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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Breve balanço de 2012


Folheando o meu razão, 2012 emerge como ano bastardo. 
A perda da minha mãe, cortes salariais e de subsídios, fracas colheitas por causa da seca que se prolongou de final do ano até 1 de Abril, sementeiras perdidas... E sempre, sempre, o negativismo nacional a assombrar os dias, nos noticiários, nos jornais, nos blogues, no Facebook, onde qualquer cidadão ou cida-dona é o feliz detentor da  VERDADE e  na sua arrogância se compraz a achincalhar, a ofender quem se atreve a pensar diferente, enlameando mesmo quem dedica a vida a fazer bem aos outros, como no caso Isabel Jonet, que carinhosamente apelidavam Ovelha Xoné...
Porém, presenteou-me com o João, o meu quarto neto neste país envelhecido onde as crianças escasseiam. Não me faltou com saúde, nem com comida na mesa, deu-me alegrias diárias, singelas, como abraço do Miguel e "um avô, tinha saudades tuas", elogios entusiásticos do Afonso aos meus dons culinários enquanto devora simples hambúrguer grelhado na lareira, o beicinho do Tiago, a caminho dos três anos, se lhe não cedo imediatamente o iPad em que escrevo...
Não me faltou com outras alegrias: recebi mais um (pequeno) prémio literário, terminei outro romance, de que aqui darei conta em breve.
Em Setembro, chegou a minha aposentação e recebia-a sem entusiasmo, antes como inevitabilidade: prefiro sair pelo meu pé do que corrido, e da forma como as coisas se estão a pôr... Não vi a reforma como libertação. Fui professor 36 anos, de 1976 a 2012, por vocação, por prazer, embora de há uns anos para cá não faltasse quem, de cima abaixo e de abaixo acima, porfiasse em transformar qualquer possível prazer em tormento, entendendo, talvez, que trabalho tem de ser penoso... Às línguas invejosas, "reformado tão novo", respondo que comecei a trabalhar em 1973 (primeiro como servente de pedreiro, depois como operário de plásticos) e me reformei com 39 anos de descontos, sem nunca ter recebido subsídio de desemprego. Podia trabalhar mais anos? Sem dúvida, mas não nas actuais condições do ensino, inferno que muitos não aguentam durante uma única semana. Deixo o lugar aos mais novos, que bem precisam, com o desemprego que por aí grassa. É assim que pertence: os jovens a trabalhar, os velhos a viverem o melhor que puderem os anos que lhes restam.
2012 já lá vai. Ao verter o razão em balanço, concluo que o bem que houve, e muito foi, deixa saldo positivo a transitar para o exercício de 2013. 

2 comentários:

Ana disse...

A avó Isabel faria anos hoje...

(tenho de deixar de ler os teus posts no trabalho, fico sempre de lágrimas nos olhos)

Jose Catarino disse...

No ano passado, quando fez oitenta anos, fomos almoçar fora. Saudades e dor por já não estar connosco para festejar os 81.