Número total de visualizações de páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Natal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Natal. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Um Natal inesquecível

Com os meus desejos de que todos, amigos e menos amigos, conhecidos e desconhecidos, tenham o melhor Natal que lhes for possível, aqui vai historieta apressada a recordar um Natal especial para mim.
" O Natal trazia invariavelmente o desapontamento: em vez de brinquedos, o Menino Jesus apenas me deixava peúgas num dos sapatinhos; no outro,  filhós desenxabidas. 
Ah, mas este ano seria diferente, bem o anunciara o sr. prior na missa de domingo, bem o confirmara a catequista: uma viúva rica da terra, contemplada com quinhentos contos de reis na lotaria, faria depois da missa uma distribuição de brinquedos às crianças pobres.
Com que euforia corremos da igreja até à casa da viúva, na ânsia de, chegando primeiro, conseguir os melhores brinquedos. Ei-los em prateleira, bem defendida por barreira de beatas: automóveis de plástico, cavalinhos de madeira, belas bolas de futebol, a imitar as de cauchu, "tátechumbo", como lhes chamávamos.
— Têm de esperar pelo sr. prior! 
Que nisto do dar, faz falta a pompa, o cerimonial, a pregação da moral, os bons conselhos.
Os meus colegas de escola e de rua, imbuídos do espírito natalício, empurravam, deitavam olhares ferozes aos outros, ameaçavam, preveniam: — Aquele carro é para mim! 
— A bola é minha!
A custo, o mulherio impedia a pilhagem. E quando o sr. prior, entretanto chegado, deu por terminada a prelecção, que nenhum de nós ouviu, hipnotizados pelos brinquedos já escolhidos, diz a viúva, milionária por graça divina:
— Agora, meninos, com compostura, cada um vai tirar um brinquedo da prateleira!
Foi um assalto. Uns empurraram as mulheres, outros furaram-lhes por entre as pernas, logo deitaram a mão ao que puderam, e abalaram em correrias triunfantes levantando o troféu conquistado.
Também eu avancei — mas a prateleira estava já vazia. 
Saía a chorar,
— Que tens, meu menino? Não gostaste da nossa festa?
E eu, a fungar: — Já não há brinquedos para mim...
— Então toma este, e a viúva estendeu-me casinha que, caída por terra, tinha escapado ao assalto infantil. Brinquedo de menina, do tamanho da cabeça do meu dedo mindinho, de consolo nulo para a criança que acabava de perder automóveis e bolas e via arruinado o sonho de que, finalmente,  o Menino Jesus, lhe desse brinquedo, por interposta pessoa que fosse... "

domingo, 22 de dezembro de 2013

Natal (Do lacrau e da sua picada)

Nem se despe, para quê a maçada, se se deita sozinha — quem a viu e quem a vê! — e sobre a cama que insiste em rodar, sempre no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, volta atrás no tempo, muito atrás, até à meninice agora tão distante, agora tão longe, nos antípodas do tempo e do espaço.
Bons tempos, esses, os da infância, quando o mundo era de confiança e se crescia feliz e protegida, ignorante de tudo, até da própria pobreza, feliz com a roupa herdada das primas, feliz com os primeiros brincos, com uma simples boneca de plástico, nua como todos nós ao nascer, para depois lhe costurar os vestidos, ajudada pela mãe ou pelas primas mais crescidas... Bons esses natais, em casa dos avós, o mau tempo lá fora... O vento, furioso, investindo contra a casa, procurando orifício por onde entrar, as mulheres ao lume cosendo, remendando, tagarelando sempre, as panelas negras como carvão fervendo as couves para os porcos, a cafeteira enfarruscada aquecendo o café de cevada ou a água com açúcar para a sossega, o sapato deixado na lareira à espera das prendas que o Menino Jesus trará pela calada da noite, descendo pela chaminé quando todos dormirem...
Depois, a cama roda em sentido oposto, os avós já morreram, primeiro ele, depois ela. Os pais instalam-se de vez na casa herdada, fazem obras, o centro da casa, passa a ser a sala de jantar, completamente modificada e mobilada, a lareira só raramente é acesa, para não sujar, o presépio dá lugar à Árvore de Natal, o Menino Jesus é substituído pelo Pai Natal; então já tudo perdeu a graça, os pais deixam-se de fitas e acabam por lhe entregar em mão as prendas.

Do lacrau e da sua picada (2008)

domingo, 23 de dezembro de 2012

Um Natal Feliz

Fragmento extraído de Do lacrau e da sua picada

As lágrimas voltarão, inevitavelmente, quando daqui a pouco a avó vir a família reunida. Retirar-se-á então da sala para não entristecer os outros, que também sofrem com a ausência da Nela.
Começam a servir as couves e o bacalhau em silêncio, as crianças salvam a situação, apesar da dor que sentem e sentirão até ao fim dos seus dias, não conseguem estar muito tempo sisudas e a sua alegria contagia os outros, primeiro o Luís, que elas macaqueiam neste momento, depois os adultos. A avó regressa, abraçam-na, acariciam-na, limpam-lhe as lágrimas, é a altura de serem felizes novamente, talvez a vida seja mesmo uma merda, que mal haverá em a aproveitar, saboreando os pequenos momentos como este, que até parecem dar-lhe sentido?
É o que todos tentam agora fazer. Dos muitos manjares apetitosos que há na nossa cozinha, poucos nos sabem tão bem como as couves com bacalhau e família reunida. À vez ou tudo ao monte, conversa-se, galhofa-se, neste momento somos todos iguais, todos igualmente importantes, os adultos calam-se para ouvir uma das pequenas contar um episódio qualquer da sua escola — já anda na quarta classe, como o tempo passa! esqueçamos também o tempo que passa, é o momento de saborear couves e vida.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal

Cinquenta anos atrás, o meu Natal não tinha azevias, nem brinquedos: o Menino Jesus, pela calada da noite, desceria pela chaminé enfarruscada e deixaria num dos meus sapatos umas peúgas, talvez camisola de lã tricotada por uma prima mais velha. Ceávamos o mesmo do costume, talvez couves com feijões e batatas, talvez os seus restos em papas de milho adubadas com um pouco de toucinho frito, sentávamo-nos à lareira que nos queimava os pés e gelava as costas, a minha mãe fritaria umas filhoses (que a minha amiga Sandra me desculpe, mas a norma que se lixe), bem para a noite chegaria o meu pai, que trabalhava até tarde, talvez já bem bebido, e era tudo.
Nem televisão, nem internet, nem postais nem sms de bom natal, nem sequer família numerosa em volta de couves com bacalhau. Sem brinquedos, excepto aqueles que eu mesmo fabricava com barro, com canas ou com paus; sem jogos, excepto a bilharda, o "coque", os jogos de "cabóis", a fruta de pomares alheios de que nos apropriávamos pé-ligeiro, as lutas, à unha, à pedrada.
Sobrevivi: as dificuldades endurecem-nos. Nem por sombras invejei então os meninos que tinham, já naquele tempo, árvore de natal recheada de coisas boas; nem por sombras me envergonho hoje do meu passado humilde, duro, de uma pobreza honrada e digna, de que nem sequer tinha grande consciência.
A todos, especialmente àqueles que me enviaram ou enviarão ainda hoje sms e mails, desejo também, sinceramente, ardentemente apesar do frio, um Bom Natal. Que talvez nunca devesse ter sido feito de prendas caras, lautas refeições, votos como este, espalhados ao vento, antes da sua pobreza original...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Azevias

Ai estas azevias...

sábado, 17 de dezembro de 2011

Presépio

Monsaraz.

Árvores de Natal


Não aprecio. Sinto-as como moda estrangeira, desagradam-me as bolas e luzes... Enfim, gostos. Mas estas, em Évora, agradaram-me:

domingo, 11 de dezembro de 2011

Má vizinhanca

É o que se me oferece dizer da atitude da Coreia do Norte, tão incomodada com uma árvore de Natal no Sul que ameaça com "consequências imprevisíveis. Bem pode o povo norte-coreano morrer à fome, que a preocupação dos seus governantes está naquilo que os vizinhos e irmãos do Sul fazem. Enfim, todos os pretextos são bons para (ameaçar) começar uma guerra.

Coreias em 'guerra' por causa de luzes de Natal (Sol)

A Coreia do Norte advertiu a Coreia do Sul sobre «consequências imprevisíveis» caso esta acenda uma árvore de Natal gigantesca nas proximidades da fronteira com a Coreia do Norte.

Três reis magros

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Representações do Natal

--- Que representa para ti o Natal?, pergunta a educadora ao Afonso.
--- Renas.
--- Mas tu nunca viste renas. Há a família, o amor, as prendas, o Menino Jesus, o Pai Natal...
--- E as renas.