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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Paninhos quentes

O país arde em cada Verão, os bombeiros combatem os fogos com abnegação incrível, perdendo alguns a vida, e a conversa é sempre a mesma: há incendiários, há desleixo, há falta de acessos, de limpeza... Quando é se passará das palavras aos actos? Por exemplo, muitos dos incendiários são reincidentes. Deve ser criado quadro legal que permita interná-los durante o Verão, com mordomias suficientes para não chocar a nossa esquerda; deve ser permitido expropriar os metros de terreno necessários para construir os acessos; a limpeza deve ser feita recorrendo aos subsidío-dependentes, porque trabalhar não envergonha ninguém e dar algo em troca do que se recebe contribuirá para aumentar a auto-estima e, eventualmente, para que possam sair dessa situação de dependência. E os juízes não devem desautorizar a GNR, libertando imediatamente os incendiários capturados, por vezes em flagrante delito.
Por último, deve acabar o espectáculo promovido pelas televisões, em péssimo Português, sabido que é que há quem faça qualquer coisa por uns instantes de celebridade.
Os fogos, ou como agora se diz, as "ignições"são inevitáveis. Mas pode-se reduzir a frequência, a dimensão, os estragos. Basta querer e deixar de tratar o problema com paninhos quentes.

ADENDA:
(1) De 29 incendiários detidos, 9 encontram-se em prisão preventiva (31%). Resta saber durante quanto tempo mais.
(2) Um deles, reincidente, estava a cumprir prisão. Em regime de dias livres. Passa pela cabeça de alguém, com o país devastado por incêndios, não obrigar a recolher até às próximas chuvadas pelo menos todos os presos por este crime? E não será óbvio para os juízes que o castigo deve estar relacionado com o crime? Queimou? Que se condene a limpar um determinado número de hectares. Reincidiu? Que seja bombeiro à força nos incêndios -- sempre na linha da frente.
(3) As mulheres da aldeia tentaram capturá-lo. Se o têm conseguido agarrar, em vez de "alegado incendiário" e "presumível criminoso" teríamos, de certeza, um criminoso bem chamuscado.
(4) O medo guarda(va) a vinha, que não o vinhateiro. Mas hoje, medo de quê, se os castigos são recompensas?

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