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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Os três gostos

Aí pelos anos 90 pululavam pelas ruas de Lisboa os vendedores de time-sharing. Emboscados nas esquinas, escolhiam as vítimas com o olhar predador do carteirista e atacavam-na com requintes de psicologia dignos de mestre do conto do vigário, a vender, não a torre de Belém ou a ponte sobre o Tejo, mas férias paradisíacas em locais de sonho. 
Um deles cortou-me passagem no passadiço que puseram no Chiado após o incêndio. Fiz gesto com a mão esquerda, a recusar conversa. E ele: -- São só três perguntinhas..., em tom de voz que insinuava que eu seria malcriado em recusar, como se responder a desconhecido importuno fosse o mesmo que negar copo de água a viandante sedento.
Com o olhar, fiz-lhe sinal para que se despachasse.
-- Gosta de andar de avião?
-- Não.
Gosta de viajar?
-- Não.
Gosta de férias?
-- Não.
E deixei-o pasmado, em visível conflito interior entre os seus dois neurónios: o saloio era mesmo parvo ou estava a fazer-se?

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