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terça-feira, 19 de março de 2013

O coxo

Vai para quatro semanas que, sem motivo aparente, o meu joelho esquerdo deu em doer; não as dores que volta-não-volta atormentam os karatekas e passam com uns dias de repouso, mas dor atroz, que tornou penoso o subir e descer escadas, o andar -- e se eu gosto de andar a pé! --, me expôs ao ridículo de coxear em público: Zé, que é isso? O que é que te deu? 
O médico, que é também o meu professor de karaté há trinta e tantos anos, diagnosticou problemas no menisco: Fazes uns exames... Tratamento? Pomada, repouso, um comprimido, se te vires muito aflito.
Bom, não consigo estar parado. E, há dias, ao trabalhar no campo por entre dores quase insuportáveis, tive de fugir repentinamente de uma braça de macieira que cortava e por pouco me não caía em cima. O joelho deu um estalo, a dor mudou de local, e senti que a articulação tinha ido ao sítio. 
De então para cá, creio que melhorei um pouco: subo e desço escadas como adulto e já não como bebé, as dores não são tão intensas, especialmente se não fizer movimentos laterais, e ontem já experimentei fazer umas katas no meu alpendre. Por enquanto, apenas consigo fazer as três Teki -- uma surpresa, pois pensava que a posição, kiba dachi, "o cavalo de ferro", fosse péssima para os joelhos.
É esta a riqueza do karaté: há quase sempre possibilidade de prosseguir o treino, de fazer exercício físico, quando, muito provavelmente, todas as outras modalidades seriam inviáveis. Se tiver quem me faça o filme, amanhã coloco aqui uma das katas do coxo -- eu mesmo. Para exemplificar ensinamento dos antigos mestres: a via do karaté não tem limites, nem de condição física, nem sequer de idade.

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