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terça-feira, 20 de junho de 2017
O povo
domingo, 18 de junho de 2017
Vergonha!
segunda-feira, 22 de maio de 2017
Da queda familiar para os negócios
O meu pai já tinha vendido a fruta com melhor calibre e aspecto. Mas na adega, que outrora fora de vinho, empilhavam-se caixas com pêras e maçãs miúdas, verdoengas, algumas com pedrado.
Terá sido sugestão de companheiro de copos, dos muitos que nas férias convidava para a adega nos quentes serões da aldeia:
— Não vendes esta fruta?
— A quem? Os compradores não a querem!
— Se a levares para o mercado de Pataias desaparece tudo enquanto o Diabo esfrega um olho!
— Mesmo a miúda?
— Tudo! Lá vende-se tudo!
Ei-lo que sobe ao primeiro andar, eufórico:
— Amanhã vamos a Pataias vender a fruta da adega.
Resmunga a minha mãe: — Só se fores tu! Eu não sou vendedeira de praça!
Ele insiste. Lá vende-se tudo num instante, barato que seja, evita estragar-se.
Discutem. E a Ana, a pôr água na fervura: — Vamos, avó, eu vou consigo.
Com a companhia da neta, a minha mãe cede. — Mas tu, insiste para vincular o meu pai, ficas também a vender.
O meu pai diz que sim. Mas logo à chegada ao mercado, a pretexto de ver a concorrência, desandou, deixando-as sozinhas, com as caixas de fruta miserável, à espera dos compradores. Que, invariavelmente, optavam pelas bancas bem apresentadas, com abundância de produtos variados.
Demorou a voltar. Deve ter parado nas barracas de comes e bebes, uma bifana e uma cerveja ou copo de tinto, larachas com vendedeiras, cavaqueira com vagos conhecidos.
Queixa-se a Ana da má apresentação do produto, mostra-lhe as bancas de sucesso.
Ele concorda com largo sorriso — concordava sempre com a neta.
— Mas tivemos azar com o dia. Isto hoje está fraco, os outros também se queixam do mau negócio.
Venderam dois quilos, que nem pagaram o terrado...
terça-feira, 16 de maio de 2017
Ainda a omissão do artigo
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Ajuda: o meu estilo de escrita
Levo as críticas muito a sério. Mais do que os elogios. porque me obrigam a reflectir e, caso lhes reconheça pertinência, a atalhar caminho.
Semanas atrás, um visitante deste blogue fez-me o seguinte reparo:
"... não aprecio a falta dos artigos nas frases seguintes: "... seguem travesti mais produzido..." e "... assistem pacatos a revista com umas piadas...".
É uma marca de estilo recorrente e muito visível nestes seus escritos: aparece quase sempre. Mas soa-me mal e soa-me de todas as vezes que a leio, o que a torna ruidosa. Pode ser defeito meu, mas na minha construção da leitura prefiro a concretização mesmo indefinida de um artigo a esse vago que gera de modo propositado. "
Tenho reflectido sobre esta crítica, mas não me consigo decidir. Note-se que não é a gramaticalidade das frases que está em causa, mas um pormenor estilístico, e mal do autor sem estilo próprio. Por outro lado, este pormenor estilístico pode tornar-se, como diz o meu crítico, ruidoso e desagradável.
O que acham? Agradeço todas as contribuições.
sábado, 29 de abril de 2017
quinta-feira, 27 de abril de 2017
O direito e o avesso
Macron quis visitar uma fábrica de electrodomésticos que vai ser deslocalizada para a Polónia (a Wirlpool) e foi recebido com manifestações violentas, acabando a falar para as televisões no gabinete da administração; Le Pen apareceu de surpresa, e foi recebida com simpatia idêntica à de Jerónimo Sousa quando visita operários em luta: com exuberantes manifestações de carinho, beijos e abraços.
Para aqueles operários, Macron é o símbolo do capitalismo apátrida e da globalização; Le Pen, uma amiga que, como eles, quer o regresso à velha França, com fronteiras onde seria possível manter os direitos laborais penosamente conseguidos em duras lutas, não raro com sangue derramado. (Pourquoi ont-ils tué Jaurès?, perguntava Jacques Brel)
Não perco tempo com chavões, colagem de etiquetas a um e a outra, menos ainda a confundir os meus desejos com a realidade, e a realidade é o que dela fizemos, ou fizeram por nós os sátrapas deste capitalismo selvagem, que não quer fronteiras, nem direitos laborais, nem protecção do ambiente, e por isso mesmo deslocaliza para onde possa, ainda, explorar e destruir impunemente, na esperança de, quando tal não continuar a ser possível, substituir todos os trabalhadores por robôs — que não exigem salário nem fazem greve.
E assim, com os olhos atentos à realidade operária de França, não ficaria surpreendido se, como já aconteceu com Trump, essa realidade que as esquerdas tanto valorizavam, "le peuple", votasse com o coração e não com a razão, até porque a razão parece ser a do mal menor — e interrogo-me se é o mal menor para quem acaba de perder o emprego ou para o grande capital...
terça-feira, 25 de abril de 2017
quarta-feira, 19 de abril de 2017
Sob a influência de Fernão Lopes
sexta-feira, 7 de abril de 2017
Lisboa, anos setenta
"Lisboa parece adormecida, como se a chuva a tivesse anoitecido prematuramente, há-de chegar o tempo em que nunca dorme, por agora apenas no Bairro Alto, no Cais Sodré, no Intendente, há arremedos de diversão nocturna, se se pode chamar diversão a arruaças protagonizadas por marinheiros bêbedos da esquadra americana que mal fundearam no Tejo logo correram às putas, outros, de gostos diferentes, fingindo que o fazem por brincadeira, seguem travesti mais produzido que corista do Parque Mayer, onde os burgueses assistem pacatos a revista com umas piadas políticas benevolamente toleradas pelo regime, e o travesti vai ser famoso na sua velhice, quando, mais plastificado que estômago de tartaruga marinha, fizer as capas das revistas de cabeleireira, por viela escura dois marines seguem o R, dos Marinheiros alcunhado, poeta famoso e paneleiro lendário, lá mais para a noite estalarão as tais rixas, pancadaria rija entre os bravos chulos lusos, quais cavaleiros andantes a baterem-se por suas damas, e estes americanos amaricados — que dentro de poucas semanas receberão baptismo de fogo no delta do Mekong e em feroz batalha provarão, mais uma vez, que para a guerra não há como os panascas, como é sobejamente sabido desde os duros espartanos, o grande Filipe da Macedónia, o seu filho Alexandre, magno conquistador e maior pederasta, Júlio, César Augusto, o homem de todas as mulheres e a mulher de todos os homens, os famosos generais ingleses…
Afora putedo, paneleiros e revista no Parque Mayer, a vida nocturna da cidade resume-se a convívio pacato de oposicionistas nos seus cafés, na cervejaria Trindade, também os estudantes se encontram a pretexto do estudo nos cafés, alguns estão no Apolo 70 a ver A Semente do Diabo, e pouco mais, a capital do Império é serena, vive tranquila entre portas, culpa das televisões compradas a prestações que fixam as gentes nos seus lares, eléctricos e autocarros circulam quase vazios, o metro fechou antes da meia-noite, e a cidade repousa já, das Avenidas Novas até às barracas de Chelas, onde chega de táxi o Zé, acompanha-o outro Zé, mas tratemo-los pelos pseudónimos revolucionários, Pedro e Gustavo, adoptados a partir das iniciais do Comité de Luta Anti Colonial do Instituto Comercial, o "Guerra do Povo"."
Inédito meu, de romance em construção.
terça-feira, 21 de março de 2017
Recordações
segunda-feira, 13 de março de 2017
Um panfleto
sábado, 11 de março de 2017
11 de Março de 1975
domingo, 26 de fevereiro de 2017
sábado, 18 de fevereiro de 2017
Graças a Deus e graças com Deus
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Camilo e Júlio Dinis
“Julgou elle [Clemente, o regedor], com sympathica ingenuidade, que os superiores o conceituariam tanto melhor, quanto mais exacto e imparcial elle fosse no cumprimento dos seus deveres; com funda e amarga dôr de coração viu pois, que tendo arrostado com as sanhas de alguns fidalgos, cujas illegaes franquias procurára fazer cessar, o administrador, que sabia theorisar muito melhor do que elle sob o thema de emancipação do povo, dos direitos do homem e da igualdade perante a lei, mas que tambem sabia quebrar na pratica as quinas e os angulos agudos ás suas theorias, tomava o partido dos fidalgos, e censurava asperamente em officios o procedimento do regedor.”
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
44 anos de namoro
Eis o texto do ano passado. Acrescento apenas umas fotos.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
A minha mãe e a missa
Um dia a Morte veio procurá-la. Aneurisma da aorta com derrame pleural. Resistiu-lhe bravamente. Cirurgia de quatro horas in extremis com o coração fora do corpo, no gelo, uma hora. Meses nos Cuidados Intensivos, nos Cuidados Continuados, na Enfermaria... segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
O segredo da longevidade
Se acaso chegar aos oitenta ainda com os cinco alqueires bem medidos, vou atribuir o milagre ao vinho tinto e ao dedal de uísque, tomado como se remédio fosse.
Se não chegar, como é mais provável, os outros dirão vão que foi do tinto e do uísque...

















