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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A liberdade do pintor

Este parte, aquele parte,
E todos, todos se vão
(Rosalía de Castro)
O último a partir para reforma antecipada, descontente com a infernização da vida do professor iniciada por Maria de Lurdes Rodrigues e Valter Lemos e continuada pela actual equipa ministerial é o pintor João Alfaro, autor dos desenhos da capa dos meus romances já publicados. Sai mais um representante de uma geração que entrou para o ensino no pós-25 de Abril, desiludido, amargurado, incapaz de contemporizar com as concepções vigentes de escola. E é a escola que fica a perder com a saída de veteranos como ele, professores experientes que poderiam assegurar uma transição sem sobressaltos, fazer a ponte entre o passado recente e o futuro. É a escola que fica mais pobre, mais monótona, mais chata -- o que nada aflige os nossos governantes, para quem desalinhados como o João são pedras no sapato do eduquês que urge deitar fora.
Vai dedicar-se por inteiro à pintura. Talentoso, com extraordinária capacidade de trabalho, o João pode agora realizar-se plenamente como artista e alcandorar o seu trabalho em níveis de sucesso ainda mais elevados.
Boa sorte, um abraço, e vai-nos visitando, na escola e fora dela. 

(FOTO: o João no restaurante João do Grão, após a Grande Oferta de Livros, evento em que estivemos presentes)

1 comentário:

Reinaldo Amarante disse...

Infelizmente, por muitas voltas que dê, por muito que me diga que o João vai ficar melhor, vai fazer o que gosta mais, não consigo deixar de sentir aquele nó na garganta pelas razões da sua saída. Não é justo nem é bom para a Escola, nem os Alunos ganharam com isso. Para os nossos governantes, é menos um "340" a ser pago, já que vai, eventualmente, ser substituído por um precário contratado. Triste país este, de "Monangambés.(Contratado em quimbundo)