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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Repetição e monotonia

Rentes de Carvalho, escritor emérito e bloguista praticante, reflecte sobre os efeitos nefastos da repetição na vida:
No casamento, como no trabalho, no sexo e na alimentação, na arte, nas conversas, nas andanças da amizade, do amor, nas milhentas outras que fazem a vida, a repetição é inimigo nr. 1. Engendra monotonia, é o princípio do fim.
Tendo em conta que lhe não falta o honesto estudo com muita experiência misturado, sinto-me algo intimidado em o tentar contraditar, um pouco como o miúdo da aldeia, que cá por dentro nunca deixei de ser, face aos homens da terra. E as suas afirmações parecem decorrer do senso comum. Mas quero crer que desta vez se equivocou: a repetição só engendrará monotonia se executada acefalamente, corpo para um lado, cabeça para outro. Se nos aplicarmos criticamente em cada repetição, procurando o aperfeiçoamento, não haverá monotonia, antes o desafio da auto-superação. Por isso, os atletas de nível elevado treinam repetitiva e incansavelmente -- lembremo-nos do grande Eusébio que, no final dos treinos, ficava sozinho no campo a rematar incansavelmente à baliza. Lembremo-nos da poesia, que não vive sem a repetição. Lembremo-nos do velho "bis repetita placent". Lembremo-nos, sobretudo, de que o nosso fim só começa quando o coração deixa de repetir os seus batimentos...

FOTO: numa das incontáveis repetições da minha tokui-gata, Jion, Novembro de 2010.

1 comentário:

fatima disse...

Não posso deixar de concordar mais veementemente com esta belíssima argumentação. De facto, "o nosso fim só começa quando o coração deixa de repetir os seus batimentos....". Curioso: a repetição é-nos intrínseca. Nunca havia pensado na importância e sentidos da palavra desta forma. Obrigada!
Fátima Amarante