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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Literatura chata

Muito me podem gabar certos autores. O que para mim conta é se passam ou não no teste da leitura inicial -- das primeiras linhas, de um ou de outro parágrafo lá para o meio, escolhido aleatoriamente.
A esmagadora maioria, de autores nacionais e estrangeiros, reprova. 
Porque lhes falta interesse, e parecem estar a encher morcelas, e vai gordura, e vai sangue, e vão cominhos em excesso, na forma de adjectivos empregues na ilusão de assim escreverem "poético". 
Porque a escrita não tem ritmo, não tem cadência. Porque não desenvolve, e lemos, lemos, e, como no velho lugar comum, nem o pai almoça nem a gente morre -- ou o seu contrário. Porque o seu gosto é diferente do meu -- por exemplo, um famoso autor americano começa com um "não as podes f. todas!" e eu ponho-o de lado, ainda na livraria, por achar a escrita vulgar, e não se pense que é pelo emprego do palavrão, magistralmente utilizado, por exemplo, por Gil Vicente. Outros livros, porque são chatos, andem neles à procura de carneiros selvagens ou leve o protagonista a amante para hotel e três capítulos depois ainda não tenham chegado a vias de facto -- neste caso, tinha decidido ler o romance, custasse o que custasse, mas acabei por dar parte de fraco.
Lembram-se de Boleano, esse génio da literatura? Bem tentei ler O Terceiro Reich. Acho que até consegui chegar à página 4. Bem menos do que nos Versículos Satânicos, no Ulisses, em que cheguei quase à centena antes de desistir.
Há dois anos, numa férias, emprestaram-me livro de autor português da nova vaga, de quem até já tinha lido um romance aceitável. Logo às primeiras páginas, uma adolescente, no momento de perder a virgindade, imagina que as partes do homem se desintegram e sobem por ela... Como é possível escrever tamanho disparate e a editora deixá-lo passar? Ou agora as moças, nesse momento marcante da sua sexualidade, entretém-se a imaginar cenas que nem nos desenhos animados se vêem?
Outro, pelos excertos divulgados no Facebook, põe uma personagem, também adolescente, a exigir que a amada os imagine velhinhos. Lindo, não? Só que os adolescentes, como aquele que fui, como os que conheci, como os que conheço, nunca serão velhos, pelo que tal proposta é simplesmente absurda...
E assim perdem um leitor, o que nenhuma diferença lhes fará. Contanto que os seus livros se vendam para prendas de natal e de aniversário, contanto que alguém os vá citando com veneração. 
-- Não gostas? Problema teu, não faltam admiradoras.
-- Criticas? É só inveja.

2 comentários:

Anónimo disse...

Bolano,com til no nê.

Jose Catarino disse...

Teclados e correctores automáticos...