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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Um balão de dez tostões

-- Ó rapaz, deita-me já essa porcaria fora!
O garoto protesta. Não senhora, era o que faltava! E não é porcaria nenhuma, é um balão do grandes, dos de dez tostões, que só se vendem em Alcobaça.
A mãe ralha, ameaça, chama-o para lhe tirar aquela porcaria, achada na sarjeta, que ele insiste em meter na boca, em soprar a ver se enche como balão dos grandes, dos de dez tostões, só vendidos em Alcobaça.
O garoto foge, recusa deitar fora o preservativo usado, sempre assim foi, os jovens sabem sempre tudo, deles é o mundo das certezas, e a mãe tem vergonha de lhe dizer o que é aquilo, para que serve ou serviu, por isso insiste nas ordens gritadas, mas não obedecidas.
Volta-se para mim, uns anitos mais velho, na esperança de que corra atrás do filho, o faça largar aquela imundície. E lá vou eu.
Em vão. 
-- Isso querias tu, que eu deitasse fora o balão que achei para ficares com ele! E foge à minha frente, ligeiro, sempre a tentar enchê-lo...
-- Isso é uma camisa-de-vénus!
-- É o quê! Pensas que me enganas?

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