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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O Papa e a Síria

Escrevi "Lá vamos nós outra vez!" indignado com a propaganda hipócrita dos media, a prepararem o terreno para ataques americanos à Síria, com argumentos tão gastos que certamente só os utilizam convencidos da nossa fraca memória. Ou indiferença. Ou burrice.
Que fique claro: não duvido da utilização de armas químicas na Síria. Duvido da autoria, o que é bem diferente. E no horror da guerra, o que mais me preocupa não é saber se os mortos foram queimados, estraçalhados por bombas, executados à falsa fé ou gaseados.  Preocupa-me o porquê, o por quem. Em nome de que interesses. 
Intrigam-me as razões que motivam a aliança tão estranha entre americanos e Al Quaeda. Será o preço  a pagar por negociações que têm decorrido no Afeganistão, para que os americanos possam de lá sair, senão airosamente, pelo menos de fininho, rabinho entre as pernas? Que, estou sempre a dizê-lo, é fácil começar as guerras. Agora terminá-las!
Alegrou-me ver que por todo o lado havia gente que pensava como eu, e exprimia racionalmente, com argumentação sólida, o que eu digo de forma emotiva. Tanta gente que desta vez até os ingleses recusaram participar na aventura americana, de consequências imprevisíveis. Mas negativas. Basta ver  no que deram as recentes intervenções no Iraque, no Afeganistão, na Líbia.
Uma dessas vozes, que espero seja escutada, foi a do Papa:
O Papa repetiu neste domingo o seu apelo a uma “solução justa” para a Síria e, um dia depois de ter juntado cem mil pessoas na Praça de São Pedro numa vigília pela paz, lançou novo repto aos que defendem uma intervenção militar contra o regime de Damasco ao afirmar que muitas guerras têm como único propósito alimentar o comércio de armas.
Não estou, portanto, só nesta minha campanha contra a guerra...

2 comentários:

Reinaldo Amarante disse...

Claro que não estás só. Sou muito pouco, mas penso o mesmo.

Jose Catarino disse...

É possível que sejamos muito mais numerosos do que eu pensava. Veremos se os protestos são suficientes para impedir a guerra. Parece que o prazo de validade das munições se está a esgotar, e os americanos precisam de as gastar para poupar o prejuízo aos fabricantes.
Com uma guerra é uma beleza: os árabes pagam as munições, os americanos vêem-se livres delas, os fabricantes vendem outras novas, os europeus e a NATO cá estarão para limpar a merda no Próximo Oriente durante muitos anos.