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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dia de Todos os Santos

Dou-me mal com o calendário e nunca sei a quantos ando. O que pouco me importa. Interessa-me o dia da semana, a agenda serve apenas para marcar os testes, embora os meus alunos sempre me alertem com antecedência, não vá acontecer eu esquecer-me de a consultar – o que, em 34 anos de profissão docente, nunca sucedeu. Por isso me esqueço dos aniversários, do meu inclusive: sei em que dia é, só não sei que esse dia É. E todos os anos sou surpreendido alta madrugada pelo toque da campainha a anunciar ranchos de miúdos ao “bolinho”. Despensa desprevenida, vazia de guloseimas. Para os primeiros, ainda se arranja qualquer coisa, mais simbólica do que apetitosa. Para os que vêm a seguir… Muitas vezes, envergonhado por nada ter para lhes dar, nem abro a porta.
Custa-me não ter com que os contentar (dinheiro não dou, seria incentivo à pedinchice e à mendicidade) porque quando tinha a idade deles também eu madrugava e ia em bando, sacola às costas, de porta em porta, ao “Pão por Deus”. Regressava orgulhoso com sacadas de pão duro, fraca gulodice em casa de padeiro, onde fome nunca entrou, embora a necessidade lá morasse.
Para o ano vou estar prevenido! Só que todos os anos me esqueço de que o Dia de Todos os Santos é dia de bolinho, era dia de Pão por Deus… E como poucas vezes sei em que dia do mês estou, como prevenir-me para esse dia?

2 comentários:

Sofia disse...

Tens de ter um calendário que te alerte que esse dia aí vem e que tens de ir comprar guloseimas... (Lembras-te daquele ano em que a mãe se lembrou e comprou chocolates para os miúdos? Nesse ano não apareceu nenhum!)

José Cipriano Catarino disse...

Fazes falta cá para tratares disso. Um calendário como o que descreves é muito difícil de conseguir. Os jovens recorrem aos telemóveis, mas eu não me ajeito a escrever neles, até porque tenho muita dificuldade em ler o que vou escrevendo.