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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O vampirismo do romance

Sorve todo o tempo livre e não dá descanso no tempo ocupado. Enerva-me quando afazeres profissionais me obrigam a pô-lo momentaneamente de lado. Suga-me quando acordado, ensonado, até a dormir, em sonhos. Deita-se e levanta-se comigo, martela-me a cabeça frase a frase, palavra a palavra, sempre descontente, sempre exigente. Alimenta-se de tudo o que nas gavetas e nas pastas do computador lhe parece apetecível -- contos não publicados, histórias incompletas fadadas para outro destino, vasculha posts do blogue, na esperança frequentemente vã de encontrar pasto para a sua voracidade. E um dia, se terminado -- sei-o por experiência anterior -- deixa-me vazio, sem mais nada para contar, sem mais nada para escrever, enjoado só de o ver, incapaz de mais uma vez o reler sem vomitar. Nem então me dá sossego: vai à sua vida,  sim, exigindo embora que o apadrinhe, o proteja, o divulgue, o venda até, a mim que sou um desastre nos negócios...
Chamou-se Do lacrau e da sua picada, chamou-se Entre Cós e Alpedriz, veio outro cujo nome que não pode ainda ser divulgado, eis agora as Plêiades (título provisório), que exige ser terminado. Vampiros que, como na canção de José Afonso, comem tudo e não deixam nada.

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