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sábado, 7 de maio de 2016

Verão Quente (2)

A FBP, pistola metralhadora do sargento de serviço, deu em disparar crivando de balas a parede em frente à qual os soldados alinhavam para a formatura da manhã -- e eles, mandando a disciplina ao tal sítio, instantaneamente se lançaram por terra.
-- O meu sargento é doido ou quê?
O pobre sargento de dia, incapaz de controlar a arma, que disparava incessantemente em todas as direcções, gritava em pânico: -- Venham-me cá parar isto!
-- Vamos mas é o c...! Tire o dedo do gatilho, vire essa merda para o ar!
A FBP só parou de disparar quando esvaziou o carregador...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O hippie vai à tropa

Levantado fardamento e arma, doravante o nosso anjo da guarda, minha companhia noite e dia, assim nos doutrinam, formámos por alturas, mais ou menos desalinhados, 
— Nos rangers, resmunga o comandante de pelotão, um aspirante, alinhávamos a tiro de pistola! Ai de quem avançasse o nariz!
Nenhum de nós se atreve a rir. Esta gente é doida. E para camarada lisboeta, hippie de barbicha e cabeleira pelos ombros, tal e qual o Che Guevara, que antes da formatura tocava guitarra na espingarda guinchando Almost cut my hair: — Você devia ir cortar o cabelo, aparar a barba, antes que o nosso capitão o veja...
Não, não cortava. Que lhe mostrasse o artigo do RDM que proibia cabelo comprido. 
— É consigo. Se fosse eu, ia já cortá-lo. E passou aos rudimentos de ordem unida.
Implica comigo. Pudera. Colocou-me na vanguarda por ser o mais pequeno, onde dou inevitavelmente nas vistas. Desengonçado, sem aprumo. Sem brio militar — pois se o que eu quero é livrar-me da tropa! Como quase todos os outros. Muito poucos conseguirão. Dos três incorporados da minha terra, safar-se-á um por miopia, bem mais grave do que a minha, outro por ser tão gordo que não há fardamento que lhe sirva...
Para o final da manhã, juntamo-nos aos outros pelotões, já formados na parada. O capitão arenga. A armar-se em gajo porreiro, feliz por o 25 de Abril o ter libertado do autoritarismo, que, diz, detestava; agora o discurso é pedagógico: tudo o que nos vai ser exigido é para nosso bem. Os castigos não devem ser recebidos como humilhação, antes como correcção, e servem para melhorar a nossa condição física; o órgão recreativo, e nós rimos do jogo de palavras do capitão, quer-se lavado para evitar chatos e coceiras.  As botas devem estar sempre engraxadas, não para parecermos nazis dos filmes, mas porque se conservam melhor e são mais confortáveis; a farda irrepreensivelmente limpa e engomada por questão de brio e de higiene; as excrescências pilosas... bom, havia que distinguir. E passeava entre nós, mirando, discreteando. Barbas, bom, aceita-as nos comandos, ou nos fuzas na Guiné, de onde tinha regressado recentemente, para dar ar aterrador às tropas especiais; não as mandava cortar, mas então que as cuidassem, que as aparassem; bigodes como o meu, e olha-me trocista, precisavam de ser engraxados; o cabelo, curto para não enredar nos matos nas duras provas que nos aguardavam ou, e provocou mais risos, alimentar piolhos. 
Aguardávamos curiosos o que diria do camarada hippie. Nada. Nem pareceu vê-lo. E ninguém mais lhe chamou a atenção para o cabelo comprido. Parecia ter ganho.
No sábado, após o cross, formámos na parada para a revista que antecedia a saída de fim-de-semana. Inspeccionadas as fardas, avaliado o reluzente das botas, o comandante de pelotão distribui os passaportes que autorizam a saída. 
À voz de "Destroçar!", ouvi o camarada das gadelhas: 
— Meu aspirante, falta o meu!
— Ah pois, esquecia-me. 
E risonho entregou-lho — rasgadinho em inúmeros pedaços.
Quando regressei, na segunda-feira de madrugada, o camarada hippie estava irreconhecível, cabelo cortado à escovinha. Voluntariamente.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O lateiro

O lateiro* (Da série, Na tropa)
Sofria então do apetite voraz dos vinte anos, agravado por exercícios físicos intensos e castigos frequentes. Com motivo, sem motivo, ou por dá cá aquela palha,
-- Tá a encher! Faça (a fórmula de tratamento era sempre respeitosa) aí trinta flexões e dez cangurus!
ou porque todo o pelotão era castigado,
-- Mais dez!
ou por recusar parvoíces,
-- Vá dar vinte àquela árvore! 
--  Então faz já vinte flexões aí. Protesto: corre água por baixo. -- Assim, são cinquenta. Se as fizer bem feitas não se molha! 
Mas os braços exaustos mal conseguiam levantar a barriga do chão. 
-- Mais vinte, que essas foram aldrabadas!
E nos crosses que antecediam a saída de fim‑de‑semana, que fazíamos com as botas da tropa,  a farda de trabalho, os arreios, os carregadores e o cantil, ambos vazios, muitas vezes carreguei, para além da minha G3, a de camaradas menos robustos fisicamente: enquanto não estivesse todo o pelotão formado e impecavelmente arranjado na parada, não havia saídas para ninguém. Ora não podia perder a única carreira do sábado à tarde para a minha terra...
Pois a fome era constante, a fraqueza muita, a comida péssima.
-- Como é que está o prato, perguntavam-me os camaradas, antes de se atreverem a provar. Se dizia "Está bom", traduziam por "Pode-se comer". Caso contrário, ficavam-se pela sopa e pelo "casqueiro", o saboroso pão estaladiço, cozido no quartel. E seguiam para a camarata, a completar a magra refeição com  pitéus -- alheiras, chouriços, queijo, bolos, tudo trazido de casa em cada fim-de-semana, e, quando havia saídas à noite, enchiam-se de tostas, sandes e galões nos cafés da cidade. Não eu, que não podia, nem queria: obrigam-me a estar aqui, têm de me alimentar. 
Logo ao pequeno almoço, enfiava dentro de carcaça um pacote inteiro de 250 gramas de manteiga genuína, único luxo alimentar da minha recruta, e empurrava aquilo com a mixórdia de café com leite em pó, a que, dizia-se, adicionavam químicos para tirar a tesão. Ao almoço e ao jantar, virava a travessa, se os outros, apetite perdido à vista dos manjares servidos, apenas sujavam os pratos de segundo para não serem acusados de levantamento de rancho e se retiravam enojados a comer dos armários.
Pois num belo dia de muita chuva, em que rastejávamos pela lama, rolávamos por ribanceiras, treinávamos a "queda na máscara" sobre urzes e espinheiros, o aspirante confidenciou: -- Hoje há rancho melhorado! E não revelava que prato seria esse a substituir o maldito espaguete gorduroso, que fiquei a odiar para o resto da vida, ou o arroz espapaçado, adubado talvez com um ou dois estilhaços de carne horrível. 
Aguardávamos impacientes na formatura por ordem de entrada no refeitório. Os longos minutos pareciam horas, depois passaram a horas. Mais de duas, de pé, na descansada posição de Descansar. Desesperava com fome, receava desmaiar de fraqueza, como vira já suceder a outros. 
Eis que surge o comandante de companhia. com as duas notícias da praxe, uma boa: teríamos frango assado; outra má: tinha havido uma avaria na cozinha! E pedia voluntários para ajudar, não é a vossa função, senhores instruendos, mas para almoçarem mais depressa...
Sabia, tal como todos os outros, que na tropa nunca se deve ser voluntário para nada. Mas a fome era negra e avancei, na esperança de, uma vez dentro da cozinha, deitar mão a perna de frango, a asa que fosse...
E pela primeira vez entrei na cozinha de um quartel. Cheiro nauseabundo. Porcarias por todo o lado. Chão imundo, gorduroso. E vi, com estes dois que a terra há-de comer, tarde, espero, um soldado a limpá-lo com esfregona, a mesma que de seguida introduziu numa das enormes panelas antes de outro para lá despejar o arroz que iria acompanhar o frango assado.
Nunca mais entrei na cozinha de um quartel -- mas aquele cheiro nauseante, inconfundível,permanece entranhado nas minhas memórias quarenta anos depois.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Não me falem de tropa!

-- Não me fales de tropa! Já não posso ouvir falar de tropa!
Desabafo concluído, os moços acabados de chegar do quartel para breve fim-de-semana não falavam de outra coisa. Alguns, poucos, pela patente militar ou pelo estatuto social, eram rodeados por ouvintes respeitosos, que lhes bebiam sôfregos as palavras. Mas os zés-ninguém tinham de se esforçar para conseguirem um pouco de atenção para as suas histórias já gastas, e alteravam enredos, procuravam o exótico, sublinhavam o picaresco, deitavam mão às artimanhas que a fala permite para prender ouvintes -- imitavam os linguajares dos bimbos ou dos algarvios, variavam o tom de voz, enfatizavam os gestos, abusavam dos trejeitos, para que os não os interrompessem: -- Essa já conhecemos! -- e antecipassem imediatamente o final.
Como eles, com quarenta anos de atraso, também eu me proponho dar vida um punhado de historietas banais do meu tempo de tropa, ciente de que hoje, menos ainda do que na época, a poucos interessarão:
 -- Não me fales de tropa! Já não posso ouvir falar de tropa!
Não há problema. Como se diz na minha terra, a quem não quer tenho eu muito que dar.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Quarenta anos atrás...

Dá vontade de rir pensar que este bando de miúdos enfezados, engravatados, eram soldados– instruendos e estavam a ser duramente preparados para a guerra e para nela comandarem praças pelas picadas de Angola – Spínola pretendia descolonizar as restantes “províncias ultramarinas”, mas preservar a jóia do Império.
Este é o meu pelotão, um dos cinco de cada uma das cinco companhias de instruendos do quartel, comandado pelo aspirante, atrás, ao meio, facilmente identificável por ser o único de quico. Um ranger. Dos duros. Não parece, pois não? Fosse hoje e veríamos no seu lugar matulão culturista, cara borrada, ar de mau, não com a farda de trabalho, mas envergando imponente camuflado, mangas arregaçadas a exibir os poderosos músculos. Mudam-se os tempos, mudam-se os soldados.
Sou o terceiro a contar da direita, na fila do meio, óculos e bigode. Incorporado à força, aos vinte anos, exactamente quarenta anos atrás, no Regimento de Infantaria n. 7, de Leiria. Deram-me fardamento, a descontar no pré, uma G3 para companhia permanente, um lugar num beliche duma camarata, pespegaram-me ao peito letreiro com um número para saber que de indivíduo passava a soldado-instruendo 1093/975.
Saudades? Nenhumas. Não gostei da tropa, da ordem unida, da vida regulada pelos toques de clarim, das formaturas, dos discursos intermináveis sofridos na parada na posição nada descansada de "descanso", da comida que hoje não dariam aos porcos, dos castigos por dá cá aquela palha, dos fins-de-semana cortados, da instabilidade que o ambiente de pré-guerra civil causava. 
Porém, estive lá. Contrariado, mas estive. Quarenta anos atrás, que passaram quase sem que desse por eles.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Vossa senhoria meu alferes

À tardinha, a cidade coloria-se com o verde das fardas quando os soldados que não estavam de serviço nem castigados tinham "passaporte" para sair — só quem fez a tropa naqueles anos pode compreende a ânsia, igual talvez à do presidiário, de sair um pouco do quartel e esquecer por umas breves horas o serviço militar obrigatório.
Eu tinha uns dezasseis anos, frequentava o último ano do curso comercial e o meu companheiro, trajado à civil, contava-me orgulhoso a sua tropa, a querer impressionar-me, desejoso de conseguir a minha admiração, mostrar-me que era o senhor alferes e não o estudante tímido, discreto, educado, simpático, que terminara o liceu no ano anterior. Ao passarmos por pequeno grupo de recrutas agarrados aos apontamentos, a marrarem para não acabarem atiradores nas matas da Guiné, provoca-os:
— Estou farto destes gajos! É só feijão verde!
A injustiça sempre me repugnou.  Puxei-o pelo braço, a tentar afastá-lo, mudar de conversa. Sem sucesso. Ele insistia nas provocações.
— Muito estudam estes caralhos!
Um soldado resmunga protesto entre dentes.
E ele inchado como sapo: — O quê? Você sabe com quem está a falar? E puxava da carteira, a identificar-se como oficial da odiada Polícia Militar, para me mostrar o seu poderio, a sua capacidade de humilhar, de obrigar o pobre soldado a rebaixar-se.
Afastei-me enojado. E nunca mais lhe falei.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O Portimão (3)


O Portimão endireitara-se. Era o que dizia o comandante do destacamento, cheio de fé na bondade humana. Eu desconfiava. 
-- Aquilo foi o vinho, como ele disse. O raspanete que lhe demos serviu-lhe de emenda. Não volta a fazer asneiras. Veja como anda sossegado, envergonhado até. 
Eu calava as discordâncias. Tinha apenas 21 anos, mas farejava a dissimulação. Via o Portimão como cobra que rasteja humilde, a evitar dar nas vistas, para melhor atacar à traição. 
-- Olhe, dizia-me o major levando-me a passear de braço dado pela parada sob olhares escarninhos dos prontos, -- Pediu-me uma pistola...
Atónito, interrompi o passeio, olhei-o nos olhos: -- Meu major, ele é o armeiro, tem o quarto atravancado com G3! Até em cima de um dos beliches!
E o comandante, pacientemente: -- Eu sei. Mas diz ele que se lhe aparecer alguém de noite ao postigo precisa de uma arma pequenina. Como você está de serviço este fim-de-semana e não temos mais Walters, damos-lhe a sua. 
De sargento de dia, desarmado! Que figura a minha!
O major insistiu. E eu entreguei-lhe a pistola, com balas no carregador, conseguidas com grande dificuldade.
Os recrutas, em plenário dinamizado pelos SUV (Soldados Unidos Vencerão!), tinham aprovado medidas revolucionárias: não rastejar na prova de técnica de combate porque o chão estava lamacento, e não fazer serviços, pelo que na sexta-feira à tarde o quartel esvaziou. 
Desabafei com o alferes que ficou de serviço: -- Já viste a minha figura de palhaço, sargento de dia desarmado? E logo para dar a minha arma ao Portimão, que já tem duzentas...
Tranquilizou-me. Com o quartel deserto, não haveria novidades. -- Olha, a minha mulher e o meu cunhado vêm ter comigo e dormem cá, não faltam quartos livres. Porque é que não vais para casa?
Sair do quartel, dormir em casa, com a minha mulher? Irrecusável. Portanto, desenfiei-me.
Regressei no domingo, antes do restante pessoal. E o pobre alferes contou-me a toirada da noite anterior: o Portimão embebedara-se outra vez e não tendo ninguém com quem brigar na nossa unidade, foi armar desacatos para o bar dos sargentos de um quartel vizinho. Chamado o nosso oficial de dia a repor a ordem, ameaçou matá-lo com a minha pistola... A custo conseguiu levá-lo de volta, teve outras vezes a arma apontada à cara, bala na câmara, sem se poder afastar até que a bebedeira passasse, temeroso pela mulher e cunhado, escondidos na ala dos oficiais...
Não era possível abafar o ocorrido. O Portimão foi recambiado para o nosso quartel de origem, Torres Novas, onde, como contei, acabou caído na parada, atingido por estilhaços, um testículo a menos...  

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Portimão (2)


Fui destacado, com uma dúzia de camaradas, quase todos na foto, para dar uma recruta em Santa Margarida, campo militar em lugar ermo, com longa avenida entre numerosos quartéis, cada qual com a sua autonomia. Logo numa das primeiras noites, estava eu de sargento de dia, e chamam-me à caserna dos recrutas. O Portimão, bêbedo, ameaçava os  moços, a extorquir-lhes dinheiro, bebidas, enchidos, chocolates.  Cheguei-me às boas, a tentar levá-lo dali para fora. Recusou sair: queria o bagaço, que, dizia, os recrutas tinham escondido nos armários. 
-- Venha então daí, e peguei-lhe amigavelmente no braço, vamos ao bar, que lhe pago um copo.
Intempestivamente, libertou-se com um safanão, apontou-me a G3 à cara, a dois passos de distância, meteu bala na câmara, grunhiu: -- Sei usar esta merda!
Nem me apercebi do perigo que corria. Inútil a Walter de serviço, sem balas. Pistola e braçadeira eram meros adereços, distintivos da função. 
Avancei para ele, desviei o cano a arma, -- Oiça lá, meu sacana. É assim que me agradece por o safar das porradas quando está desenfiado do serviço, como aconteceu ainda no mês passado, você a dormir e o posto de sentinela vazio?
-- Isso não é agora para aqui chamado, contrapôs, aparentemente desorientado. 
-- Aí não é? Eu faço-lhe bem e você aponta-me essa merda? É assim que me agradece?
Por entre palavrões e ameaças afastou-se e refugiou-se no quarto. 
Queixa apresentada, o comandante do destacamento, major que havia feito a descolonização de São Tomé e Príncipe, chamou-o ao seu gabinete na minha presença. E o Portimão, que tinha cursado com distinção a escola de malandragem, desfez-se em falinhas mansas, tom humilde, confessou-se arrependido, fora o vinho, blá, blá...
Continuou connosco até ao fim-de-semana, quando armou zaragata tal que o bonzinho do major teve de o devolver ao nosso quartel de origem, Torres Novas.  E eu só me não vi envolvido porque estava desenfiado... Matéria para o próximo post, o último da série.
FOTO: em Santa Margarida, 1975. Sou (fui) o primeiro à direita, agachado.

domingo, 16 de dezembro de 2012

O Portimão (1)


Em 1975, durante toda uma noite, um soldado pronto, o Portimão, infernizou o quartel de Torres Novas, disparando rajada sobre rajada sobre tudo o que mexia. E nós, resguardados nas esquinas, perguntávamos Porquê?, como se mau vinho e muita ruindade não fossem resposta suficiente. Gritava ele, enquanto recarregava a G3: havia de matar o comandante, o segundo comandante, o sargento da companhia...
Por volta da meia noite saiu do quartel, paredes meias com a vila. Desarmou pobre polícia, que em pânico se atirou às águas imundas e gélidas do Almonda e a nado fugiu para a outra margem. Então, não encontrando a quem perseguir na vila deserta, reentrou no quartel sem que o frio da noite lhe tivesse arrefecido a fúria assassina.
Da capital chegaram ordens para o abater. Perplexos, cruzámos olhares: ninguém com coragem para disparar sobre camarada de armas. Mas agora, com balas reais nos carregadores, já não era só fugir, respondia-se ao fogo, evitando atirar à figura. E o Portimão caiu atingido por estilhaços de rajada, vários ferimentos ligeiros, um testículo a menos, Presídio Militar como destino. Para meu grande alívio, por razões que contarei no próximo post.