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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Esladroar

Segundo o dicionário da Porto Editora, consiste em "limpar (as plantas) dos ladrões ou rebentos novos que
são supérfluos". Esladroar, informa o Serviço de Avisos Agrícolas, serve para arejar as vinhas  facilitando a aplicação dos produtos fito-sanitários e criando condições adversas ao fungos, mormente ao míldio, ao oídio, ao black-rot.
Esladroei ontem e hoje, com os resultados que as fotos, de má qualidade, mostram.
Na primeira, vê-se como as vides, aproveitando a minha ausência, cresceram  incontroláveis, ao ponto de impedirem a passagem entre as linhas -- que estão afastadas 3 metros entre si.
O resultado do meu esladroamento radical está patente na segunda foto.
Terminado, logo outra necessidade premente surgiu: cortar as ervas daninhas nas linhas, que se emaranhavam nas cepas.  

E, porque o trabalho no campo está sempre atrasado, ainda reguei em duas courelas. Tarefa demorada, dura, a arrastar mangueiras cheias de água pela terra, e que exige conhecimentos rudimentares de mecânica, porque o motor não pega, o chupador desferra...
Enfim, como escreveu Cesário Verde,


Hoje eu sei quanto custam a criar
As cepas, desde que eu as podo e empo.
Ah! O campo não é um passatempo
Com bucolismos, rouxinóis, luar.

Eis-me derreado, com o corpo a exigir descanso. Amanhã verei as novas nas redes sociais e blogues, responderei a quem o merece, irritar-me-ei com o fracasso da "salvação nacional". Ou talvez não, que o assunto já me enjoa. Cada vez acredito menos na salvação.

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