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domingo, 5 de dezembro de 2010

Azares

Com o país a ser afundado alegremente, vejo-me, por força deste salve-se-quem-puder, a sonhar com uma safa. Não podendo ser assessor -- excesso de habilitações, falta de cartão do partido e, sobretudo, de boa madrinha, de madrinha boa, ou até de madrinha-frasco a precisar de enchimento --, e já sem esperança de que o Euromilhões me contemple, agora orientado pela misericordiosa mão de Deus para os mais carenciados, restava-me a natureza para garantir pé-de-meia que componha a miragem da reforma, em constante fuga para a frente e, pior, à dieta por causa das bandas gástricas que o governo lhe vem aplicando.
Contava pois eu com a natureza. O aquecimento global iria tornar as minhas terras praias: veja-se a foto. Em primeiro plano, a minha lavoira; um pouco abaixo, um vale profundo, até aos pinheirais que escondem o mar. Com a anunciada subida das águas por força do aquecimento global, eis-me o feliz proprietário de praia, já a imaginar hotel, ressort... Pois vem este frio e lá se vai a minha ilusão por água abaixo, água como a que hoje escorre do céu, dessa que jamais voltaria a cair como nos bons velhos tempos, ecologista dixit. Ora com nova idade do gelo à vista, nenhuma esperança de valorizar a minha Salgueira. Bom, restava-me ainda o petróleo. No ano passado fizeram estudos nos Montes e, ao que me garantiram, há petróleo acessível e em quantidade. E eu, qual personagem de Dallas, via-me já de charuto, chevrolet, a gozar das mordomias dos barões do petróleo. Pois não é que querem explorar o meu petróleo lá do mar? Cá para mim, farão um furo oblíquo até às minhas jazidas!

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