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quinta-feira, 31 de maio de 2012

sábado, 26 de maio de 2012

Treino de instrutores e avançados

Hoje, Cardosos, Leiria. Direcção: Vilaça Pinto Sensei.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Zé Rambo

Em mais uma tentativa -- fracassada -- para animar a minha mãe e interessá-la pela vida, na convicção ingénua de que precisa de pôr entre parênteses a dor física e a outra, bem pior, a de sentir que o seu tempo está a acabar, levei-a à nossa aldeia e à sua casa. Aparentemente, nada disso a alegrou: nem deitou olhadela às flores do jardim, lindas apesar de não serem tratadas há ano e meio, nem fez ronda pela casa a ver se tudo estava como tinha deixado, nem se entregou a conversa alegre com as familiares e vizinhas, que, sabendo-a chegada, logo acorreram a fazer-lhe companhia animada e animadora. Enfim. Só me resta evitar o contágio, se é que ainda vou a tempo, para me não tornar igualmente azedo, desinteressado, egoísta. Porque, diz o povo, quem lida com um coxo, ao fim de um ano, coxeia.
Pois, à chegada, entrei pela Rua do Sol a ver se a minha tia, sua irmã, estava em casa. Mal parei, surge vizinha alegre, "Priga", estás como o vinho do Porto...", a minha mãe prefere contar as suas maleitas, reais e imaginárias, distraí-me com a conversa, quando se afastou saí a tocar a campainha da minha tia, não estava -- e, ao voltar para o carro, vejo-o lançado em marcha atrás rua abaixo, a minha mãe dentro. Corri para o alcançar, mas ele acelerava na descida, consegui abrir a porta, sempre correndo tão depressa quanto podia, mas não pude entrar, que o carro ia, como disse, em marcha atrás. Antes que embatesse contra a adega da Tia Irene ou despencasse pelo pomar vizinho abaixo, atirei-me para dentro, metade do corpo de fora e, sem olhar sequer, puxei o travão de mão. 
Depois, já em casa, reparei que as mãos me tremiam como varas verdes. Nunca antes, em quase quatro décadas de condução, me esquecera de travar o carro. Felizmente, em ocasiões de perigo, reajo sem pensar. O medo vem depois.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A santidade e os políticos

Parece instalada na opinião pública a crença de que os políticos têm de ser pessoas de vida irrepreensível, de moral impoluta, sem a menor mácula na vida privada. Santos. Surpreende-me esta exigência que, surgida em países luteranos, alastrou até  nós, de base católica, logo predispostos ao perdão -- o qual, para existir, pressupõe o pecado prévio. 
Nas últimas décadas, evoluímos do sorriso cúmplice ao ouvir falar da vida sexual de, por exemplo, Miterrand, mulher e amante de longa data a coabitarem no Eliseu, para o apedrejamento público de Clinton  (no link com actrizes pornográficas, o sortudo) e hoje nem rimos às gargalhadas ao ouvir acusar Strauss-Khan de ter ido à putas ou de com elas ter participado em orgias em que as teria violado! O sentido do ridículo parece ter desaparecido. Esta exigência de santidade estendeu-se dos notáveis da política àqueles que os servem: os guarda-costas de Obama são censurados por terem o costume de, em deslocações ao estrangeiro, contratarem umas meninas... Mais me choca o puritanismo coevo por ser promovido e imposto por órgãos de informação que, descaradamente, vendem putedo, putaria e putices -- e porque, por este andar, em breve teremos a governar as nações santos que nem pecar sabem, ou criaturas aterrorizadas com o receio de que pecadilhos do passado sejam descobertos e lhes arruínem a carreira. 
A crise actual é, também, uma crise de homens de estado. Como queremos ter os melhores se lhes exigimos, para além da honestidade e incorruptibilidade, a santidade nas suas vidas privadas, nomeadamente naquilo que, entre adultos, é do foro íntimo, como a sexualidade? Como não nos havemos de nos queixar da incompetência dos governantes, se quase lhes exigimos a castidade?


segunda-feira, 21 de maio de 2012

domingo, 20 de maio de 2012

Lágrimas

As flores choram na chuva a ausência da jardineira.

sábado, 12 de maio de 2012

Retrato

Na serra. O fascínio que me provocou a leitura de A Lã e a Neve, de Ferreira de Castro, nomeadamente a descrição da travessia que o protagonista faz de noite e a pé, continua bem vivo quarenta e tantos anos depois.

Serra da Estrela


Cegonhas

Em Castelo Branco, ontem, quando seguia para Manteigas.

terça-feira, 8 de maio de 2012

3º Prémio no 13º Concurso Literário Dr. João Isabel

É oficial: o Município de Manteigas atribuiu o 3º Prémio no 13º Concurso Literário Dr. João Isabel ao meu conto "Figuras sem estilo". Muito me honra a distinção, pelo que no próximo sábado estarei em Manteigas para a receber. 
Em 2010, no 11º concurso promovido pelo Município de Manteigas, outro conto meu foi distinguido com menção honrosa. 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

3ª Prémio em Concurso Literário


Acabo de ser informado por telefone de que um conto meu, "Figuras sem estilo", foi distinguido com o 3º prémio num concurso literário. Oportunamente darei mais pormenores.

Efeméride

Poucas datas conheço, menos ainda respeito. O 7 de Maio é uma das excepções: foi a data em que entrei para o ensino, 36 anos atrás. Poderia lastimar o estado a que as coisas chegaram, o barulho ensurdecedor que vem das salas do lado, com o pobre professor a tentar fazer-se ouvir, enquanto aguardo por "clientes" na sala de estudo, alunos postos na rua, como antigamente se dizia, mas já nem disso tenho vontade. Também eu fui forçado a acomodar-me, a esperar que o tempo passe, sem nada que possa fazer, excepto participações, relatórios, planos de melhoria, actas, coisas que dão trabalho inútil ao professor e nenhuma consequência têm jamais para os prevaricadores... Lamento muito ter perdido a fé -- na utilidade da profissão, no valor do meu trabalho, no meu contributo para o futuro dos meus alunos. Mas aconteceu. Por isso, mas não apenas por isso, pedi a reforma. Infelizmente, não se trata de passar o testemunho na crença de que os mais jovens darão melhor conta do recado. Trata-se, tão só, de já me não rever na profissão que escolhi por vocação. Como escrevi neste blogue tempos atrás, eu era professor de Português com formação em Literatura e especialização em Linguística. Hoje sou acompanhante nuns casos, formador (mas não professor) nos cursos profissionais, segurança nas "substituições"...

Satisfações

Não gosto de dar explicações. Para aqueles que me conhecem bem, são escusadas; para quem me não conhece, inúteis. Mas, a título de excepção, aqui vai uma: este blogue começou por ser, é, e continuará a ser, forma privilegiada de comunicação com familiares dispersos pelo país e pelas sete partidas do mundo. Mesmo amigos que não lêem o Português por aqui passam diariamente e traduzem os textos com o Google, na esperança de ter novidades da terra e das pessoas que aprenderam a amar. Conceito estranho para muitos de nós, sempre a dizer mal da pátria e dos seus costumes, esse de que há estrangeiros que de Setembro a Julho sonham voltar para junto de nós, um Agosto em cada ano, movidos pela saudade que supúnhamos ser exclusivamente nossa. 
Por vezes, muito raramente, há também outros visitantes. Que chegam de navalha afiada, senhores da razão, do bom-gosto. À procura do inefável, do ainda não dito, talvez nem sequer sentido. E prontamente ajuízam sentenciam, insultam, penitenciar-me-iam até pudessem eles, a coberto do grandioso anonimato, ou escondidos atrás de nomes que cheiram a falso de tão mal amanhados -- e que o Google desconhece, coisa estranha para tais sumidades. Não me conseguem descoroçoar. Desejo-lhes boas leituras em melhores blogues, que felizmente não faltam: basta ver a minha lista de favoritos. 
E assim irei continuando, Carneiro de signo e de feitio, a escrever sobre a família, a agricultura, o karaté, os meus livros, coisas desinteressantes para doutos visitantes, importantes para mim e para aqueles que me importam...
FOTO: o João, meu neto mais novo, hoje. 

sábado, 5 de maio de 2012

A Europa e eu

A União Europeia faz-me lembrar  a fábula Le pot de terre et le pot de fer, de La Fontaine: a panela de ferro persuade a panela de barro a acompanhá-la numa viagem prometendo protegê-la, interpor-se entre ela e eventuais perigos. Não tinham dado cem passos com as suas três pernas quando chocam  e, antes que possa soltar sequer um ai, a panela de barro é desfeita em pedaços, legitimando a moralidade: associemo-nos apenas com os nossos iguais para não termos destino igual ao da pobre panela de barro.
Poucos concordarão comigo, acomodados ao que julgam ser os benefícios desta Europa Unida, pátria das pátrias, que trouxe a paz e a prosperidade -- a união faz a força, não é?
Não, não é. Tal como na fábula, a associação entre barro e ferro dá, necessariamente, cacada:
O Governo alemão vai permitir ao candidato à Presidência francesa François Hollande “salvar a face”, mas espera que ele mantenha os compromissos assumidos em nome da França, nomeadamente o tratado orçamental, disse o ministro das Finanças germânico. (No Público)
Não conheço o texto original, nem o conseguiria ler, que não sei alemão. Mas, se a tradução é minimamente fidedigna, cada palavra é uma pérola. Colonial. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Aviso à navegação

Aprecio a crítica, não tolero o insulto. Por isso, quem não sabe distinguir luta de ideias de ofensas pessoais escusa de aqui vir comentar -- não será publicado. Acrescento: este blogue é meu. Nele publico o que me apetece, como me apetece. Dou a cara, assumo a responsabilidade pelas minhas afirmações. É tudo.