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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O homem da Lua

Não eu, mas todos os que têm vista apurada distinguem nitidamente na Lua um homem com molho de silvas às costas. Poucos saberão por que lá está, como lá foi parar, que fez para merecer tal castigo, o da eterna solidão, que nem mesmo os astronautas americanos lhe renderam visita quando, nos idos de 69 pousaram, dizem eles, no nosso satélite.
Pois o homem andava a cortar silvas ao domingo, o que, como todos sabem, é pecado mortal.
Domingo era então dia de bebedeira, de tareia na mulher, de zaragata com os vizinhos, como hoje o é de ida à praia, de almoço fora; pode-se trabalhar, por exemplo, penando atrás de caixa do Continente, ou em bomba de gasolina, ou a servir à mesa, ou a animar festas populares. Livrem-se, porém, de roçar silvas, de pegar em enxada ou tractor -- logo vos excomungarão os que no adro da igreja, no café ao lado, religiosamente cumprem o descanso semanal, prolongando o do resto da semana.
E, fiquem cientes, aguarda-vos castigo idêntico ao do homem das silvas que Deus colocou na Lua para exemplo de todos aqueles que ousarem desrespeitar domingo ou dia santo, seja ou não feriado, cometendo o pecado de trabalhar na terra ou lá ir passear de tractor, sendo porém permitidos os outros veículos todo-o-terreno... 

3 comentários:

Reinaldo Amarante disse...

Qual superstição, qual carapuça. É pura verdade. O homem andava mesmo a roçar silvas, contou-me o Avô da minha mulher. E eu bem o vejo na Lua, de castigo. Também não se pode lavar e pôr roupa a secar na sexta-feira santa porque a roupa fica manchada de sangue... disse-me a Avó da minha cara-metade.

Reinaldo Amarante disse...

Qual superstição qual carapuça. É mesmo verdade. O homem andava a roçar silvas, contou-me o Avô da minha mulher. Eu bem o vejo na Lua de castigo. Também não se pode lavar e pôr a roupa a secar na Sexta-Feira Santa porque a roupa fica manchada de sangue, disse-me a Avó da minha cara-metade.

Jose Catarino disse...

Não te admires, portanto, se um destes dias me vires lá na Lua a fazer-lhe companhia. Talvez até já corra abaixo-assinado a pedir ao Criador que me dê tal castigo por me esquecer dos dias santos, em que, como digo no post, se pode trabalhar no Modelo, mas não roçar silvas...
Não conhecia essa da roupa. Mas lembrei-me, por exemplo, de que se não devem abrir as janelas à noite para que os espíritos não entrem em nossa casa. Ora com o calor que tem feito neste Verão, anunciado como o mais frio dos últimos duzentos anos, deixo-asa abertas toda a noite...