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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Nobre povo

Ontem estive na minha aldeia. 
Há três dias sem electricidade, sem água. 
Despejo para o lixo o conteúdo do congelador do frigorífico. 
Uma vizinha está a cozinhar tudo o que tem na arca frigorífica  para evitar que se estrague.  Lamenta, não o prejuízo próprio, mas que o mau tempo tenha arruinado a festa de São Vicente, um dos padroeiros da terra, e, sobretudo, o trabalho perdido das festeiras. 
Uma prima conta-me a rir que se lava com a água da chuva. 
Árvores arrancadas, telhas levantadas, vidas transtornadas. Não ouço protestos, não presencio conversas azedas. 
Não é conformismo, é a arte ancestral da sobrevivência que persiste nesta aldeia, talvez em todas as aldeias devastadas pelo temporal. 
Pouco antes de regressar, volta a electricidade. Mas não, ainda, a água.

1 comentário:

Um Jeito Manso disse...

Como é possível? Que maçada de todo o tamanho. As pessoas do campo resistem melhor a estas contrariedades do que as da cidade. Sem água nem luz...?