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quarta-feira, 19 de abril de 2017
Sob a influência de Fernão Lopes
sexta-feira, 7 de abril de 2017
Lisboa, anos setenta
"Lisboa parece adormecida, como se a chuva a tivesse anoitecido prematuramente, há-de chegar o tempo em que nunca dorme, por agora apenas no Bairro Alto, no Cais Sodré, no Intendente, há arremedos de diversão nocturna, se se pode chamar diversão a arruaças protagonizadas por marinheiros bêbedos da esquadra americana que mal fundearam no Tejo logo correram às putas, outros, de gostos diferentes, fingindo que o fazem por brincadeira, seguem travesti mais produzido que corista do Parque Mayer, onde os burgueses assistem pacatos a revista com umas piadas políticas benevolamente toleradas pelo regime, e o travesti vai ser famoso na sua velhice, quando, mais plastificado que estômago de tartaruga marinha, fizer as capas das revistas de cabeleireira, por viela escura dois marines seguem o R, dos Marinheiros alcunhado, poeta famoso e paneleiro lendário, lá mais para a noite estalarão as tais rixas, pancadaria rija entre os bravos chulos lusos, quais cavaleiros andantes a baterem-se por suas damas, e estes americanos amaricados — que dentro de poucas semanas receberão baptismo de fogo no delta do Mekong e em feroz batalha provarão, mais uma vez, que para a guerra não há como os panascas, como é sobejamente sabido desde os duros espartanos, o grande Filipe da Macedónia, o seu filho Alexandre, magno conquistador e maior pederasta, Júlio, César Augusto, o homem de todas as mulheres e a mulher de todos os homens, os famosos generais ingleses…
Afora putedo, paneleiros e revista no Parque Mayer, a vida nocturna da cidade resume-se a convívio pacato de oposicionistas nos seus cafés, na cervejaria Trindade, também os estudantes se encontram a pretexto do estudo nos cafés, alguns estão no Apolo 70 a ver A Semente do Diabo, e pouco mais, a capital do Império é serena, vive tranquila entre portas, culpa das televisões compradas a prestações que fixam as gentes nos seus lares, eléctricos e autocarros circulam quase vazios, o metro fechou antes da meia-noite, e a cidade repousa já, das Avenidas Novas até às barracas de Chelas, onde chega de táxi o Zé, acompanha-o outro Zé, mas tratemo-los pelos pseudónimos revolucionários, Pedro e Gustavo, adoptados a partir das iniciais do Comité de Luta Anti Colonial do Instituto Comercial, o "Guerra do Povo"."
Inédito meu, de romance em construção.
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Ni Dieu ni Maître
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
1972 (outro fragmento)
terça-feira, 16 de agosto de 2016
1972
segunda-feira, 23 de maio de 2016
Vaidade
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Chuva e fome
domingo, 7 de fevereiro de 2016
Um amor inventado (excerto)
"Em cima, o sobrado parara de ranger e o silêncio profundo envolve novamente a pensão; em baixo, o Jorge esforça-se por se manter acordado para dizer das boas ao João quando voltar. Mas o João não pode descer, novamente preso entre as pernas da criada, que como tenazes o retêm dentro de si, ensinando-lhe que amar requer tempo e vagar; ternamente, a Berta olha-o das profundezas dos seus olhos verdes, diz-lhe meiguices como ele nunca ouviu e certamente jamais ouviria se não saísse da aldeia natal e a encontrasse tão longe, na Pensão Estrela, nos contrafortes da serra do mesmo nome, e arrulha, arrulha, mergulhando pelos olhos dele dentro à procura da alma, talvez para confirmar se se ajusta tão bem à sua como a boca dele ao seu mamilo esquerdo; a barba do companheiro pica-a e inocentemente diz que quando se casarem será melhor ele barbear-se à noite; esquece que o rapaz está completamente saciado, tão depressa não precisará de mulher e, quanto a casamento, Deus o livre enquanto puder — e quando casar não será com uma sopeira, mesmo tendo-se deitado uma noite com ela, ele, que ela terá passado sabe-se lá quantas, vá-se lá saber com quem! As pernas que o retêm, impedindo de sair de dentro dela o que restava dele, empurram-no furiosamente, a mão direita explode na cara do João com o som seco de um tiro de pistola, e é fera assanhada que grita, baixinho, para não provocar escândalo, apontando a porta — que desapareça dali. A surpresa da agressão, a violência da bofetada, dessa primeira vez em que ela lhe bateu, a indignação da moça, levam-no a não querer ser expulso como cão que entra na igreja apenas porque a porta está aberta. É ele que tenta emendar a asneira, é ela que tapa a cara com as mãos e o repele de si com os cotovelos, nua como nasceu, e tão brava está que nem o ouve, fala, fala: bem a enganou, julgou-o diferente dos outros, mas é apenas mais um porco que depois de se espojar volta para o seu masseiro e o seu curral; se já tem o que queria, ou mais do que isso até, porque não desaparece, dali, da vida dela?
Desorientado, exausto e sonolento, o João não sabe o que quer, mas sabe que não pode deixar a moça naquele estado e não acha justo depois de tudo o que ela lhe deu portar-se de forma tão ingrata, como peixe astuto que comeu a isca e escarnece do anzol. A Berta chora inconsolavelmente, enrolada no divã, os joelhos encostados ao queixo, uma das mãos cobrindo os olhos, ou para o não ver, ou para esconder dele a sua nudez, sabido que é assim que as mulheres reagem por pudor, diferentemente dos homens, que, se surpreendidos nus, se obstinam em ocultar com as mãos o que lhes pende entre as pernas; cauteloso como aranha que se aproxima da fêmea, receoso daqueles cotovelos, perigosos e cegos, batem por instinto naquilo que lhes toca, aproxima-se e diz: — Gosto de ti!, a única frase bonita e sincera que lhe ocorre naquele momento de desorientação. Não foi grande coisa, mas a Berta já sabe que não é dado à retórica; virou para ele os olhos verdes e, por entre lágrimas de desilusão e de raiva, surpreendeu-se: — O quê?
Timidamente, o João repetiu o que antes dissera. Então ela deitou-lhe ao pescoço os braços que antes o repeliam, encharcou-o nas lágrimas que não cessavam de correr, e sem deixar que os olhos dele fugissem dos seus, repetiu-lhe, através deles, que nunca mais, mas nunca mais, lhe dissesse aquelas coisas feias; não o queria contrariado um instante que fosse junto de si; solteiro ou casado, podia deixá-la quando quisesse se não gostasse mais dela; mas sem ordinarices, entendia?
Estranha o rapaz que as lágrimas femininas aticem aquela parte do corpo que já esmorecera, suplicando por repouso... Quem diria que têm esse efeito, ao tombarem sobre os homens?"
Um amor inventado, JCC
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Um amor inventado
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Entre Cós e Alpedriz
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Agradecimento
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Epigrama do meu trovador
"Raramente via a meu primo, que fazia alguma vida social, convidado amiúde para ceias em casa de burgueses ricos e grandes senhores, a quem deleitava com histórias das suas andanças por essa Europa nos seus anos de expatriado, ao serviço de duques e príncipes — eram sobretudo as senhoras da casa, seduzidas pelo exotismo de reinos longínquos, sempre ansiosas por conhecer as grandes capitais europeias, por saber quais as modas, as intrigas, as paixões dos grandes senhores e senhoras. E meu primo, com os seus dons de contador de histórias, e o seu jeito nunca perdido para rimas e outras coisas de folgar e gentilezas, recriava suas narrativas, embelezava-as, pois, mais do que a verdade das histórias, importa o saber contá-las. (...)
E falava então do desprezo que sentia por estas matronas que o tentavam seduzir descaradamente, sem pensarem antes que o esborrachariam sob o seu peso. Improvisara-lhes até epigrama:
Um trovador serôdio
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Setembro
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
À conquista de Ceuta
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Entre Cós e Alpedriz no Andanças Medievais
Entre Cós e Alpedriz
domingo, 31 de agosto de 2014
Contra o fecho de escolas
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Incêndio na aldeia
sábado, 14 de junho de 2014
Entre Cós e Alpedriz
António Severino publicou no seu blogue Kontestu uma nota de leitura sobre o meu romance Entre Cós e Alpedriz.Muito obrigado!
