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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Fraquinha, mas boa!

Naqueles tempos de brincadeiras parvas havia o costume de embebedar pobres diabos para chacota geral ao vê-los aos tombos, desnorteados,
-- Espetámos-lhe com tamanha bebedeira nos queixos que o tivemos de levar de carro de mão a casa! 
Era o que fazia grupo de rapazolas, mortos de riso, a encherem copos atrás de copos de bebida branca a velhote já senil: -- Ti Jaquim, beba mais um copo! Que tal é ela?
-- Obrigado, rapazes, é fraquinha mas é boa! 
Preocupado, o meu pai chega-se, a tentar evitar desgraça: -- Vocês ainda matam o velho!
E um dos rapazes, a chorar de riso, dá-lhe a cheirar o garrafão: -- É água!
E o meu pai, para poupar o pobre diabo à judiaria: -- Ti Jaquim, não beba mais senão fica transtornado!
-- É isso, rapazes. Muito obrigado, mas fico por aqui, que já me está a trepar à cabeça!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Função Fática no Facebook

Lembram-se das velhinhas funções da linguagem, de Roman Jacobson? Nunca lhes achei grande piada, nem utilidade para o estudo do texto. Mas em determinada altura tornaram-se quase obrigatórias em tudo o que era formação, pelo que ainda se devem recordar.
Uma das mais interessantes é a função fática, em que o emissor procura a todo o custo manter o contacto com o seu receptor, e o exemplo dado era, invariavelmente, uma dessas conversas telefónicas em que se fala sem dizer nada. Fosse hoje, e o exemplo seria o Facebook. De tal forma, que frequentemente desisto da sua leitura logo às primeiras mensagens, pelo que muito provavelmente perco outras mais interessantes, mas que não surgem imediatamente.

Permitam-me o conselho, perdoem-me a arrogância de o dar: não basta atirar o barro à parede; é preciso alisá-lo, poli-lo, pintá-lo para que o resultado final mereça rápida olhadela nestes tempos de excesso de materiais audiovisuais. Mais: fujam do trivial, dêem-me algo de novo, uma foto interessante, pelo enquadramento ou pelo assunto, uma frase original, uma rima, uma ideia arrevesada. Porque o mais é déjà vu, banalidades, fofuras e gostosuras. 
Ah, os meus "gosto" são sinceros, pouco se me dá se alguém ficar ofendido por não retribuir a fineza. Nunca pertenci à Sociedade do Elogio Mútuo.