actual equipa ministerial, afirma ter constatado "que a aplicação do estatuto aos regulamentos internos não se fazia nos termos do próprio espírito da lei do estatuto do aluno"! Mais uma vez, a culpa é das escolas, que não sabem ler as instruções ministeriais! Não seria melhor anexar à legislação que vai produzindo as respectivas correcções aos Regulamentos Internos? E, já agora, mandar também os Projectos Educativos, Projectos Curriculares de Turma, Planos Educativos e quejandos, que tanto tempo fazem perder, inutilmente, às escolas e aos professores? Ou trata-se de castigo, para punir uma classe de calaceiros?

domingo, 16 de novembro de 2008

Ronin

Ao fim de 25 anos, interrompi o ensino do karaté, mas não a prática, que a paixão continua, tão ou mais viva do que quando comecei. O facto de não ter alunos libertou-me de responsabilidades e de compromissos - quota da federação, pertença a uma associação, programas técnicos, exames, estágios...
Como um samurai sem senhor, um ronin, estou livre para seguir o caminho que bem entender, indiferente a querelas de estilos e linhas, afastado das guerras chatas e desgastantes... E esse caminho levou-me, mais uma vez, com o meu amigo Augusto, o meu primeiro professor de karaté, a Paredes de Coura para treinar com o mestre Vilaça Pinto.
Como jovens aprendizes, dormimos no ginásio do mestre, apesar do frio cortante, treinámos sob a sua orientação, beneficiámos das suas numerosas correcções. Cansados, mas satisfeitos, com muita matéria para estudar (nós estudamos com o corpo), eis-nos já a pensar na próxima viagem a Paredes de Coura...