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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Quero o meu dinheiro!

Talvez sejam reminiscências do salazarismo – não sei. O que sei é que empresas como os CTT fazem a sua própria lei e têm práticas de honestidade questionável, desprezando o cidadão cliente que lhes paga os serviços.


Veja-se o que aconteceu comigo: enviei um dos meus romances à cobrança e o destinatário pagou-o prontamente; recebi o respectivo vale de correio, mas não dei a devida atenção à data limite para levantamento (não vem a propósito, mas lido mal com o tempo e raramente sei a quantas ando). O que importa é que – e a assumo total responsabilidade por esse facto – deixei passar o prazo e cinco dias depois de terminado fui aos CTT para receber o meu dinheiro. "Não pode ser", informa a funcionária. "Para receber o vale tem de fazer um pedido… e pagar 2,5 euros."


"Não pago", respondo. "O dinheiro é meu, não vejo porque é que havia de pagar para o receber. Do valor do livro, 12,5 euros, os CTT receberam, como intermediários no negócio, 7,5 euros! Receberam tudo o que quiseram, não vejo por que é que devem receber mais, visto que, entretanto, não me prestaram mais nenhum serviço."


O diálogo de surdos prolonga-se, sempre educadamente. Então, para sair dali, coloco assim a questão: "Não me pode dar o meu dinheiro porque o prazo terminou. Os CTT não podem ficar com ele porque a tal não têm direito; então, devolva-o ao comprador do livro." Não pode ser. "Então vamos oferecê-lo a uma instituição de caridade." Também não pode ser. Para se livrar dos "trilemas" (o dinheiro ou vai para quem o pagou, ou para mim, que o deveria receber, ou para caridade) a senhora vai chamar a chefe. Tudo se repete. Insisto: no caso, os CTT funcionam como entidade bancária; será que, num momento de falta de liquidez, os meus 12,5 euros ocuparam tanto espaço que, por cinco dias, me tenham de cobrar juros de 20%? Quanto não daria ao ano?


Desnecessário seria dizer que não recebi o meu dinheiro. Vou reclamar. Telefonei para os números do Provedor do Cliente – ninguém atende. Vou escrever. Quero o meu dinheiro, não pela quantia, que, mesmo assim, dá um almoço para dois no Ribeiro, mas por duas razões: é meu e não é dos CTT.

Como é que se chama a quem se apropria do alheio?

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