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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Morra primeiro, reforme-se depois

Já não sei o que mais me assombra: se a capacidade dos tecnocratas proferirem asneiras, se a forma acrítica como os media as reproduzem:

Após a crise idade da reforma deve ir até aos 80 anos

por Dinheiro VivoHoje
Para o presidente executivo da AIG - American International Group, a crise da dívida na Europa demonstra que os governos a nível mundial têm de aceitar que as pessoas vão ter de trabalhar mais anos, à medida que a esperança de vida aumenta. Robert Benmosche defendeu que a idade da reforma terá de se estender até aos 80 anos.
"As idades da reforma têm de se alterar para os 70, 80 anos", referiu o CEO da AIG. Numa entrevista na sua casa em Dubrovnik, na Croácia, Robert Benmosche, explicou que assim se tornaria "as pensões e os serviços médicos mais acessíveis. Eles manteriam as pessoas a trabalhar mais tempo e retirariam essa carga dos mais jovens".
Com o desemprego juvenil a atingir números exorbitantes não apenas na Europa ou no Norte de África, mas por todo o Mundo, nada como ter os jovens no desemprego e os velhotes a mourejar. Poupa-se nas pensões de reforma, gasta-se em subsídios de desemprego e afins. Além do mais, os cidadãos ficarão mais tranquilos se protegidos por polícias septuagenários, mais confiantes se as escolas se transformarem em lares da terceira idade e estes tiverem septuagenárias a cuidar dos octogenários sobreviventes... Um paraíso por todo o lado, das minas às pescas, dos militares, à moda -- os velhos a trabalhar, os moços no desemprego.

Ocorre-me até que a citada AIJ estará já a implementar as propostas do seu presidente executivo dando preferência nas entrevistas de emprego aos sexa, septuagenários, em detrimento dos jovens...

2 comentários:

Anónimo disse...

Embora tenha dúvidas quanto à bondade de os deixar falar

Por um lado, o leitor, ao ouvir/ler a coisa, não pode deixar de concluir que o referido CEO é atrasado mental.

Por outro, água mole tanto dá até que fura e sempre convence mais uns tantos que é esse o destino. Pouco interessa que a empresa seja daquelas que destruiu a economia dos EUA há escassos anos.

Jose Catarino disse...

Pois, são esses os problemas que a notícia evidencia: atrasados mentais a governarem o mundo, destruindo alegremente a economia dos países para conseguirem proventos individuais, indiferentes ao sofrimento alheio. Só por idiotice ou por má-fé se pode propor a reforma depois dos oitenta. Bastaria ao presidente executivo visitar um lar para se aperceber das bacoradas que soltou.