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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O espectro

Sinto, desde há dias, que o próximo romance me ronda, insidioso. Em breve tornar-se-á imperioso, não terei como o evitar, não encontrarei maneira de lhe fugir, e apenas o escrevê-lo me dará paz. Se é aquele que pressinto, não o quero. Vade retro Satana!
Médium que sou, não me cabe escolher os espectros que me visitam. Apenas dar-lhes voz, a contragosto embora. Ah, não poder escrever antes  sobre a Primavera e os verdes campos, as brancas ovelhinhas que neles pastam, as abelhas azafamadas de flor em flor, os pastores que dirimem os conflitos amorosos a trinados de flauta!

3 comentários:

Um Jeito Manso disse...

Suspense...!

E depois vai dando conta do que esses fantasmas que o habitam vão fazendo...?

José Cipriano Catarino disse...

Sim. Por exemplo, em Entre Cós e Alpedriz no capítulo Sol de Inverno; em Do lacrau e da sua picada, no capítulo A Menina do Shopping. Ou, outro exemplo, na narrativa que aqui publicarei esta semana como conto.
Qualquer um destes exemplos me custou muito a escrever, não apenas pelo trabalho formal, mas porque me magoaram muito.

José Cipriano Catarino disse...

Na minha resposta, onde se lê "magoaram", deveria ler-se "magoou". E falta pelo menos uma vírgula. Coisas da pressa.