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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Entre Cós e Alpedriz

Levei anos a escrever este romance e durante a maior parte desse tempo intitulei-o Joaquina Guiomar Afonso, inspirado numa cantiga de amor de Roi Queimado:
"Pois que eu ora morto for
sei bem ca dirá mia senhor:
- Eu sõo Guiomar Afonso!
 
Pois souber mui bem ca morri
por ela, sei que dirá assi:
- Eu sõo Guiomar Afonso!
 
Pois que eu morrer, filhará
entom o soqueix'e dirá:
- Eu sõo Guiomar Afonso!

Quando estava quase terminado, teve o mesmo título do último capítulo, De um Verão até ao outro. Só mesmo no fim lhe atribui o título definitivo, que tem o inconveniente de levar alguns leitores a chamarem-me escritor regionalista. 
Não que o epíteto me aborreça: o mesmo dizem, igualmente sem razão, do grande Aquilino; mas considero-o inapropriado: como o meu amigo Arnaldo Marques escreveu então, a matéria do romance
"... é historicamente o século XX português, abafado pela longa e pesada herança salazarenta, vivido numa aldeia do concelho de Alcobaça -- Montes, situada entre Cós e Alpedriz..."
O título final, extraído do dito local Entre Cós e Alpedriz qualquer burro é juiz,  revelou-se certeiro, como salientou na apresentação na Junta de Freguesia dos Montes o falecido dr. Sapinho, então Presidente da Câmara de Alcobaça,  e como confirmam as 5 (pequenas) tiragens que fiz da 1ª edição. E o sucesso não pára: segundo o Google, já há quem o use pelo Brasil. Não faço birras nem cenas sobre autoria e paternidade -- inspirar outros, ser porventura plagiado, envaidece-me. Mas, que diabo, vejam o Google Maps (clicar para ampliar)! Entre Cós e Alpedriz -- só os Montes, outrora terra de Muito vinho e poucas fontes.
NOTA: não é marketing. Tenho apenas meia dúzia de exemplares e pouca vontade de me pôr a fazer a 2ª edição, corrigida com os testemunhos de intervenientes.

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