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domingo, 29 de setembro de 2013

A revolta em Alpedriz

A agregação de freguesias foi feita à revelia das populações, da sua história e cultura, com completo desprezo pelas razões que levaram à sua constituição — antes de mais, a igreja onde o povo se reunia, se baptizava, casava, enterrava os seus defuntos, e os cemitérios onde, a partir de meados do séc. XIX, repousam, mais do que as ossadas, os elos que ligam os vivos ao passado, à família, à terra.
Alpedriz, com história que remonta, pelo menos, a D. Afonso Henriques, que tomou a vila aos mouros e lhe concedeu foral, viu a sua importância crescer ao longo dos séculos. Apesar de distante quatro ou cinco quilómetros de Cós, não manteve ligações históricas, nem culturais, nem, suponho, sociais  com Cós, outro importante centro histórico, que se desenvolveu em volta do seu convento de monjas de Cister. E Entre Cós e Alpedriz fica a minha terra, Montes, que muito progrediu desde que passou a ser freguesia — só então teve esgotos e saneamento, ruas alcatroadas, cemitério, centro de dia para a terceira idade, etc., e agora se vê remetida com a agregação para a apagada e vil tristeza de outrora.
Indigna-se o povo, a quem já quase tudo foi sido tirado e vê agora periclar o pouco que lhe resta, mas que afinal estrutura uma nação: o seu apego ao passado e o sentido de pertença a uma comunidade. Protesta o povo de Alpedriz contra a ignorância e a falta de sentido patriótico que está na origem da agregação de freguesias -- certamente escusadas nas cidades, mas fundamentais nas aldeias...


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