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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Profecias

Antes de mais, e para que não haja equívocos, a minha solidariedade para com os árabes que lutam  contra a tirania e morrem nas ruas -- hoje, só numa cidade líbia, terão sido assassinados mais de 200.
Leva avante, e não temer...
Pela santa liberdade,
Triunfar ou padecer...
(1)
Por todo o lado, os povos do terceiro mundo, há demasiado tempo oprimidos, privados de esperança e, sobretudo, dos seus recursos naturais, vão levantar-se uns após outros. Más notícias para nós, na velha Europa, há séculos a viver melhor ou pior, quase sempre acima das nossa possibilidades -- à custa de quem? Más notícias para o nosso governo que ainda tem a esperança de escapar ao "auxílio" da União Europeia e do FMI, péssimas para todos aqueles que protestam contra os combustíveis caros, contra o desemprego, contra a carestia da vida: o  petróleo vai subir até valores impensáveis,  os preços de todos os bens, alimentos incluídos, vão disparar, e nem as energias renováveis ou as barragens nos vão valer. Se tivéssemos energia nuclear seria menos mau, mas foi mais divertido alinhar em campanhas "nuclear? Não, obrigado."
Também o já periclitante desequilíbrio de forças, que tem permitido a Israel fazer o que bem entende, tem os seus dias contados: os novos regimes não serão tão simpáticos, tão compreensivos, tão tolerantes como o foram os dos déspotas apeados ou  a apear, quanto mais não seja porque os seus povos não o permitirão, e com um Irão nuclear a política dos falcões judeus de extrema-direita terá de dar lugar a opções mais dialogantes, mais pacifistas. Goste-se ou não, é o que vai acontecer.
E nós, portugueses? Bom, para que não subsista a dúvida de saber quem se vai lixar, recorde-se  o anexim do mar e do mexilhão. Depois, há muita terra inculta. Para férias, em vez da República Dominicana, talvez uma praia portuguesa, pese embora o desconforto daqueles a quem revolta ouvir labreguices ao nosso povo (noutras línguas não lhes parecem tão mal). Haverá emprego para gente qualificada, i. e., que saiba e queira fazer alguma coisa de útil. A parcimónia impor-se-á, queiramos ou não. A mudança de rumo também, embora receie que só após violentas convulsões sociais.
(1) Versão  constante de A Brasileira de Prazins, Camilo Castelo Branco.

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