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quarta-feira, 7 de julho de 2010

A escola-prisão

Confrange-me ver como a escola, que sempre adorei, se está a transformar numa prisão para os jovens, obrigados a nela permanecer de manhã à noite, impedidos de sair por cartões electrónicos, vigiados por câmaras... Não é ficção científica negra, não. Antes fosse. É a realidade que espera os nossos jovens já no próximo ano lectivo: enclausurados todo o dia, emparedados em salas de aula em blocos de noventa minutos, com três direitos fundamentais: sentar, ouvir, estar calados. Para conviver, para namorar, ou o fazem na sala de aula, ou terão de rentabilizar os intervalos, escassos e exíguos, dividindo-os entre as necessidades fisiológicas, a alimentação e as relações humanas.
Não cometeram qualquer crime. Se o tivessem feito, teriam direito a liberdade condicional, regime aberto, pulseira electrónica. Mas estão condenados a prisão das 8H15 da manhã às 18H05 da tarde, obrigados a ver professores até ao vómito -- tudo isto em nome da segurança deles próprios!
Quem se admirará se a indisciplina se tornar explosiva?

2 comentários:

Reinaldo Amarante disse...

Estás mesmo com vontade de "picar" o "Homem". Na reunião do DE não passou despercebida a tua alusão à escola-prisão. Qualquer dia ele chateia-se e não passas do "Bom"... He, He, He

José Cipriano Catarino disse...

Se verificares a data de publicação deste post e a da reunião a que te referes, verificarás que o post é anterior à reunião. E muito menos há qualquer vontade de picar um qualquer homem. Há sim uma preocupação que partilho relativo ao futuro da educação no nosso país. Já antes, no blogue do Ramiro, por exemplo, surgiu um post no mesmo sentido. E certamente te recordas de discussões anos atrás, quando ambos éramos membros do Conselho Pedagógico, em que eu me pronunciava já contra a escola-prisão.