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domingo, 8 de junho de 2014

Ciclo Preparatório

Certificado de conclusão do ciclo preparatório do ensino técnico profissional. Tinha 12 anos, terminei com belas notas, raras na época, a Língua Portuguesa e a Ciências, mas insuficientes para manter uma das bolsas de estudo, perdida, segundo anotação ao alto, logo no primeiro ano. Era preciso ter média de 14 e então os professores não davam notas para ajudar o aluno, como o 10 a Desenho evidencia...
Aliás, recordo-me, a média subiu e muito com o exame, em que dei espectáculo na prova oral, enchendo de orgulho o meu pai, que estava na assistência. Eu, de pé no estrado, cinco reis mal medidos de gente, respondi com segurança a tudo. A questão final foi algo como: "Quais são as marés que conhece?"
"Preia-mar e baixa-mar."

E o professor Eurico, por nós alcunhado Eurico Burrico, que tinha entrado com pauta para o júri assinar, quebrou a solenidade do exame e pôs a assistência:às gargalhadas ao responder-me:"Bai xamar pai a outro!"

terça-feira, 3 de junho de 2014

Quarta classe

Há momentos marcantes na nossa vida. Para as pessoas da minha geração, a conclusão da quarta classe é um deles, e marcava também o fim da infância. No meu caso, fui um privilegiado: com duas bolsas de estudo, uma que a professora primária arranjou, outra que o meu pai conseguiu, da Caixa de Previdência, pude ir estudar, o que implicou sair de madrugada, voltar ao cair do dia nas velhas camionetas de carreira, mais tarde hospedagem em Leiria, vindo a casa uma ou duas vezes por mês. Destino pior, muito pior tiveram os colegas cujos pais não tinham possibilidade de os "pôr a estudar", os rapazes a aprender ofício ou a agarrar a enxada de pontas, as raparigas a serem as criadas das casas maternas, até que, por casamento, tivessem o seu próprio lar.
Fomos com a professora na camioneta, eu, o Zé “Chaparrinha”, o Fernando “Balias” “Escabelado”, o Ildefonso “Mitadá”, o Zé “Cristo”, outros que por serem já ricos não tinham direito a alcunhas. Dias depois a professora ficou uma fera por lhe ter constado que um dos que andava na Admissão, espécie de explicações para preparar o exame de admissão às escolas técnicas e aos liceus, tinha errado um problema. Éramos apenas dois, eu e o meu primo Zé, e ele pagou as favas, com tareia de caixão à cova. Quando a professora soube que afinal eu é que tinha errado o problema, bom já tinha feito justiça, aliviado a fúria, e mais uma vez escapei incólume, graças à minha Sorte, que, reconheço, me tem acompanhado vida fora e espero me não abandone tão depressa.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A ditadura do verbo ser

Reduzem o conhecimento do Mundo, das pessoas, dos movimentos sociais à colagem de etiquetas. É de esquerda. É de direita. É fascista. É comunista. É um escritor regionalista. É literatura light. É casada. É divorciada. É uma besta. É parvo. É fumador. É do Benfica. Chega-se até a usar o rótulo -- já o ouvi -- É apaixonado.
E uma vez etiquetada a entidade, dispensa estudo aprofundado. A etiqueta revela tudo. Pelo menos o que importa saber aos etiquetadores. Por isso, quando algo de novo surge, na nossa paróquia, nessa Europa a que pertencemos mas, excepção à regra, não somos, é um afã, um frenesim, uma inquietação, até que se lhe cole a etiqueta tranquilizadora: É de extrema-direita! É de extrema-esquerda! É...!
Espantosa, omnipresente, a ditadura do verbo ser. E tão conservadora!

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Falando de armas

Deixemo-los, então, matando saudades e apaziguando os corpos jovens, virá o tempo em que se não procurarão com este ardor, bom é que aproveitem agora enquanto as peles escaldam e ruborizam, talvez o que neste momento os une os mantenha colados pela vida fora, a ver vamos, como dizia o tal invisual, e aproveitemos para falar de tropa, armas, tiros, balas; eu sei, é assunto que não merece figurar em romance do nosso tempo, há muito extinto o serviço militar obrigatório, estigmatizadas as armas, estejam elas nas mãos de marginais ou das forças policiais... Se eu tivesse juízo, esquecê-las-ia e faria antes a descrição de um restaurante chique da época, como Os Corações Unidos, falaria do vestuário feminino, matéria sempre interessante, iria até ao Mosteiro de Alcobaça, onde o Marino tantas fotografias tem tirado... Poderia até valorizar a obra relatando como se deixa engatar pelas francesas, mulheres já emancipadas, ardentes e desejosas de conhecer macho latino, espécie que o progresso tem vindo a colocar em vias de extinção e elas próprias apenas apreciam em país estrangeiro, para breves momentos de prazer em curtas férias. 
Mas não: como Camilo, “sou avesso às descrições”. Voltemos, portanto, às famigeradas armas, causa de toda a violência, sabido que sem elas o Homem seria dócil cordeiro, devendo as almas mais sensíveis saltar os parágrafos do capítulo seguinte que tresandam a pólvora e podem ferir tímpanos sensíveis.
Um amor inventado, Leya Online

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Gilvaz (2)

Gilvaz é a história de um jovem jornalista e revolucionário enviado ao Minho a cobrir os motins que por lá eclodiam contra os enterros nos cemitérios. Eis mais um excerto, provavelmente o último que divulgarei nos próximos tempos:
"Especulam aquelas santas, nada de concreto sabendo — mas aproveitam a oportunidade de denegrir Ermelinda aos olhos do missionário, essa fingida que dá espectáculo na missa lhe para cair nas boas graças! Como se cada uma delas não tivesse também abandonado aldeia, família, marido as casadas, para acompanhar de terra em terra, de igreja em igreja, aquele missionário, um dos quinze que partiram de Leiria a evangelizar, persuadidos de que a que a melhor África era o nosso Portugal e os seus inocentes pretinhos, os quais, faltos de douta cabeça a orientá-los, se perdiam, levados pela conversa ímpia dos liberais, enquanto os padres, acomodados no conforto das respectivas paróquias, esqueciam o rebanho e apenas zelavam pela preservação dos seus prazeres lidibinosos e proveitos cúpidos — quando não eram, também eles, livres-pensadores descrentes da virtude das penitências, das benfeitorias dos jejuns, sem fé no fogo purificador do Inferno!
Irmãs — assim se tratam entre si, assim se lhes dirige o povo, como se fossem freiras nesta confraria ambulante, todas elas a dar testemunho dos milagres do missionário: à Maria do Rosário, há anos acamada, bastou o "Levanta-te e anda!" para se pôr de pé e o seguir, Maria de Jesus, que há muito sofria de terrível prisão de ventre, ouviu-lhe a pregação e em poucos dias ficou aliviada, Joana Bartolomeu, toda a vida gaga até que o santo lhe soltou o freio, deu em falar escorreita e é um gosto ouvi-la .alardear os milagres do varatojano, Maria Angelina, de quem muito se falará nesta história, maria-rapaz, bêbeda, brigona, amiga de espancar homens à unha ou à paulada, fez-se tenra ovelhinha, meiga, amorosa, tão contristada com o padecimento de Jesus na cruz que se deixou dos palavrões feios com que atroava tabernas e escandalizava homens e mulheres de bons costumes, e só se lhe ouvem sofridos gemidos "Ai, meu Jesus! Porque te fizeram tanto mal?", agora Ermelinda, possessa por espírito maligno sem ninguém o saber, nem ela própria, talvez apenas o marido, João Pereira, de tal desconfiasse, tão duramente ela o tratava — e o poder do missionário de ambos a libertou!

Maravilha-se o povo com os prodígios do santo, indigna-se com as críticas dos ímpios, que riem das prédicas e apoucam os milagres, como se também eles fossem capazes de fazer o mesmo — pôr a andar paraplégica, a falar muda, curar obstipação crónica, fazer largar bebida e maus costumes, expulsar espíritos imundos! Alguns hereges chegam ao extremo de duvidar do testemunho de pessoas sérias que juram ter visto com aqueles "dois que a terra há-de comer" o missionário parar o Sol enquanto decorria a pregação para que nenhuma mulher se fosse pressionada pelas urgências da lide doméstica, depois há ainda os jacobinos, de má fé, a denegrirem, a ofenderem frade e devotas, atrevendo-se a insinuar que a muda deixara de falar por se ter zangado com a família, que a da obstipação nunca comia couves e feijões, a entrevada era retorcida e preguiçosa e recusava sair da cama para castigar o marido, a possessa mulher mal fodida, doença de que, calúnia ignóbil, o frade a terá depressa curado... Enfim, quem tiver olhos que veja, quem tiver ouvidos que ouça, embora milagre maior fosse certamente ouvir com os olhos ou ver pelos ouvidos."

terça-feira, 20 de maio de 2014

O homem das cicatrizes

"Minho, Abril de 1846

Repare-se naquela mulher, Ermelinda de seu nome, trigueira rechonchuda, meia idade, cabelo tosquiado, trajada de negro e de vermelho — uma das beatas que pelo Minho acompanham os missionários com devoção idêntica àquela com que os apóstolos seguiram a Cristo. Atente-se nela porque, muito em breve, e em plena missa, cairá por terra, uivará como lobo ferido, torcer-se-á com horríveis convulsões, obviamente possessa pelo Maligno, que pela boca de Ermelinda insultará o missionário:
— Bêbedo! Calão! Calaceiro!
O frade varatojano cora com as injúrias, mas é teso; nenhum demónio o assusta. Interrompe a cerimónia, desce do púlpito, com voz firme ordena: — Vade retro, Satanás! Em nome de Maria e de seu filho Jesus, eu te ordeno, porco imundo, sai do corpo de Ermelinda do Nascimento Canhestro!
De gatas, a mulher guincha imitando porco no chiqueiro, pela sua boca ronca o demónio que a possui, o missionário pega-a pelos braços, levanta-a, dá-se o primeiro milagre, a mulher deixa de se debater, o varatojano olha-a nos olhos, repete esconjuros em Latim, e finalmente, após roucas recusas, gemidos protestos, vãs súplicas para que o deixe ficar naquela morada, o demo sai do corpo de Ermelinda, que tomba inconsciente. Necessário foi, para além do esconjuro, que o frade tivesse dito por inteiro o nome da mulher, para que ao espírito imundo não restassem dúvidas de que era daquela morada, e não de outra, que o escorraçava, subentendendo-se, no entanto, que poderá voltar amanhã a tomar conta do seu corpo e espírito, para que o frade o expulse novamente. Assim o demónio vai ocupando a eternidade, e assim ajuda o missionário nas conversões. 
Ermelinda continua prostrada, inconsciente, como se com a saída do espírito demoníaco se tivesse ido também o seu, e o frade pega-lhe na face, esbofeteia-a, ordena-lhe que volte a este mundo pois não é ainda o tempo de o abandonar — admire-se, como faz o povo, o poder deste santo, que comanda a própria morte!
Jovem forasteiro, vindo talvez em busca de diversão, chama indiscretamente a atenção para o saiote atado, como se a possessa já soubesse que iria cair por terra, e o demo não quisesse estragar a solenidade do milagre com a exposição das partes íntimas, alvas coxas..."
(Romance inédito meu, em fase de conclusão. Mais seis meses, um ano talvez, e estará terminado.)

domingo, 18 de maio de 2014

Subsídios para a compreensão das causas de morte nos galináceos


Os meus galos, ao contrário das galinhas, raramente chegam a velhos. Intrigado com as discrepâncias entre sexos no que à longevidade respeita, procedi a exaustivo estudo estatístico, o qual me permitiu identificar as principais causas de morte dos machos. São elas:

1. Atacar o dono. Morte em uma a duas semanas.
2. Barulho excessivo, sobretudo durante a noite. Duas a três semanas de vida.
3. Violência doméstica excessiva, que é como quem diz brutidade para com as fêmeas. Menos de um mês de vida.
4. Fricassé, púcara, cabidela. Morte quase imediata.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

No mar do olvido

É no fel que tudo fenece, escreveu o meu trovador pouco antes de morrer, conforme testemunha o primo e narrador:
"Procurou-me o senhor Fernão Lopes, escrivão dos livros de el-rei e de seu filho, o príncipe D. Duarte, que ambiciona escrever obra para que não caiam no esquecimento os feitos grandiosos dos antigos reis, sobretudo os de nosso senhor D. João, a cujo lado tive a honra de por várias vezes lutar. Queria o senhor Fernão Lopes saber pormenores, confirmar histórias, confrontar nomes com acontecimentos para, no seu dizer, escrever a verdade, sem outra mistura, nem fingidos louvores. Desejo que o consiga, embora tenha minhas dúvidas, que me ensinou a experiência que há tantas verdades quantos os protagonistas das histórias, e não poucas vezes maior é a verdade daqueles que as não viveram do que os dos homens e mulheres nelas envolvidos. As nossas conversas fizeram-me recuar ao passado, avivar memórias, reviver acontecimentos como se o rio do Tempo corresse agora em sentido contrário, e dei por mim a pôr, também eu, por escrito as minhas recordações, mau grado o mérito duvidoso que haver possam: é antes maneira de pesar minha vida.
Porém, nada do que se escreve é o que aconteceu: faltam as cores, os odores, os ruídos, mais do que tudo, a juventude sumida nesse rio que se aproxima da foz para se diluir no mar do olvido, águas indistintas onde tudo o que antes correu se dissolve inexoravelmente… Ou, como na balada de meu primo, cantada a bordo da nau que nos levou até Ceuta, “é no fel que tudo fenece.”
(...)
Longe, longe, vão os sonhos
De minha mocidade
Que a maior idade
Torna medonhos
Assim nos tornamos enfadonhos
Aos ouvidos de nossos senhores
Esquecidas as mercês prometidas
Ninguém nada nos agradece

É no fel que tudo fenece…"
(Inédito meu)

segunda-feira, 12 de maio de 2014

No tempo dos Três Efes

"Cumprimenta clientes que jantam, conhecidos que seroam, toda a gente com os olhos pregados no
televisor, TV, dizem os entendidos, ouvidos atentos às conversas, lábios comentando e descomentando, com futebol, fado e Fátima vamo-nos anestesiando e passando o tempo, no ecrã pagadores de promessas rasgam os joelhos entre rezas mastigadas mecanicamente — prometeram, obtiveram a graça, é a altura de a pagar para que no dia do Juízo Final nada conste em seu desfavor no razão divino."
Um amor inventado

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Uma cantiga de amigo serôdia

Lembram-se da poesia trovadoresca, que floresceu de finais do séc. XII a meados do séc. XIV? A mim, sempre me fascinou. E um dia aconteceu que uma das minhas personagens fosse trovador e escrevesse a seguinte cantiga de amigo, paralelística, em dísticos monórrimos, alternando a rima em /i/ com a rima em /a/, com refrão e leixa-pren  -- ainda se recordam do que é isso?


Amar amado amar amigo
O brial começado, o brial tecido
Ai meu amigo Ai meu amado

Amar amigo amar amado
O brial tecido, o brial começado
Ai meu amigo Ai meu amado

O brial começado o brial tecido
Chor’eu dona virgo o brial rompido
Ai meu amigo Ai meu amado

O brial tecido o brial começado
Chor’eu dona virgo o brial rasgado
Ai meu amigo Ai meu amado
Breves achegas para a interpretação da cantiga de amigo do meu trovador
No primeiro par de dísticos, a donzela exprime a sua condição de apaixonada, tendo já começado o enxoval para o casamento; apenas o refrão, sentido como um lamento, destoa.
O segundo par de dísticos revela-nos que algo correu mal no noivado. Embora o enxoval esteja começado, a donzela chora e, perturbada, assume-se como "dona", em manifesto contraste com o adjectivo "virgo", virgem, o qual remete para a sua condição anterior de donzela. Fica o lamento do refrão "ai meu amigo, ia meu amado"... 
E mais não digo,  que a subtileza era então uma arte.

terça-feira, 6 de maio de 2014

A peste

Lisboa estava caótica, fétida, os excrementos amontoavam-se nas ruas e vielas, cobertos de moscas, o ar irrespirável da fumaça do alcatrão e azeite de purgueira que, talvez influenciados pelo nome, queimavam constantemente num esforço vão de purgar a cidade dos miasmas, de manhã à noite, o dobre plangente dos sinos a finados, a gritaria atroz das carpideiras, as imprecações e ameaças contra os judeus, causadores daquele castigo de Deus por termos entre nós semelhante canalha ímpia. Eu via-me então a enfrentar a turba para defender minha mulher, minha filha, a sua família, perseguido como anos atrás — parecia-me a uma vida de distância, o que não surpreende, que as vidas então soíam ser breves — quando me acusaram vilmente de haver abusado de um rapazinho. Talvez, pensava então, os desígnios divinos sejam realmente insondáveis e Ele tivesse poupado Esther e nossa filha aos desmandos e horrores do nosso tempo: como era possível, depois de séculos a viver lado a lado, é certo que com desconfianças constantes e brigas frequentes, que não tivéssemos aprendido a tolerar os judeus e as suas diferenças? Como era possível que, em nome de um rabi que nos ensinou a amar o próximo, os perseguíssemos cruamente e os matássemos barbaramente? Sim, também eu matei. Mas a salteadores, e na guerra a outros quiçá melhores do que eu, que igual me haveriam feito se, por sorte ou por ser mais novo, me não houvera antecipado. 
Porém, nas ruas de Lisboa apedrejava-se a mulher ou a criança judia, queimava-se gente igual a nós apenas por ter religião diferente e porque, não podendo fazê-lo à peste, se virava a cólera contra os mais fracos; queimava-se bruxa, porque alguma vizinha denunciara pobre mulher por supostos feitiços com que lhe haveria roubado o homem, como se para tal não abastasse a juventude, o maior ardor entre lençóis, o melhor feitio, ou um palmo de cara menos estragado pelas bexigas…
Todos os meus conhecidos haviam sumido da cidade. Um dos últimos foi meu primo, outra vez acusado de sodomia — fugira apressadamente antes que o meirinho lhe deitasse mão; colocara-se, constava, ao serviço do Duque de Nápoles, aí exercendo o seu mester de homem de armas; D. Soeiro fugira à peste e refugiara-se com a família na sua quinta de Cascais, onde tentava conseguir maridos para as filhas, todas elas prenhes em fim de tempo, como querendo contrariar a mortandade que tomara conta da capital; Hermengarda morrera da maleita que consigo levou também o fiel preto que nem espada nem navalha atemorizavam. Vendo-me só, resolvi também eu abandonar a capital, não na esperança de que longe dela, sem ter presentes lembranças de felicidade anterior, meu mal esmorecesse, antes para me enterrar em Lamego como num túmulo, enquanto não chega a hora de para um de pedra ser carregado.
Inédito meu

domingo, 4 de maio de 2014

Eucaristia

"... eu ouvia o Latim do padre, confessava-me hipocritamente, de tempos a tempos recebia em comunhão o corpo de Senhor — e mentalmente sorria ao engoli-Lo desenxabido sem mastigar, reduzido a farinha sem fermento: ali estava a prova do que Sara amiúde me dizia: Deus está morto, ou foi um sonho nosso, para termos quem nos amparasse, protegesse, valesse nas nossas necessidades; porém estamos sozinhos no Mundo, não imagino porquê nem para quê, e nem sequer o Tempo podemos fazer correr ao contrário, para que eu emende cada um dos meus erros e desvarios e possa um dia desaparecer quente, aconchegado, feliz, de volta ao útero de minha mãe."
Inédito meu

NOTA: este texto, reproduzido também no Facebook, indignou uma pessoa que me merece muita consideração. Foi esta a resposta que dei ao seu comentário:

É preciso não confundir o autor com (uma das) personagens. E ter presente que o excerto está necessariamente descontextualizado. Em comum com D. Rodrigo, tenho uma inquietação existencial que me leva a interrogar-me sobre aquilo que considero mais importante: Deus existe? Existiu? Ou será a projecção dos nossos desejos, das nossas expectativas? Rodrigo Semedo, desesperado por ter perdido a mulher e a filha, perde também a fé ao ver os cristãos perseguirem os judeus, a quem acusam de responsáveis pela peste. Inverosímil? Chocante? Blasfemo? Talvez. Mas a literatura, que persigo, é uma inquietação e não um mundo de certezas. E eu vejo-me como um médium, rodeado de espíritos, alguns malignos, que me possuem e me obrigam a dar-lhes voz. 
(Boa desresponsabilização. Quase como a dos gregos dos poemas homéricos, que diziam que um deus tinha tomado posse do seu corpo.)

terça-feira, 29 de abril de 2014

Um amor inventado

Cai novamente o silêncio sobre a pensão; desta vez, apesar das dores testiculares que lhe não dão parança, o João não se atreverá a subir até ao quarto da Berta: oficializado o namoro, há que respeitar o decoro — como poderia ele trair a confiança de dona Noémia e do marido, que o receberam como a homem sério e honesto? Mal cai na cama adormece profundamente, prostrado por sono e cansaço; a maçaneta da porta roda, rangendo baixinho, mas não a ouve, como não ouve depois o bater discreto dos nós dos dedos, nem os sussurros com que a Berta o chama, e é triplamente pesarosa que a moça se retira: por ele não ter subido até ao seu quarto, por ter adormecido tão rapidamente quando o amor o esperava, e por não poder apagar por hoje o fogo que a consome. Ah, mas não pense o leitor que a rapariga desiste tão facilmente, sabido como é que as mulheres são o diabo: vai ao chaveiro da
cozinha, pega a chave mestra, e sempre silenciosa como uma sombra, entra-lhe no quarto, mete-se na cama do rapaz — não vai ser fácil despertá-lo desse sono, de Morfeu, dir-se-ia, se comparação erudita não destoasse em história de sopeira e canalizador; já os amantes estão outra vez deitados no soalho, outra vez a monotonia das cenas de meses atrás, abaixo e acima, etc., melhor é experimentá-lo que imaginá-lo, já dizia o Camões, passemos adiante, o que importa é que amanhã o João estará arranhado, mordido, e que vergonha!, terá o lábio inferior rebentado, bastará um olhar de dona Noémia para saber que a criada, que criou como enteada e a quem quer como filha, a não desapontou, também ela não larga a presa uma vez filada; recato, proibições, importantes para salvar as aparências e preservar o bom nome da casa, como todas as dificuldades, aguçam o engenho e espevitam o desejo, fortalecendo este amor inventado para que sobreviva às agruras do dia-a-dia enquanto o tempo passa, fazendo de dois um, ei-los engalfinhados, enrolados, por cima ou por baixo, não importa, sempre tão dentro um do outro quanto possível, nessa comunhão de corpos e de almas tão mística que só um jarreta como Moisés a poderia esquecer nos seus mandamentos, tendo sido necessário ao Pai enviar o Filho em pessoa à Terra para ensinar a distinguir prazer de pecado: Amai-vos uns aos outros... Com os desenvolvimentos que se conhecem.
Um amor inventado, Leya online

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O meu 25 de Abril

O 25 de Abril apanhou-me a dormir. 
Vivia então na Marinha Grande, na clandestinidade, e era operário de plásticos em Leiria. Naquela semana trabalhava no turno da meia noite às oito, que me deixava bêbedo de sono: experimentem dormir quando todos estão acordados. Por isso, quando aí pela uma da tarde, a minha mulher me acordou para me dar a novidade, que havia um golpe de estado na capital, resmunguei algo como: "Pois sim, mas deixa-me dormir", desejoso de voltar a adormecer, não no fofo do colchão, mas sobre o sobrado, que cama não tínhamos. Também não tínhamos televisão nem rádio. Nem mobília nenhuma, exceptuando um mocho comprado no mercado...

Chego a Leiria cedo, procuro sinais de agitação. Nada. Tudo calmo. Na Praça Rodrigues Lobo encontro o Luís Marques, hoje o homem forte da SIC, então duro e valente revolucionário. Também ele estava na clandestinidade, e não o imaginava naquela região. A notícia do golpe de estado trouxera-o até à claridade. Tal como eu, não acreditava que viessem aí grandes mudanças: "Coisas do Spínola e dos spinolistas", terá dito, e eu acreditei. E contou-me que dias antes quase tinha sido capturado no Pinhal de Leiria, onde se acoitava. Fugiu por entre balas, deixando atrás uma máquina de escrever e um duplicador.
Eu violei as normas conspirativas e revelei-lhe que tinha perdido há um mês o contacto com o meu controleiro, de quem apenas conhecia o pseudónimo, e aguardava pelo encontro de recurso no mês seguinte. Mas receava que ele tivesse ido dentro na recente vaga de prisões. E o Luís, que eu suspeitava ser um alto quadro do Movimento,  logo ali me recrutou para o seu comité. 
Depois fui trabalhar, porque o patrão também não tinha ouvido falar em revolução e a fábrica laborava como de costume.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Ramalho e Filomeno

-- O teu pai é gordo!
-- E o teu é bêbedo!
Embrulham-se à pancada. Já o Ramalho, magro, seco, nervoso, monta a cavalo o Filomeno, arranca-lhe os óculos sem os quais quase nada vê, esmurra-o. Desesperado, o outro mete a mão no bolso, abre a navalha, crava-a na coxa do ex-amigo. A dor, o sangue a jorrar, fazem o Ramalho desmontar de salto, abalar a correr imparável escola fora, a tentar estancar a hemorragia com a mão. A custo, seguram-no e levam-no ao gabinete médico para curativo.
-- O que foi isso? 
Cala-se, por única resposta lágrimas.
A notícia voa, depressa chega a casa: -- O seu filho foi esfaqueado na escola!
Os país exigem saber: com quem brigou, quem o anavalhou?
Não fala. Gritam, ameaçam, passam às bofetadas. Em vão. Correm-lhes as lágrimas pelo rosto, a boca nada diz. Nada diz no dia seguinte, interrogado pelo director. Nem mentiras, como ter sido ele a picar-se acidentalmente, nem ter sido ferido involuntariamente em brincadeira.
Dois dias de suspensão. Por respeitar a lei do silêncio.
No domingo seguinte choveu, a formiga de asa deixou os formigueiros em bandos compactos. É a altura de armar aos pardais com agúdias. Só o Filomeno sabe como as prender nas armadilhas, segredo da terra que não revela a ninguém por mais amigo que seja. Aproximamo-nos, a tentar descobrir a técnica. Chega-se também o Ramalho, ainda um pouco à distância. O Filomeno convida-o: -- Queres vir?
O outro aceita. E ei-los novamente inseparáveis, agora aos pássaros, mais para a tarde às bogas no Lis, pescaria em que o Ramalho excele. Há-de chegar Junho, férias, correrias e banhos em pelota, calor, preguiça, conversas inflamadas sobre raparigas, a fazer crescer as gaitas, cada qual orgulhoso da sua, por entre gemidos a reproduzirem o lamento do Pote-sem-Alma do Eça: "Ai que rico bocado de pequena! Aí quem ma dera aqui!"
Só da  briga que um dia tiveram jamais falarão.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Um senhor bem posto

O homem era alto, forte, aspecto cuidado. De fato completo e gravata apesar do calor. A mulher, pelo vestir e modos, do campo, como tantas outras que naquele tempo vinham semanalmente à feira.
Timidamente, dirigiu-se a senhor tão bem posto:
-- Oiça lá, vossemecê sabe-me dizer...
O cavalheiro olhou-a fixamente, levantou a cabeça aos céus, deu sonorosa palmada na testa e entoou feito barítono:
-- Ó oliveirinha da serra / O vento leva a flor...
Atónita, boquiaberta, a mulher afastava-se receosa. E passante, a rir: -- Não ligue, que ele é tontinho!

domingo, 20 de abril de 2014

San-Dan


Ainda não me consciencializei de que desde o passado dia 7 pertenço ao venerável clube dos sexagenários. E assim ontem deixei as velhas pantufas em casa e participei no treino de karaté dirigido pelo mestre Vilaça Pinto. Manhã e tarde. Depois, exames de graduação de dan (os cintos pretos).

O júri, constituído pelos sensei Vilaça Pinto e Vitor Carreira, entendeu conceder-me o San-Dan, terceiro degrau na escada da Via (Technical Standards e Programa Técnico), deixando-me suficientemente orgulhoso para o contar, e muito humilde para continuar os treinos com a perseverança habitual mostrando-me merecedor do grau recebido. Porque, todos o sabemos, não são os títulos que dão valor ao homem, é antes este que pode (ou não) dignificar os títulos que lhe são atribuídos. 

Aos mestres e professores que me orientaram ao longo desta longa caminhada, especialmente Cristovão Vilaça Pinto Sensei, aos companheiros de treino, o meu sincero agradecimento. Um abraço muito especial para o Augusto, professor e companheiro de mais de três décadas de treino, que lesão na anca obrigou recentemente a parar, e um muito obrigado para o sensei Pedro Neves, que muito me ajudou a preparar este exame.

Oss!
FOTOS: (1) panorâmica (incompleta) do treino geral (todas as graduações).
(2) cintos pretos presentes, foto de Dulce da Graça, via Facebook.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Sexta-feira da Paixão

Talvez o Senhor tenha morrido de velhice
Esther assustou-se com a heresia da irmã: Não digas nunca essas coisas à frente do pai!
Porquê? Tudo morre. E o Senhor já era tão velho
Também eu protestei. E, mesmo se tivesse morrido, havia o Filho.
Pois, mas é tão bonzinho que O mataram na cruz. Como poderia pôr fim aos desmandos dos homens? Sempre pronto a perdoar o mal aos inimigos! Vede o Pai! Olho por olho, dente por dente. Cá se fazem, cá se pagam. Ou o homem se portava bem, ou o castigava. E hoje, com tanta imoralidade, tanta depravação, tanto mal, não intervém, não lança sobre nós nem as águas do Dilúvio, nem o fogo de Sodoma e Gomorra.
Concluiu tristemente: Deus está morto. Talvez até nunca tenha nascido, talvez tenha sido um sonho nosso, alguém em quem depositámos a esperança de que zelasse pela ordem do Mundo. E o Mundo nunca teve ordem. É sabudo que as coisas pioram sempre, as crianças envelhecem, as mais fortes construções humanas esboroam-se em pó, à civilização segue-se inevitavelmente a barbárieO nosso povo foi feliz no tempo do Pai Abraaão? Pois veio o cativeiro da Babilónia. Foi feliz com o rei David e seu filho Salomão? E veio o cativeiro no Egipto, a dominação romana, a diáspora. Há séculos que amargamos, que expiamos culpas que não são nossas, e o pior, tenho a certeza, está ainda para vir!
Eu queria pôr termo àquela conversa, não por me ofender, que em crianças todos dizemos inocentes disparates e blasfémias, como essa de que Deus estava morto ou talvez nunca tivesse nascido, e além disso os judeus têm a sua própria religião, os seus costumes e autoridades, mas por me desagradar ouvir aquela jovenzita franzina a discretear sobre a Divindade como se fora doutor da Igreja ou tivesse longa experiência de vida com honesto estudo misturada.
Nunca sonhas com coisas boas? e, maroto, atrevi-me: Com rapazes?


Abanou tristemente a cabeça. Vim ao Mundo para sofrer. Como o teu rabi Jeschoua Natzarieh: para expiar os pecados dos homens. Como Ele, sofro o mal que houve, o que há, mas sobretudo o que haverá.

Inédito meu. A acção situa-se no séc. XIV, quando os verbos terminados em -er faziam o particípio passado em -udo, e.g., saber, sabudo.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O paraíso

Eu conheci o paraíso: foi o meu pai que o criou e ficava nas Matas, pequena propriedade separada da aldeia por vinhedos e brava mata -- a selva onde eu era o Tarzan dos Macacos.
Desce-se por íngreme encosta, depois, nuns vinte metros de comprimento por dez de largo, ficava o nosso jardim, onde os mimos da horta cresciam opulentos por entre pessegueiros e algumas laranjeiras, ao centro poço de velho tijolo burro, pia e picota. Nos dias quentes, o ar perfumava-se com odor a flores e a mel, e esvoaçavam obreiras azafamadas de flor em flor, carregando pólen para dois cortiços e uma colmeia, assentes em púcaros de barro, dos da resina, contendo óleo queimado a defender as abelhas de ataque de inimigos por terra. Em volta, para regalo de tão diligentes trabalhadoras, dispusera o meu pai erva-cidreira, ao lado da "pocica", de onde corria permanentemente água fresca, saborosa, que eu ao fim das tardes de Verão despejava com cabaço nas regadeiras, na esperança de que o esforço que fazia crescer as novidades tornasse também poderosos os músculos dos meus braços franzinos.
Por companhia, livros e a minha imaginação, então sem limites. Banho na estiagem, não de mar, mas na água da pia, tirada à picota. Por guloseimas, pêssegos, primeiro Temporão de Alcobaça, lá para o fim do Verão Jota Galo (J. H. Hale, soube muito mais tarde). Dias preenchidos, entremeando a leitura com aventuras pelos matagais das redondezas, embrenhado por giestas e urzes, a rastejar sob tojos espinhosos, para fugir aos leões de África ou escapar a canibais da Polinésia. Por vezes, empoleirava-me no alto de pinheiros, a que trepava com a agilidade de macaco, e lá, a salvo das jibóias e crocodilos, inventava armadilhas para capturar os tigres, ideava truques para domesticar a pantera, concebia estratagemas para cavalgar o avestruz.
Passaram os anos. Deixei de enfrentar feras na selva, de ludibriar antropófagos nas ilhas do Pacífico. Mas a paixão por aquela nesga de terra permaneceu. O meu pai fez-me uma cabana na encosta e lá passava os dias nas férias grandes, na companhia de outros livros, de outros autores. No Inverno, com a fé que sempre tive nas virtudes da vitamina C, carregava de valentemente encosta acima sacos de serapilheira cheios de laranjas da Baía, e espremia-as em jarros de sumo que bebia diariamente. 
Podia ter passado assim a vida; mas é destino humano ser expulso do paraíso, fique ele no Jardim do Éden ou nas Matas. E um paraíso não sobrevive sem o seu Criador. Hoje sofro mais com ida às Matas do que ao passar pelo cemitério onde estão os meus país. Entregues a si mesmas, estão irreconhecíveis, mortos os pessegueiros, ressequidas as laranjeiras abandonadas como velhos no lar, eucaliptos e pinheiros taparam a luz, secaram a terra, onde já só crescem fetos, urtigas e silvas. Do paraíso de outrora restam raras fotos já amarelecidas, e as minhas memórias distorcidas pelo tempo.

Lá, o meu pai e eu fomos felizes, cada qual à sua maneira.


FOTOS
1. Com o meu irmão, a experimentar tenda de campismo feita pela minha mãe; com essa tenda e nesse Verão percorri o Algarve à boleia.
2. O meu primo Fernando, hoje a fazer pela vida em Kibala, Angola, em pose sentado na pia.
3. Eu de mão estendida para, assim assegurou o fotógrafo, o nosso primo António, o Fernando, na encosta parecer estar de pé sobre a minha mão. 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Humor português

Não haverá área em que o progresso nacional seja mais evidente do que no humor. Século e meio atrás Camilo Castelo Branco via-o com desprezo:
"o estreme espírito português, por mais que o afiem e agucem, é sempre rombo e lerdo: não se emancipa da velha escola das farsas: é chalaça."
Entretanto, a escolarização generalizou-se, tornou-se obrigatória. Os portugueses viajaram, correram mundo, o relacionamento entre classes alargou-se, a televisão entrou em todos os lares, civilizando. 
Nenhuma dúvida de que a citação de Camilo está, felizmente, obsoleta, como pude testemunhar recentemente graças ao hábito nacional de falar em todo o lado ao telemóvel como se estivéssemos na privacidade da nossa casa. O que talvez se deva à certeza de que o humor dos nossos tempos tem tanta graça que ninguém o pode perder:
-- Tá lá? Oiça lá, foi você que me ligou esta manhã? Não? É que tenho aqui indicação de chamada de dois paneleiros, pensei logo em si! Não foi? Ah, pois, você já não é paneleiro, tiraram-lhe o cu...
E num aparte, para os companheiros de mesa: -- Foi operado a um cancro nos intestinos.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sete noites, sete histórias (7)

Termino com Pirulito, Rimas e a Associação de Moradores a série comemorativa do meu aniversário.
Amanhã apago os ficheiros no meu site. A história de hoje pretendia ser infantil. Mas o meu neto Afonso, então com seis anos, fez-lhe crítica demolidora: "isto não é uma história para crianças. As histórias para crianças têm poucas letras e imagens grandes." Pode ser lida  aqui.

domingo, 6 de abril de 2014

Sete noites, sete histórias (6)

A história desta noite, inicialmente publicada neste blogue, tem apenas uma página. Pode ser lida aqui.

sábado, 5 de abril de 2014

Sete noites, sete histórias (5)

O conto desta noite é o velhinho El Chupacabras, com 2 pp. e pode ser lido aqui.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Sete noites, sete histórias (4)

Porque já hoje falei de animais, a história desta noite, Ferido d'asa, é uma fábula de moral duvidosa com nítida influência de Mestre Aquilino Ribeiro. Pode ser lida aqui.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Sete noites, sete histórias (3)

A história de hoje tem apenas duas páginas. Pode ser lida aqui.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Sete noites, sete histórias (1 e 2)

No próximo dia dia 7 farei 60 anos. Preferia fazer 50. Ou mesmo 59. Enfim. Não vou repetir lugares-comuns sobre o tempo, a quarta dimensão do nosso Universo. Nada mais sei sobre ele, apesar de ter procurado informação científica susceptível de me esclarecer. A melhor definição que encontrei considera-o uma consequência da segunda lei da termodinâmica, a tal que postula que num meio fechado a entropia aumenta sempre. Mas não vejo como a consequência de uma lei física pode ser uma das quatro dimensões do Universo. Adiante.
O que interessa é que para comemorar este número redondo,  em ano com outros números redondos muito importantes para mim, eu que sou em tudo impar e primo, vou, até dia 7, oferecer a quem possa interessar uma história em cada noite, que, caso a descarregue lerá se e quando lhe aprouver. No dia 8 apago tudo no meu site.
Ontem ofereci Os cornos do Diabo, conto distinguido com o Prémio Literário Irene Lisboa 2010 e pode ser lido aqui.
O de hoje, Figuras sem estilo, foi distinguido com o 3º Prémio no 13º Concurso Literário Dr. João Isabel (2012) e pode ser lido aqui: